ANÁLISE DESCRITIVA DAS SOLICITAÇÕES DO USO DO EQUIPAMENTO DE RECUPERAÇÃO INTRAOPERATÓRIA PARA AUTOTRANSFUSÃO EM TRANSPLANTE HEPÁTICO INTERVIVOS NO HCPA

O transplante hepático intervivos é um procedimento realizado no HCPA e configura-se como uma alternativa ao transplante com doador falecido, não havendo necessidade de aguardar na fila de transplantes. Nele, uma parte do fígado de um doador vivo é transplantada para um paciente com doença hepática. Devido à complexidade e ao elevado potencial de sangramento desses procedimentos, é frequente o uso da recuperação intraoperatória (RI) para autotransfusão. Essa técnica visa reduzir a necessidade de transfusão alogênica de concentrados de hemácias, minimizando a exposição a antígenos eritrocitários e leucocitários, além de contribuir para a otimização dos estoques do banco de sangue. O objetivo deste estudo é analisar o número de cirurgias desse perfil, bem como o tipo sanguíneo, sexo, idade, duração dos procedimentos, volume de sangramento e volume reinfundido para doadores e receptores nos casos em que foi utilizado o equipamento de RI para autotransfusão. Foi realizado um estudo retrospectivo referente ao período de janeiro de 2020 a abril de 2025, a partir dos registros de solicitação do uso do equipamento de RI para autotransfusão armazenados no banco de dados do serviço de hemoterapia. As solicitações foram organizadas em uma planilha específica contendo as informações clínicas e cirúrgicas dos pacientes envolvidos. No período analisado, foram registrados 55 transplantes hepáticos intervivos, totalizando 105 procedimentos com uso de RI, considerando os 50 doadores envolvidos. O grupo sanguíneo mais prevalente foi o O positivo (44%), tanto entre doadores quanto entre receptores. Entre os doadores, predominou o sexo masculino (74%), entre os receptores, o feminino (53%). A idade média dos doadores foi de 30 anos ± 8,1 (máx: 49 anos, min: 17 anos), enquanto a dos receptores foi de 2 anos ± 3,1 (máx: 15 anos, min: 04 meses). A duração média da hepatectomia nos doadores foi de 7h02min (máx: 10h05min, min: 04h15min) e o tempo médio do transplante nos receptores foi de 9h26min (máx: 15h30min, min: 06h05min). O volume médio de sangramento foi de 266 mL ± 292 (máx: 1431 mL, min: 0 mL) nos doadores e 528 mL ± 479 (máx: 1790 mL, min: 0 mL) nos receptores. Já os volumes médios de reinfusão foram de 147 mL ±161 (máx: 559 ml, min: 0 ml) e 189 mL ± 191 (máx: 761 ml, min: 0 ml), respectivamente. A utilização da RI para autotransfusão demonstra ser uma estratégia fundamental no transoperatório, ao reduzir a exposição dos pacientes ao sangue alogênico e prevenir reações transfusionais, além de diminuir a chance de uso do sangue estocado. Os dados evidenciam que o HCPA é referência nacional no transplante hepático intervivos, atendendo pacientes de diferentes regiões do país. O número significativo desses procedimentos realizados neste hospital parece ser uma alternativa na indisponibilidade de órgão de doador cadáver.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105842
Primary Topic
Organ Transplantation Techniques and Outcomes
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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ANÁLISE DESCRITIVA DAS SOLICITAÇÕES DO USO DO EQUIPAMENTO DE RECUPERAÇÃO INTRAOPERATÓRIA PARA AUTOTRANSFUSÃO EM TRANSPLANTE HEPÁTICO INTERVIVOS NO HCPA

PT Barreto, L Sekine, Klaus Kleber, IC Freitas et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Organ Transplantation Techniques and Outcomes
article

ANÁLISE DESCRITIVA DAS SOLICITAÇÕES DO USO DO EQUIPAMENTO DE RECUPERAÇÃO INTRAOPERATÓRIA PARA AUTOTRANSFUSÃO EM TRANSPLANTE HEPÁTICO INTERVIVOS NO HCPA

PT Barreto, L Sekine, Klaus Kleber, IC Freitas, KL Cruz, CB da Rosa, TSF de Souza, TA Polo, RC Breunig
article en

Abstract

O transplante hepático intervivos é um procedimento realizado no HCPA e configura-se como uma alternativa ao transplante com doador falecido, não havendo necessidade de aguardar na fila de transplantes. Nele, uma parte do fígado de um doador vivo é transplantada para um paciente com doença hepática. Devido à complexidade e ao elevado potencial de sangramento desses procedimentos, é frequente o uso da recuperação intraoperatória (RI) para autotransfusão. Essa técnica visa reduzir a necessidade de transfusão alogênica de concentrados de hemácias, minimizando a exposição a antígenos eritrocitários e leucocitários, além de contribuir para a otimização dos estoques do banco de sangue. O objetivo deste estudo é analisar o número de cirurgias desse perfil, bem como o tipo sanguíneo, sexo, idade, duração dos procedimentos, volume de sangramento e volume reinfundido para doadores e receptores nos casos em que foi utilizado o equipamento de RI para autotransfusão. Foi realizado um estudo retrospectivo referente ao período de janeiro de 2020 a abril de 2025, a partir dos registros de solicitação do uso do equipamento de RI para autotransfusão armazenados no banco de dados do serviço de hemoterapia. As solicitações foram organizadas em uma planilha específica contendo as informações clínicas e cirúrgicas dos pacientes envolvidos. No período analisado, foram registrados 55 transplantes hepáticos intervivos, totalizando 105 procedimentos com uso de RI, considerando os 50 doadores envolvidos. O grupo sanguíneo mais prevalente foi o O positivo (44%), tanto entre doadores quanto entre receptores. Entre os doadores, predominou o sexo masculino (74%), entre os receptores, o feminino (53%). A idade média dos doadores foi de 30 anos ± 8,1 (máx: 49 anos, min: 17 anos), enquanto a dos receptores foi de 2 anos ± 3,1 (máx: 15 anos, min: 04 meses). A duração média da hepatectomia nos doadores foi de 7h02min (máx: 10h05min, min: 04h15min) e o tempo médio do transplante nos receptores foi de 9h26min (máx: 15h30min, min: 06h05min). O volume médio de sangramento foi de 266 mL ± 292 (máx: 1431 mL, min: 0 mL) nos doadores e 528 mL ± 479 (máx: 1790 mL, min: 0 mL) nos receptores. Já os volumes médios de reinfusão foram de 147 mL ±161 (máx: 559 ml, min: 0 ml) e 189 mL ± 191 (máx: 761 ml, min: 0 ml), respectivamente. A utilização da RI para autotransfusão demonstra ser uma estratégia fundamental no transoperatório, ao reduzir a exposição dos pacientes ao sangue alogênico e prevenir reações transfusionais, além de diminuir a chance de uso do sangue estocado. Os dados evidenciam que o HCPA é referência nacional no transplante hepático intervivos, atendendo pacientes de diferentes regiões do país. O número significativo desses procedimentos realizados neste hospital parece ser uma alternativa na indisponibilidade de órgão de doador cadáver.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (BR)
Openalex Percentile: Top 51%
Organ Transplantation Techniques and Outcomes
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