MORTALIDADE POR MICROANGIOPATIAS TROMBÓTICAS GRAVES NO BRASIL, DE 2020 A 2024: UMA ANÁLISE DE DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE

As Microangiopatias Trombóticas (MATs) referem-se a um grupo de doenças raras e graves, caracterizadas pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão isquêmica de órgãos-alvo, decorrentes da oclusão microvascular por trombos ricos em plaquetas. Embora devastadoras, a epidemiologia da mortalidade por MATs no Brasil é pouco explorada, representando um impacto para a saúde da população. Analisar as características epidemiológicas da mortalidade por MATs no Brasil de 2020 a 2024. O estudo objetiva identificar padrões de mortalidade por região, sexo e idade, a fim de gerar dados que possam subsidiar políticas de diagnóstico e tratamento. Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários de mortalidade do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT) do Brasil, no período de 2020 a 2024. Foram analisados todos os óbitos registrados cuja causa básica foi codificada como MAT (CID-10: M31.1). As variáveis estudadas foram região geográfica, sexo e faixa etária. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Além disso, foram incluídos 7 artigos nos últimos 15 anos, nos idiomas português e inglês, utilizando os descritores DeCS “microangiopatias trombóticas”, “trombocitopenias” e “Brasil” para embasamento teórico. Durante o período analisado, registraram-se 301 óbitos por MATs no Brasil, segundo dados do DAENT. A região Sudeste concentrou o maior percentual de óbitos (41,86%; n = 126), em contraste com a região Norte, que apresentou o menor (5,64%; n = 17). Observou-se predomínio de óbitos no sexo feminino, correspondendo a 66,77% (n = 201) do total. A faixa etária de 70 a 79 anos apresentou a maior mortalidade proporcional (17,27%; n = 52), enquanto a menor foi observada em menores de 1 ano (0,33%; n = 1) As MATs, como a Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), são condições graves caracterizadas por eventos isquêmicos microvasculares. O predomínio de óbitos no sexo feminino (66,77%) reflete a maior frequência de formas adquiridas da PTT nesse grupo, uma das principais MATs fatais em mulheres. A vulnerabilidade aumentada em idosos pode estar associada à presença de comorbidades e a uma menor reserva fisiológica para suportar as lesões de múltiplos órgãos. A concentração de casos na região Sudeste pode refletir tanto maior capacidade diagnóstica quanto maior exposição ou densidade populacional, enquanto a baixa incidência na região Norte sugere possível subnotificação ou barreiras no acesso ao cuidado especializado. A limitação no diagnóstico precoce, em especial pela baixa disponibilidade da dosagem de ADAMTS13 e de exames do sistema complemento, apresenta-se como um desafio no país. A mortalidade por MATs no Brasil entre 2020 e 2024 demonstrou um perfil epidemiológico definido, com maior carga de óbitos na região Sudeste e uma vulnerabilidade acentuada em mulheres e idosos.Esses achados, possivelmente associados ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso, reforçam a necessidade urgente de políticas de saúde direcionadas.Recomenda-se a expansão de centros especializados, a otimização do acesso à plasmaférese terapêutica e a capacitação de equipes para o reconhecimento precoce das manifestações clínicas e laboratoriais, visando à redução da mortalidade associada a estas condições devastadoras.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105431
Primary Topic
Iron Metabolism and Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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MORTALIDADE POR MICROANGIOPATIAS TROMBÓTICAS GRAVES NO BRASIL, DE 2020 A 2024: UMA ANÁLISE DE DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE

G. de S. Silva, M. S. B. de Moura, MPP Oliveira, APM Paiva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Iron Metabolism and Disorders
article

MORTALIDADE POR MICROANGIOPATIAS TROMBÓTICAS GRAVES NO BRASIL, DE 2020 A 2024: UMA ANÁLISE DE DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE

G. de S. Silva, M. S. B. de Moura, MPP Oliveira, APM Paiva, ATO Raab, Ana Catarina Sousa, AB Mingati, NV Gimenes, LS Oliveira, LdS Gorjão
article en

Abstract

As Microangiopatias Trombóticas (MATs) referem-se a um grupo de doenças raras e graves, caracterizadas pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão isquêmica de órgãos-alvo, decorrentes da oclusão microvascular por trombos ricos em plaquetas. Embora devastadoras, a epidemiologia da mortalidade por MATs no Brasil é pouco explorada, representando um impacto para a saúde da população. Analisar as características epidemiológicas da mortalidade por MATs no Brasil de 2020 a 2024. O estudo objetiva identificar padrões de mortalidade por região, sexo e idade, a fim de gerar dados que possam subsidiar políticas de diagnóstico e tratamento. Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários de mortalidade do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENT) do Brasil, no período de 2020 a 2024. Foram analisados todos os óbitos registrados cuja causa básica foi codificada como MAT (CID-10: M31.1). As variáveis estudadas foram região geográfica, sexo e faixa etária. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Além disso, foram incluídos 7 artigos nos últimos 15 anos, nos idiomas português e inglês, utilizando os descritores DeCS “microangiopatias trombóticas”, “trombocitopenias” e “Brasil” para embasamento teórico. Durante o período analisado, registraram-se 301 óbitos por MATs no Brasil, segundo dados do DAENT. A região Sudeste concentrou o maior percentual de óbitos (41,86%; n = 126), em contraste com a região Norte, que apresentou o menor (5,64%; n = 17). Observou-se predomínio de óbitos no sexo feminino, correspondendo a 66,77% (n = 201) do total. A faixa etária de 70 a 79 anos apresentou a maior mortalidade proporcional (17,27%; n = 52), enquanto a menor foi observada em menores de 1 ano (0,33%; n = 1) As MATs, como a Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU), são condições graves caracterizadas por eventos isquêmicos microvasculares. O predomínio de óbitos no sexo feminino (66,77%) reflete a maior frequência de formas adquiridas da PTT nesse grupo, uma das principais MATs fatais em mulheres. A vulnerabilidade aumentada em idosos pode estar associada à presença de comorbidades e a uma menor reserva fisiológica para suportar as lesões de múltiplos órgãos. A concentração de casos na região Sudeste pode refletir tanto maior capacidade diagnóstica quanto maior exposição ou densidade populacional, enquanto a baixa incidência na região Norte sugere possível subnotificação ou barreiras no acesso ao cuidado especializado. A limitação no diagnóstico precoce, em especial pela baixa disponibilidade da dosagem de ADAMTS13 e de exames do sistema complemento, apresenta-se como um desafio no país. A mortalidade por MATs no Brasil entre 2020 e 2024 demonstrou um perfil epidemiológico definido, com maior carga de óbitos na região Sudeste e uma vulnerabilidade acentuada em mulheres e idosos.Esses achados, possivelmente associados ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso, reforçam a necessidade urgente de políticas de saúde direcionadas.Recomenda-se a expansão de centros especializados, a otimização do acesso à plasmaférese terapêutica e a capacitação de equipes para o reconhecimento precoce das manifestações clínicas e laboratoriais, visando à redução da mortalidade associada a estas condições devastadoras.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Católica de Brasília (BR), Governo do Distrito Federal (BR), Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (BR), Escola Nacional de Saúde Pública (BR), Escola Superior de Ciências da Saúde (BR)
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Iron Metabolism and Disorders
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