AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE MATERIAIS TÉRMICOS SEPARADORES NO TRANSPORTE DE HEMOCOMPONENTES

O transporte de hemocomponentes é um dos pontos críticos de controle no ciclo do sangue, desempenhando um papel essencial na preservação da qualidade dos hemocomponentes e na segurança transfusional. Durante esse processo, o gelo reciclável (gelox) utilizado para manter a temperatura adequada não deve entrar em contato direto com o Concentrado de Hemácias (CH), sendo indispensável o uso de um material isolante que os separe. Na Fundação Hemominas, utiliza-se, de forma padronizada, o papelão furado como material separador. No entanto, sua vida útil limitada e a impossibilidade de higienização adequada incentivam a busca por alternativas. Analisar a eficácia de materiais isolantes térmicos alternativos ao papelão, que atuem como separadores e sejam capazes de manter a temperatura do CH dentro da faixa padronizada durante o transporte. Trata-se de um estudo analítico, transversal, que avaliou, em triplicata, o transporte simulado de CH utilizando materiais isolantes como polietileno, polipropileno e policarbonato alveolar. As simulações foram realizadas em caixas térmicas com capacidade de 15 litros, contendo 3, 6 e 10 unidades de CH, com quantidade de gelo padronizada. A temperatura foi monitorada continuamente por termômetros data loggers ao longo de um período de 24 horas. Nas simulações de transporte de CH avaliadas, o desempenho térmico variou de acordo com o tipo de isolante e a quantidade de unidades transportadas. Quando se utilizou o polietileno como isolante as temperaturas médias e tempos de permanência entre 1° e 10°C foram: 4,9±2,5 e 18,7 horas na caixa com 3 unidades; 5,4±1,5°C e 24 horas na caixa com 6 unidades; 4,4±1,1°C e 24 horas na caixa com 10 unidades. Com o uso do policarbonato alveolar os resultados foram 6,6±1,6°C e 18,3 horas na caixa com 3 unidades; 5,1±1,1°C e 24 horas na caixa com 6 unidades; 5,4±0,8°C e 24 horas na caixa com 10 unidades. Já com o polipropileno foram 5,7±2,1°C e 17,2 horas (caixa com 3 unidades); 3,5±0,9°C e 24 horas (caixa com 6 unidades); 4,0±0,7°C e 24 horas (caixa com 10 unidades). Os resultados encontrados pelos isolantes avaliados se assemelharam aos obtidos pela validação interna de transporte simulado de hemcomponentes utilizando o papelão como isolante. Além disso, os tempos de permanência na faixa de 1° a 10°C ‒ intervalo legalmente exigido para o transporte de CH ‒ em todas as simulações realizadas, foram superiores aos tempos médios observados nos transportes rotineiramente realizados, como entre a unidade de Montes Claros e o Hemocentro Central (7,5 horas) e para os clientes mais distantes, como as Agências Transfusionais de Montalvânia (7,8 horas), São João do Paraíso (5,5 horas), Espinosa (6 horas) e Urucuia (8 horas). Ressalta-se ainda que, nas simulações com 6 e 10 unidades, utilizando todos os isolantes avaliados, o tempo de permanência na faixa ideal de transporte alcançou o limite máximo permitido de 24 horas; e com ajustes na quantidade gelo esse resultado também poderá ser obtido no transporte de 3 unidades. Com base nos resultados obtidos, todos os isolantes avaliados mostraram-se alternativas viáveis ao uso do papelão no transporte de concentrado de hemácias. Além disso, apresentam vantagens como a reutilização, que contribui para a redução de custos, e a facilidade de higienização. Apoio Financeiro: FAPEMIG ‒ Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106060
Primary Topic
Trauma, Hemostasis, Coagulopathy, Resuscitation
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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article

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE MATERIAIS TÉRMICOS SEPARADORES NO TRANSPORTE DE HEMOCOMPONENTES

Jean Gomes, KM Aguiar, M. B. dos Santos Júnior, J Morais et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Trauma, Hemostasis, Coagulopathy, Resuscitation
article

