OBESIDADE COMO FATOR PROGNÓSTICO NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA EM PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO

A composição corporal influencia os desfechos clínicos em diversos cânceres, mas, na onco-hematologia, a relação entre mieloma múltiplo, obesidade e os resultados do TCTH ainda é pouco compreendida. No condicionamento, quimioterápicos como o melfalano podem ter sua farmacocinética afetada pelo excesso de tecido adiposo. Analisar a associação entre obesidade e desfechos clínicos em pacientes com mieloma múltiplo submetidos ao TCTH autólogo. Realizou-se revisão bibliográfica nas bases SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e PubMed, com os descritores: Obesidade, Transplante de Medula Óssea, Mieloma Múltiplo, Composição Corporal e Prognóstico, combinados com o operador booleano “AND”. Incluíram-se estudos de 2005 a 2025, em inglês, com pacientes adultos com mieloma múltiplo submetidos a TCTH, avaliando obesidade ou composição corporal e desfechos como mortalidade, tempo de internação, complicações infecciosas, nutricionais e tempo de recuperação hematológica. Foram incluídos 5 artigos, totalizando 2.543 pacientes da América do Norte e Europa, com idade média de 58 anos (± 2,20), sendo aproximadamente 58% homens. O índice de massa corporal (IMC) médio foi de 35,7 kg/m 2 (± 8,35), e 79% da amostra apresentava obesidade. Um dos estudos não forneceu dados completos sobre o IMC, e outro, com a maior amostra da revisão, incluiu apenas pacientes obesos, o que pode gerar viés. A maioria dos estudos utilizou o IMC como parâmetro, porém alguns adotaram tomografia computadorizada (TC) de corpo total ou cortes de L1/L3, que oferecem maior precisão na análise de gordura e massa muscular. A variação metodológica constitui uma limitação importante, pois o IMC não distingue massa magra de gorda. A obesidade isolada não mostrou impacto negativo consistente na sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP), IMC elevado associado a menor SG em apenas um estudo. Sarcopenia, obesidade sarcopênica e gordura visceral associaram-se a piores desfechos. A obesidade, avaliada apenas pelo IMC, não foi um fator prognóstico negativo em pacientes com mieloma múltiplo submetidos ao TCTH. Já a sarcopenia, obesidade sarcopênica e gordura visceral associam-se a piores desfechos, ressaltando a importância de avaliações corporais mais precisas e condutas individualizadas

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104851
Primary Topic
Multiple Myeloma Research and Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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article

OBESIDADE COMO FATOR PROGNÓSTICO NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA EM PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO

Riane Laísa Rosa Silva, T. Oliveira, L. A. Magalhães
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Multiple Myeloma Research and Treatments
article

OBESIDADE COMO FATOR PROGNÓSTICO NO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA EM PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO

Riane Laísa Rosa Silva, T. Oliveira, L. A. Magalhães
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Abstract

A composição corporal influencia os desfechos clínicos em diversos cânceres, mas, na onco-hematologia, a relação entre mieloma múltiplo, obesidade e os resultados do TCTH ainda é pouco compreendida. No condicionamento, quimioterápicos como o melfalano podem ter sua farmacocinética afetada pelo excesso de tecido adiposo. Analisar a associação entre obesidade e desfechos clínicos em pacientes com mieloma múltiplo submetidos ao TCTH autólogo. Realizou-se revisão bibliográfica nas bases SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e PubMed, com os descritores: Obesidade, Transplante de Medula Óssea, Mieloma Múltiplo, Composição Corporal e Prognóstico, combinados com o operador booleano “AND”. Incluíram-se estudos de 2005 a 2025, em inglês, com pacientes adultos com mieloma múltiplo submetidos a TCTH, avaliando obesidade ou composição corporal e desfechos como mortalidade, tempo de internação, complicações infecciosas, nutricionais e tempo de recuperação hematológica. Foram incluídos 5 artigos, totalizando 2.543 pacientes da América do Norte e Europa, com idade média de 58 anos (± 2,20), sendo aproximadamente 58% homens. O índice de massa corporal (IMC) médio foi de 35,7 kg/m 2 (± 8,35), e 79% da amostra apresentava obesidade. Um dos estudos não forneceu dados completos sobre o IMC, e outro, com a maior amostra da revisão, incluiu apenas pacientes obesos, o que pode gerar viés. A maioria dos estudos utilizou o IMC como parâmetro, porém alguns adotaram tomografia computadorizada (TC) de corpo total ou cortes de L1/L3, que oferecem maior precisão na análise de gordura e massa muscular. A variação metodológica constitui uma limitação importante, pois o IMC não distingue massa magra de gorda. A obesidade isolada não mostrou impacto negativo consistente na sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP), IMC elevado associado a menor SG em apenas um estudo. Sarcopenia, obesidade sarcopênica e gordura visceral associaram-se a piores desfechos. A obesidade, avaliada apenas pelo IMC, não foi um fator prognóstico negativo em pacientes com mieloma múltiplo submetidos ao TCTH. Já a sarcopenia, obesidade sarcopênica e gordura visceral associam-se a piores desfechos, ressaltando a importância de avaliações corporais mais precisas e condutas individualizadas

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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