DOENÇA DE CASTLEMAN ASSOCIADO A ANEMIA HEMOLÍTICA AUTOIMUNE - RELATO DE CASO

A Doença de Castleman (DC) é um grupo raro de distúrbios linfoproliferativos caracterizados por crescimento anormal de linfonodos e manifestações inflamatórias sistêmicas. A doença é classificada em duas formas principais: a forma unicêntrica e a multicêntrica. Na forma unicêntrica, apenas um grupo de linfonodos está afetado. Já a forma multicêntrica, envolve múltiplos grupos de linfonodos e apresenta sintomas sistêmicos como febre, fadiga, perda de peso, suores noturnos, anemia e disfunção de órgãos. A forma multicêntrica pode ser subdividida em três tipos principais: associada ao vírus herpes humano 8 (HHV-8); associada à síndrome POEMS (uma condição rara com múltiplas manifestações sistêmicas); e idiopática. Pode causar várias anormalidades hematológicas, incluindo anemia, principalmente relacionado a anemia da doença crônica. Em casos muito raros, os pacientes podem apresentar anemia hemolítica autoimune (AIHA), que é uma doença autoimune caracterizada por função imunológica anormal, que leva à produção de autoanticorpos contra hemácias e/ou complemento, levando a destruição excessiva de hemácias e anemia. Paciente masculino, 68 anos, com quadro inicial envolvendo evidência de linfonodomegalias cervicais, axilares e abdominais detectadas por exames de imagem (PET-CT e TC) por Doença de Castleman multicêntrica associada ao HHV-8, padrão hialino vascular, confirmada por biópsia linfonodal com estudo imuno- histoquímico. Sorologia para HIV foi negativa e HHV-8 positiva. O tratamento instituído incluiu Rituximabe 375 mg/m 2 semanal por quatro semanas. Houve resposta clínica favorável, com regressão completa das linfonodomegalias hipermetabólicas evidenciada em exames de imagem posterior. Retorna 2 meses após, com quadro de fraqueza, astenia, urina escurecida, piora importante de anemia (Hb: 6,5; Ht: 23,3%) e provas de hemólise positivas (DHL: 532; Reticulócitos 6,7%, bilirrubina indireta 2,98; coombs direito positivo não sendo possível determinar imunoglobulina e complemento envolvido por positividade no controle e eluato positivo) compatível com anemia hemolítica autoimune. Iniciado prednisona 60 mg/dia com boa resposta clínica, melhora progressiva em níveis de hemoglobina e em exames de hemólise. Além disso, optado por nova reavaliação de recaída de doença com PET-CT desencadeando quadro de anemia hemolítica autoimune. Entretanto, na investigação com PET-CT evidenciado linfonodos de pequeno tamanho, sem hipermetabolismo e outros sinais clínicos de recaída de doença, não sendo necessária nova reexposição ao rituximabe e/ou outras linhas terapêuticas. A Doença de Castleman representa distúrbios linfoproliferativos com manifestações clínicas que variam desde formas localizadas até apresentações multicêntricas sistêmicas graves. As alterações hematológicas, especialmente a anemia, constituem achados frequentes e, em casos raros, pode ter associação com anemia hemolítica autoimune. O reconhecimento precoce e correlação com doença de Castleman são fundamentais para instituição de tratamento direcionado. O rituximabe é uma opção de primeira linha viável para o tratamento de AHAI relacionada à DC. Novas pesquisas são necessárias para esclarecer os mecanismos e otimizar estratégias terapêuticas, especialmente nos casos refratários à terapia padrão.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104359
Primary Topic
Viral-associated cancers and disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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DOENÇA DE CASTLEMAN ASSOCIADO A ANEMIA HEMOLÍTICA AUTOIMUNE - RELATO DE CASO

CH Dosualdo, AF Pedrão, Fabiana Terezinha Leal de Morais, Hugo Caire de Castro Faria Neto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Viral-associated cancers and disorders
article

