CONFIABILIDADE DAS IAGS EM ORIENTAÇÕES SOBRE DOAÇÃO DE SANGUE
As tecnologias de Inteligência Artificial Generativa (IAG) tem sido utilizadas como fonte rápida e acessível de informações sobre saúde, incluindo doação de sangue. Diante dessa revolução, torna-se essencial avaliar a confiabilidade dessas respostas à luz da legislação brasileira. Avaliar a confiabilidade de IAGs ao fornecer informações sobre critérios de doação de sangue para leigos que utilizam as plataformas como fonte inicial de informação. Foram elaboradas 30 questões sobre critérios para doação de sangue, divididas em 3 pilares: Critérios Básicos, Inaptidão Temporária e Inaptidão Definitiva, com base nas Portarias 158/2016 e de Consolidação n° 05/2017. Posteriormente, foram aplicadas às 5 IAGs mais utilizadas: Gemini, ChatGPT, Perplexity, Copilot e Claude. As respostas foram analisadas e classificadas em: Corretas (totalmente alinhadas com a legislação), Incompletas (parcialmente corretas, com ausência de detalhes importantes), Incompatíveis com a Legislação (em desacordo com as normas), Incorretas (informações equivocadas) e Divergente Justificada (mais restritivo com justificativa plausível, mas divergente da legislação). A coleta de dados foi realizada entre junho e julho de 2025. No Pilar 1, todas as respostas sobre peso, jejum, pressão arterial, tempo entre doações, número de doações ao ano e anemia foram consideradas corretas.Dados sobre a idade mínima foram incompletos em 60%. Informações sobre pressão arterial estavam incompletas em 40% dos casos e divergentes em 60%. No Pilar 2, todas as respostas sobre vacina, amamentação, gravidez, uso de antibióticos e procedimentos dentários foram corretas. Orientações sobre dengue e viagens estavam incompletas em até 80% dos casos. Respostas sobre quadro febril apresentaram 80% de divergência justificada e sobre piercing foram 60% incorretas. No Pilar 3, orientações sobre HIV, hepatite, doença de Chagas e uso de drogas injetáveis estavam corretas. Orientações sobre sífilis e histórico de câncer apresentaram até 40% de incompatibilidade com a legislação. No Pilar 1, as IAGs foram precisas ao orientar critérios básicos, mas falharam ao omitir detalhes sobre a idade mínima e apresentar divergências nas faixas de pressão arterial, o que pode reduzir o engajamento de jovens ou hipertensos controlados na doação de sangue. No Pilar 2, embora a maioria das respostas estivesse correta, houve lacunas importantes nas informações sobre dengue, viagens, febre e piercing. A omissão de dados pode postergar a doação de candidatos aptos, deslocamento desnecessário de candidatos temporariamente inaptos, ou reforçar tabus. No Pilar 3, as IAGs acertaram em temas cruciais como HIV e hepatite. Porém, respostas sobre sífilis e câncer, indicaram que a doação é permitida após a resolução do quadro, o que pode levar ao deslocamento de candidatos sabidamente inaptos e frustração. Em termos gerais, 71% das respostas estavam corretas, 15% foram incompletas, 5% tiveram divergências justificáveis, e 6% estavam incompatíveis com a legislação e 2% estavam incorretas. Embora as IAGs ofereçam dados úteis sobre doação de sangue como fonte inicial de informação, ainda carecem de precisão e conformidade com a legislação. Portanto, seu uso deve ser criterioso e sempre complementado por fontes oficiais.
Authors
- Pedro Luís da Costa Aguiar Alves (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2348-2121)
- Elvis López Bravo (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2285-3413)
Institutions
- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (BR)
- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105725
- Primary Topic
- Blood donation and transfusion practices
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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