RELAÇÕES ENTRE CINESIOFOBIA E PARÂMETROS CLÍNICOS EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME

Uma proporção significativa de pacientes vivendo com Doença Falciforme (DF) apresenta dor em mais de 50% dos dias. Uma abordagem biopsicossocial reconhece a influência de fatores sociais, psicológicos e comportamentais na experiência da dor, assim como os desafios no seu manejo considerando sua natureza multifatorial e subjetiva. Componentes físicos e psicológicos, como a cinesiofobia – conceituada como medo excessivo, irracional e debilitante de realizar um movimento - podem afetar significativamente a percepção de dor e os níveis de incapacidade. O objetivo desse estudo foi mensurar a presença de cinesiofobia em pacientes com Doença Falciforme e analisar seu impacto em parâmetros clínicos relacionados à doença. Os participantes foram categorizados por sexo, idade e presença de dor crônica. Os pacientes foram avaliados por meio do Índice de Osteoartrite das Universidades Western Ontario e McMaster de acordo com a capacidade funcional (CF-WOMAC), que é um questionário multidimensional com subescalas de dor, rigidez e função física, e através do questionário Tampa Scale for Kinesiophobia - TSK (quanto maior a pontuação maior o grau de cinesiofobia). Foi avaliada, também, a correlação entre cinesiofobia e variáveis clínicas/funcionais. O estudo incluiu 62 pacientes, 43 mulheres e 19 homens, incluindo 46 HbSS, 10 HbSC ,3 HbSβ0, e 3 HbSβ+, com mediana de idade de 44,5 (28,0–65,0) anos. A pontuação do TSK apresentou mediana da de 44,5 (28,0 a 65,0). Ao comparar os pacientes pela presença ou não de dor crônica, os escores de cinesiofobia foram 45 (30,0-65,0) e 39,0 (28,0-52,0) para os grupos com dor crônica (n=53) e sem dor (n = 9), respectivamente (p = 0,043). Avaliando a CF-WOMAC observou-se pontuação mediana de 16,5 (0,0 a 60,0) para o total de pacientes avaliados e, quando estratificado o grupo, os resultados demonstraram a mediana de 21 (0-60) para o grupo com dor crônica e 3 (0-14) para o grupo sem dor (p < 0,001). Foi encontrado uma correlação significativa entre cinesiofobia e CF-WOMAC (R = 0,459, p < 0,001). Os resultados deste estudo evidenciaram níveis elevados de cinesiofobia entre os participantes, independentemente da presença ou ausência de dor. No entanto, observou-se um nível significativamente mais elevado de cinesiofobia no grupo com dor crônica, sugerindo que o medo do movimento pode estar associado à sua intensificação e persistência da dor crônica, refletindo em maior limitação e incapacidade funcional. O mesmo pode ser observado pelos resultados da correlação positiva identificada entre cinesiofobia e as limitações funcionais, o que pode contribuir para o agravamento da disfunção motora, portanto de acordo com o estudo, pacientes com DF e com dor crônica apresentaram níveis significativos de cinesiofobia e piores parâmetros clínicos. Portanto, este estudo destaca a necessidade de uma abordagem multidimensional para o manejo da dor crônica, devendo considerar aspectos fisiológicos, funcionais e psicológicos para proporcionar um cuidado mais eficaz.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104184
Primary Topic
Fibromyalgia and Chronic Fatigue Syndrome Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

RELAÇÕES ENTRE CINESIOFOBIA E PARÂMETROS CLÍNICOS EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME

STO Saad, Mário Borges Rosa, G. Feldberg, Flávio Henrique Ferreira Galvão et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Fibromyalgia and Chronic Fatigue Syndrome Research
article

RELAÇÕES ENTRE CINESIOFOBIA E PARÂMETROS CLÍNICOS EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME

STO Saad, Mário Borges Rosa, G. Feldberg, Flávio Henrique Ferreira Galvão, BD Benites, AL Lopes, MM Galafassi, BP Campelo, ALV Pansani
article en

Abstract

Uma proporção significativa de pacientes vivendo com Doença Falciforme (DF) apresenta dor em mais de 50% dos dias. Uma abordagem biopsicossocial reconhece a influência de fatores sociais, psicológicos e comportamentais na experiência da dor, assim como os desafios no seu manejo considerando sua natureza multifatorial e subjetiva. Componentes físicos e psicológicos, como a cinesiofobia – conceituada como medo excessivo, irracional e debilitante de realizar um movimento - podem afetar significativamente a percepção de dor e os níveis de incapacidade. O objetivo desse estudo foi mensurar a presença de cinesiofobia em pacientes com Doença Falciforme e analisar seu impacto em parâmetros clínicos relacionados à doença. Os participantes foram categorizados por sexo, idade e presença de dor crônica. Os pacientes foram avaliados por meio do Índice de Osteoartrite das Universidades Western Ontario e McMaster de acordo com a capacidade funcional (CF-WOMAC), que é um questionário multidimensional com subescalas de dor, rigidez e função física, e através do questionário Tampa Scale for Kinesiophobia - TSK (quanto maior a pontuação maior o grau de cinesiofobia). Foi avaliada, também, a correlação entre cinesiofobia e variáveis clínicas/funcionais. O estudo incluiu 62 pacientes, 43 mulheres e 19 homens, incluindo 46 HbSS, 10 HbSC ,3 HbSβ0, e 3 HbSβ+, com mediana de idade de 44,5 (28,0–65,0) anos. A pontuação do TSK apresentou mediana da de 44,5 (28,0 a 65,0). Ao comparar os pacientes pela presença ou não de dor crônica, os escores de cinesiofobia foram 45 (30,0-65,0) e 39,0 (28,0-52,0) para os grupos com dor crônica (n=53) e sem dor (n = 9), respectivamente (p = 0,043). Avaliando a CF-WOMAC observou-se pontuação mediana de 16,5 (0,0 a 60,0) para o total de pacientes avaliados e, quando estratificado o grupo, os resultados demonstraram a mediana de 21 (0-60) para o grupo com dor crônica e 3 (0-14) para o grupo sem dor (p < 0,001). Foi encontrado uma correlação significativa entre cinesiofobia e CF-WOMAC (R = 0,459, p < 0,001). Os resultados deste estudo evidenciaram níveis elevados de cinesiofobia entre os participantes, independentemente da presença ou ausência de dor. No entanto, observou-se um nível significativamente mais elevado de cinesiofobia no grupo com dor crônica, sugerindo que o medo do movimento pode estar associado à sua intensificação e persistência da dor crônica, refletindo em maior limitação e incapacidade funcional. O mesmo pode ser observado pelos resultados da correlação positiva identificada entre cinesiofobia e as limitações funcionais, o que pode contribuir para o agravamento da disfunção motora, portanto de acordo com o estudo, pacientes com DF e com dor crônica apresentaram níveis significativos de cinesiofobia e piores parâmetros clínicos. Portanto, este estudo destaca a necessidade de uma abordagem multidimensional para o manejo da dor crônica, devendo considerar aspectos fisiológicos, funcionais e psicológicos para proporcionar um cuidado mais eficaz.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR)
Openalex Percentile: Top 63%
Fibromyalgia and Chronic Fatigue Syndrome Research
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