ANÁLISE DE SOBREVIDA DE PACIENTES COM TROMBOCITEMIA ESSENCIAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
Trombocitemia essencial (TE) é uma doença mieloproliferativa crônica (DMPC) de plaquetose clonal. 1 Trata-se de um diagnóstico de exclusão. Sua clínica corresponde a hemorragias, tromboses e alterações vasomotoras. 1 Em pequena porcentagem de pacientes, pode evoluir em leucemia ou mielofibrose pós- TE¹. Apesar de ser a DMPC BCR::ABL1 negativa de melhor prognóstico, 1 a análise da sobrevida ainda é essencial para decisões clínicas e políticas públicas. Estimar a sobrevida de pacientes com trombocitemia essencial no Estado de São Paulo. Este estudo descritivo usou dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Estado de São Paulo, coordenado pela FOSP, com dados públicos e anonimizados, dispensando aprovação ética. Foram incluídos pacientes residentes no Estado de São Paulo com diagnóstico de trombocitemia essencial entre 2000 e 2024, garantindo amostra e tempo adequados para análise. A sobrevida foi calculada do diagnóstico até a última informação disponível, considerando óbito como evento. A análise foi realizada no RStudio utilizando curvas de Kaplan-Meier para estimar a sobrevida geral e estratificada por sexo e faixa etária. A amostra contém 986 pacientes diagnosticados com TE acompanhados por 15 anos. A probabilidade geral de sobrevida no tempo inicial era de 100% (IC95%: 100-100), com uma leve queda para 98,59% (IC95%: 97,59-99,18) no primeiro ano, seguindo um declínio gradual para 92,64 (IC95%: 90,49-94,31) em 5 anos, 85,77% (IC95%: 82,45-88,50) em 10 anos, até 80,32% (IC95%: 75,03-84,60) ao final do período. Analisando por sexo, ambos mantêm uma tendência semelhante, com o masculino terminando em 78,93% (IC95%: 72,51-85,92) e o feminino, em 81,11% (IC95%: 75,03-87,68). Por faixas etárias, o grupo de 0- 19 anos apresentou a maior sobrevida, mantendo-se em 100% (IC95%: 100-100) até o final. Já o grupo com 60 anos ou mais teve a menor sobrevida, começando em 100% (IC95%: 100-100), em 98,13% (IC95%: 96,99-99,29) no primeiro ano e em 66,88% (IC95%: 57,48-77,82) ao final. Considerando o período de 15 anos analisado, a taxa de sobrevida global estimada foi de 80,32%. Pacientes do sexo feminino apresentaram leve vantagem (81,11%) em relação aos homens (78,93%). Os estratos por faixa etária também se mostraram relevantes: enquanto o grupo de 0 a 19 anos manteve 100% de sobrevida, o grupo de 60 anos ou mais teve apenas 66,88% ao final. Tais achados demonstram a necessidade do fomento de políticas públicas para melhor entendimento da dinâmica de evolução hospitalar da TE, abrindo margem para um melhor gerenciamento de recursos e ações mais eficazes no controle e tratamento da doença.
Authors
- Víctor Hugo Bastos (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7425-4730)
- Nobuo Hayashi (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2703-330X)
- LN Melo
- Maria de Jesus da Silva Ribeiro (ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7479-7221)
- Bárbara Fernanda Figueiredo dos Santos (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4491-5504)
- HM Teano
- AdOG Golineli
- MDdST Pincinato
Institutions
- Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104395
- Primary Topic
- Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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