USO DO BORTEZOMIBE EM PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO ELEGÍVEIS AO TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS
O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia progressiva originada da proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea, alterando a hematopoiese. Essa condição leva a anemia, lesões ósseas líticas, insuficiência renal e sintomas como dor óssea, fraturas, fadiga, dispneia e palidez. A estratégia de tratamento é determinada pela elegibilidade do paciente para o Transplante Autólogo de Células Tronco Hematológicas (TACTH). Em 2022, o SUS disponibilizou o uso do Bortezomibe, um inibidor do proteassoma, para o tratamento de pacientes elegíveis ao TACTH, com destaque para o esquema VTD (Bortezomibe, Talidomida e Dexametasona). Analisar as características clínicas, laboratoriais, respostas terapêuticas e eventos adversos dos pacientes com MM elegíveis ao TACTH do ambulatório de hematologia de um hospital do SUS. Estudo transversal e retrospectivo baseado na análise dos prontuários de pacientes com MM submetidos ao TACTH após uso do Bortezomibe. O estudo abrangeu 31 pacientes entre 42 e 76 anos (média 60,1 anos; mediana 61 anos), sendo 74% homens e 23% mulheres. As comorbidades mais frequentes são Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (31%), histórico de tabagismo (21%), Diabetes Mellitus (DM) (19%), histórico de etilismo (11%) e neoplasias malignas (11%). Os sintomas mais relatados no diagnóstico foram lombalgia (67,7%), perda ponderal (38,7%), astenia (38,7%), dor em membros inferiores (MMII) (22,6%) e parestesia e paresia em MMII (16,7%). Na avaliação laboratorial antes e após o TACTH, a Hb média variou de 11,34 para 13 g/dL; plaquetas de 231067 para 198161/mm3; creatinina de 1,07 para 1,14 mg/dL; beta2-microglobulina (B2M) de 4639 para 2938,26 ng/mL e cálcio iônico (Cai) de 1,51 para 1,21 mEq/L. Pelo estadiamento ISS (International Staging System), 21,4% foram classificados como ISS I, 32,1% como ISS II e 46,4% como ISS III. 22 pacientes foram tratados com VTD, 10 com VCD, 4 com CTD antes da implementação do Bortezomibe e 4 apresentaram recidiva após o TACTH. O tempo médio entre o diagnóstico e o TACTH foi de 12,9 meses e após isso, 67,7% não apresentaram proteína monoclonal na imunofixação, obtendo uma resposta completa. O tempo médio de seguimento foi de 38,5 meses, com apenas 1 (3,2%) óbito durante este seguimento (23 meses de sobrevida). A faixa etária e a predominância masculina seguem o perfil epidemiológico da literatura. A HAS e a DM são condições prevalentes para essa média de idade e os sintomas inespecíficos mostram a apresentação clínica insidiosa do MM, levando a um diagnóstico tardio. O aumento de Hb após o TACTH indica uma recuperação da função hematopoiética e a redução de B2M e Cai mostram uma boa resposta terapêutica. Houve uma discreta redução nas plaquetas e elevação da creatinina, possivelmente pela toxicidade da quimioterapia. A prevalência do ISS III sugere uma doença avançada, mas o predomínio da ausência de proteína monoclonal mostra uma boa resposta ao TACTH. Logo, os sintomas e as comorbidades do MM reforçam a necessidade da avaliação clínica multidimensional no manejo desses pacientes. A preferência pelo VTD e VCD está alinhada com as diretrizes terapêuticas atuais, no SUS, dada a eficácia do Bortezomibe. O TACTH é uma estratégia central no tratamento do MM, com impacto positivo na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes.
Authors
- João Artur de Souza (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7133-8944)
- JR Assis
- M. Luisa Vargas Pérez
- Suzana Beatriz Veríssimo de Mello (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7041-6157)
- MA Gonçalves
- AFC Vecina
- MG Cliquet
- GF Sanches
- GPM Franco
- ML Fornazari
Institutions
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104871
- Primary Topic
- Multiple Myeloma Research and Treatments
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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