PERFIL CLÍNICO E RESULTADOS PRELIMINARES DO USO DE MOMELOTINIBE EM PACIENTES COM MIELOFIBROSE NA UNIFESP

A mielofibrose (MF) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada por citopenias, esplenomegalia e sintomas constitucionais, frequentemente associada a mutações em JAK2, CALR ou MPL. O momelotinibe, inibidor de JAK1, JAK2 e ACVR1, apresenta potencial benefício para controle de sintomas, redução da esplenomegalia e melhora da anemia, incluindo diminuição da dependência transfusional. Embora os ensaios clínicos tenham demonstrado benefícios, dados do mundo real, especialmente na América Latina, ainda são limitados. Descrever o perfil clínico e os desfechos iniciais do tratamento com momelotinibe em pacientes com MF de risco intermediário-2 ou alto risco tratados na UNIFESP por meio de um programa de acesso expandido. Estudo prospectivo e observacional realizado no Ambulatório de Neoplasias Mieloproliferativas da UNIFESP. Foram incluídos pacientes com MF de risco intermediário-2 ou alto risco pelo DIPSS-Plus e hemoglobina inferior a 10 g/dL, sem uso prévio de inibidores de JAK2. Todos receberam momelotinibe (200 mg/dia) via programa de acesso expandido da GSK. Foram avaliados dados demográficos, perfil mutacional, resposta hematológica (aumento ≥1 g/dL de hemoglobina e/ou redução da dependência transfusional) e eventos adversos. O acompanhamento médio foi de 4 meses. Foram incluídos 10 pacientes, todos do sexo masculino, com idade média de 76,4 anos (64–86). Oito apresentavam MF primária e dois MF pós-trombocitemia essencial. A mutação JAK2 foi identificada em 60%, CALR em 20% e 20% eram triplo-negativos. Em relação à variação de hemoglobina (Hb), após 4 meses de tratamento, 44% apresentaram aumento igual ou superior a 1 g/dL. Entre os quatro pacientes inicialmente dependentes de transfusão, dois tornaram-se independentes e dois mantiveram dependência, mas com redução na frequência transfusional. Eventos adversos grau 1–2 incluíram tontura (n = 1), diarreia transitória (n = 1) e epigastralgia (n = 1). Dois pacientes apresentaram eventos grau 3 (neutropenia e plaquetopenia), com resolução após redução da dose para 150 mg/dia. Três pacientes foram a óbito durante o seguimento: evolução para leucemia mieloide aguda após quatro meses de tratamento (n = 1), neurocriptococose após 45 dias de tratamento (n = 1) e choque séptico de foco pulmonar após dois meses de tratamento (n = 1). Todos apresentavam comorbidades relevantes. Em cenário de vida real, o momelotinibe demonstrou benefício hematológico precoce, com aumento dos níveis de hemoglobina e redução da carga transfusional em pacientes idosos e de alto risco. O perfil de segurança foi compatível com a literatura, embora eventos graves e óbitos tenham ocorrido em pacientes com doença avançada e comorbidades graves. O seguimento prolongado será necessário para avaliar a durabilidade da resposta e a segurança em longo prazo.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104448
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
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PERFIL CLÍNICO E RESULTADOS PRELIMINARES DO USO DE MOMELOTINIBE EM PACIENTES COM MIELOFIBROSE NA UNIFESP

LC Vassalli, AF Sandes
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

PERFIL CLÍNICO E RESULTADOS PRELIMINARES DO USO DE MOMELOTINIBE EM PACIENTES COM MIELOFIBROSE NA UNIFESP

LC Vassalli, AF Sandes
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Abstract

A mielofibrose (MF) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada por citopenias, esplenomegalia e sintomas constitucionais, frequentemente associada a mutações em JAK2, CALR ou MPL. O momelotinibe, inibidor de JAK1, JAK2 e ACVR1, apresenta potencial benefício para controle de sintomas, redução da esplenomegalia e melhora da anemia, incluindo diminuição da dependência transfusional. Embora os ensaios clínicos tenham demonstrado benefícios, dados do mundo real, especialmente na América Latina, ainda são limitados. Descrever o perfil clínico e os desfechos iniciais do tratamento com momelotinibe em pacientes com MF de risco intermediário-2 ou alto risco tratados na UNIFESP por meio de um programa de acesso expandido. Estudo prospectivo e observacional realizado no Ambulatório de Neoplasias Mieloproliferativas da UNIFESP. Foram incluídos pacientes com MF de risco intermediário-2 ou alto risco pelo DIPSS-Plus e hemoglobina inferior a 10 g/dL, sem uso prévio de inibidores de JAK2. Todos receberam momelotinibe (200 mg/dia) via programa de acesso expandido da GSK. Foram avaliados dados demográficos, perfil mutacional, resposta hematológica (aumento ≥1 g/dL de hemoglobina e/ou redução da dependência transfusional) e eventos adversos. O acompanhamento médio foi de 4 meses. Foram incluídos 10 pacientes, todos do sexo masculino, com idade média de 76,4 anos (64–86). Oito apresentavam MF primária e dois MF pós-trombocitemia essencial. A mutação JAK2 foi identificada em 60%, CALR em 20% e 20% eram triplo-negativos. Em relação à variação de hemoglobina (Hb), após 4 meses de tratamento, 44% apresentaram aumento igual ou superior a 1 g/dL. Entre os quatro pacientes inicialmente dependentes de transfusão, dois tornaram-se independentes e dois mantiveram dependência, mas com redução na frequência transfusional. Eventos adversos grau 1–2 incluíram tontura (n = 1), diarreia transitória (n = 1) e epigastralgia (n = 1). Dois pacientes apresentaram eventos grau 3 (neutropenia e plaquetopenia), com resolução após redução da dose para 150 mg/dia. Três pacientes foram a óbito durante o seguimento: evolução para leucemia mieloide aguda após quatro meses de tratamento (n = 1), neurocriptococose após 45 dias de tratamento (n = 1) e choque séptico de foco pulmonar após dois meses de tratamento (n = 1). Todos apresentavam comorbidades relevantes. Em cenário de vida real, o momelotinibe demonstrou benefício hematológico precoce, com aumento dos níveis de hemoglobina e redução da carga transfusional em pacientes idosos e de alto risco. O perfil de segurança foi compatível com a literatura, embora eventos graves e óbitos tenham ocorrido em pacientes com doença avançada e comorbidades graves. O seguimento prolongado será necessário para avaliar a durabilidade da resposta e a segurança em longo prazo.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de São Paulo (BR)
Openalex Percentile: Top 57%
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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