DOENÇA DE CASTLEMAN ASSOCIADO A ANEMIA HEMOLÍTICA AUTOIMUNE - RELATO DE CASO

CH Dosualdo, AF Pedrão, Fabiana Terezinha Leal de Morais, Hugo Caire de Castro Faria Neto, M. F. SILVA, GPS Mota, Ana Luiza Gelpi Mattos, CEdS Marçal, CE Katayama, RGC Goiato, DdS Leme, L Rissi, LB Zerlotti, LGR Dadamos, A Gaidukas
article en

Abstract

A Doença de Castleman (DC) é um grupo raro de distúrbios linfoproliferativos caracterizados por crescimento anormal de linfonodos e manifestações inflamatórias sistêmicas. A doença é classificada em duas formas principais: a forma unicêntrica e a multicêntrica. Na forma unicêntrica, apenas um grupo de linfonodos está afetado. Já a forma multicêntrica, envolve múltiplos grupos de linfonodos e apresenta sintomas sistêmicos como febre, fadiga, perda de peso, suores noturnos, anemia e disfunção de órgãos. A forma multicêntrica pode ser subdividida em três tipos principais: associada ao vírus herpes humano 8 (HHV-8); associada à síndrome POEMS (uma condição rara com múltiplas manifestações sistêmicas); e idiopática. Pode causar várias anormalidades hematológicas, incluindo anemia, principalmente relacionado a anemia da doença crônica. Em casos muito raros, os pacientes podem apresentar anemia hemolítica autoimune (AIHA), que é uma doença autoimune caracterizada por função imunológica anormal, que leva à produção de autoanticorpos contra hemácias e/ou complemento, levando a destruição excessiva de hemácias e anemia. Paciente masculino, 68 anos, com quadro inicial envolvendo evidência de linfonodomegalias cervicais, axilares e abdominais detectadas por exames de imagem (PET-CT e TC) por Doença de Castleman multicêntrica associada ao HHV-8, padrão hialino vascular, confirmada por biópsia linfonodal com estudo imuno- histoquímico. Sorologia para HIV foi negativa e HHV-8 positiva. O tratamento instituído incluiu Rituximabe 375 mg/m 2 semanal por quatro semanas. Houve resposta clínica favorável, com regressão completa das linfonodomegalias hipermetabólicas evidenciada em exames de imagem posterior. Retorna 2 meses após, com quadro de fraqueza, astenia, urina escurecida, piora importante de anemia (Hb: 6,5; Ht: 23,3%) e provas de hemólise positivas (DHL: 532; Reticulócitos 6,7%, bilirrubina indireta 2,98; coombs direito positivo não sendo possível determinar imunoglobulina e complemento envolvido por positividade no controle e eluato positivo) compatível com anemia hemolítica autoimune. Iniciado prednisona 60 mg/dia com boa resposta clínica, melhora progressiva em níveis de hemoglobina e em exames de hemólise. Além disso, optado por nova reavaliação de recaída de doença com PET-CT desencadeando quadro de anemia hemolítica autoimune. Entretanto, na investigação com PET-CT evidenciado linfonodos de pequeno tamanho, sem hipermetabolismo e outros sinais clínicos de recaída de doença, não sendo necessária nova reexposição ao rituximabe e/ou outras linhas terapêuticas. A Doença de Castleman representa distúrbios linfoproliferativos com manifestações clínicas que variam desde formas localizadas até apresentações multicêntricas sistêmicas graves. As alterações hematológicas, especialmente a anemia, constituem achados frequentes e, em casos raros, pode ter associação com anemia hemolítica autoimune. O reconhecimento precoce e correlação com doença de Castleman são fundamentais para instituição de tratamento direcionado. O rituximabe é uma opção de primeira linha viável para o tratamento de AHAI relacionada à DC. Novas pesquisas são necessárias para esclarecer os mecanismos e otimizar estratégias terapêuticas, especialmente nos casos refratários à terapia padrão.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (BR)
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Viral-associated cancers and disorders
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