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DE MATERIAIS TÉRMICOS SEPARADORES NO TRANSPORTE DE HEMOCOMPONENTES

Jean Gomes, KM Aguiar, M. B. dos Santos Júnior, J Morais, Leonardo Teles, C. M. SILVA, EA Guimarães Bezerra
article en

Abstract

O transporte de hemocomponentes é um dos pontos críticos de controle no ciclo do sangue, desempenhando um papel essencial na preservação da qualidade dos hemocomponentes e na segurança transfusional. Durante esse processo, o gelo reciclável (gelox) utilizado para manter a temperatura adequada não deve entrar em contato direto com o Concentrado de Hemácias (CH), sendo indispensável o uso de um material isolante que os separe. Na Fundação Hemominas, utiliza-se, de forma padronizada, o papelão furado como material separador. No entanto, sua vida útil limitada e a impossibilidade de higienização adequada incentivam a busca por alternativas. Analisar a eficácia de materiais isolantes térmicos alternativos ao papelão, que atuem como separadores e sejam capazes de manter a temperatura do CH dentro da faixa padronizada durante o transporte. Trata-se de um estudo analítico, transversal, que avaliou, em triplicata, o transporte simulado de CH utilizando materiais isolantes como polietileno, polipropileno e policarbonato alveolar. As simulações foram realizadas em caixas térmicas com capacidade de 15 litros, contendo 3, 6 e 10 unidades de CH, com quantidade de gelo padronizada. A temperatura foi monitorada continuamente por termômetros data loggers ao longo de um período de 24 horas. Nas simulações de transporte de CH avaliadas, o desempenho térmico variou de acordo com o tipo de isolante e a quantidade de unidades transportadas. Quando se utilizou o polietileno como isolante as temperaturas médias e tempos de permanência entre 1° e 10°C foram: 4,9±2,5 e 18,7 horas na caixa com 3 unidades; 5,4±1,5°C e 24 horas na caixa com 6 unidades; 4,4±1,1°C e 24 horas na caixa com 10 unidades. Com o uso do policarbonato alveolar os resultados foram 6,6±1,6°C e 18,3 horas na caixa com 3 unidades; 5,1±1,1°C e 24 horas na caixa com 6 unidades; 5,4±0,8°C e 24 horas na caixa com 10 unidades. Já com o polipropileno foram 5,7±2,1°C e 17,2 horas (caixa com 3 unidades); 3,5±0,9°C e 24 horas (caixa com 6 unidades); 4,0±0,7°C e 24 horas (caixa com 10 unidades). Os resultados encontrados pelos isolantes avaliados se assemelharam aos obtidos pela validação interna de transporte simulado de hemcomponentes utilizando o papelão como isolante. Além disso, os tempos de permanência na faixa de 1° a 10°C ‒ intervalo legalmente exigido para o transporte de CH ‒ em todas as simulações realizadas, foram superiores aos tempos médios observados nos transportes rotineiramente realizados, como entre a unidade de Montes Claros e o Hemocentro Central (7,5 horas) e para os clientes mais distantes, como as Agências Transfusionais de Montalvânia (7,8 horas), São João do Paraíso (5,5 horas), Espinosa (6 horas) e Urucuia (8 horas). Ressalta-se ainda que, nas simulações com 6 e 10 unidades, utilizando todos os isolantes avaliados, o tempo de permanência na faixa ideal de transporte alcançou o limite máximo permitido de 24 horas; e com ajustes na quantidade gelo esse resultado também poderá ser obtido no transporte de 3 unidades. Com base nos resultados obtidos, todos os isolantes avaliados mostraram-se alternativas viáveis ao uso do papelão no transporte de concentrado de hemácias. Além disso, apresentam vantagens como a reutilização, que contribui para a redução de custos, e a facilidade de higienização. Apoio Financeiro: FAPEMIG ‒ Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR), Universidade Estadual de Montes Claros (BR)
Openalex Percentile: Top 64%
Trauma, Hemostasis, Coagulopathy, Resuscitation
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