INCIDÊNCIA DE ANTICORPOS IRREGULARES MATERNOS NÃO-RHD EM RECÉM-NASCIDOS E A CORRELAÇÃO COM DESENVOLVIMENTO DE DOENÇA HEMOLÍTICA – EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO EM TRÊS REGIÕES BRASILEIRAS

A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHPN) é uma condição rara causada pela passagem transplacentária de anticorpos maternos contra antígenos eritrocitários fetais, levando à hemólise e anemia fetal. Em casos graves, pode evoluir para hidropisia fetal e óbito intrauterino. A profilaxia com imunoglobulina anti-D reduziu significativamente os casos por isoimunização Rh. No entanto, anticorpos irregulares não-RhD (como anti-Kell, anti-c e anti-E) continuam sendo relevantes. Avanços laboratoriais têm permitido a detecção precoce desses anticorpos, favorecendo intervenções diagnósticas e terapêuticas mais eficazes. Verificar a incidência de anticorpos maternos não RHD, nas amostras de RN com Coombs direto positivo, correlacionando com a ocorrência de DHPN e necessidade de suporte transfusional. No período de junho de 2025 a junho de 2026, nosso serviço, atuando nas regiões Nordeste, Distrito Federal e Rio de Janeiro, recebeu um total de 13.664 amostras de recém- nascidos (RN) para a realização de testes imuno-hematológicos (ABO/RH, TAD e fenotipagem RH/K. A triagem foi direcionada à identificação precoce de aloanticorpos maternos clinicamente significativos, que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da (DHPN), e assim avaliar a necessidade de suporte transfusional neonatal nos casos confirmados. Do total 13.664 amostras, 738 (5,4%) apresentaram TAD+, sugerindo possível sensibilização eritrocitária fetal. Foi realizada pesquisa de anticorpos irregulares no soro do Eluato, dessas amostras, em 12 casos (1,6% dos TAD positivos; 0,088% do total de amostras) foram identificados aloanticorpos maternos não RhD: (Anti-c (5); Anti-Jka (2); Anti-C (2); Anti-S (2); Anti-E (1). Três recém-nascidos (25%) tiveram diagnóstico confirmado para DHPN, em dois desses casos, foi necessária transfusão de concentrado de hemácias e, em um, foi realizada exsanguíneotransfusão com reposição de sangue total. Os anticorpos envolvidos nos casos clínicos foram: anti-c (n=2) e anti-C (n=1), quanto à distribuição regional, 2 ocorreram no Rio de Janeiro e 1 no Distrito Federal. O desfecho clínico foi favorável, sem relato de óbito ou sequelas permanentes. A aloimunização por anticorpos não RhD durante a gestação é menos comum do que a isoimunização RhD, com frequência variando entre 0,15% e 1%. No presente estudo, 738 (5,4%) apresentaram TAD positivo, e 12 (1,6% dos TAD+) tinham aloanticorpos não RhD, predominando o anti-c, a taxa de aloanticorpos não RhD observada no presente estudo está alinhada com trabalhos anteriores e ressalta a importância de triagens ampliadas além do RhD. O desfecho clínico favorável em todos os casos reforça a eficácia do diagnóstico precoce, da vigilância neonatal e do suporte transfusional adequado.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105655
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

INCIDÊNCIA DE ANTICORPOS IRREGULARES MATERNOS NÃO-RHD EM RECÉM-NASCIDOS E A CORRELAÇÃO COM DESENVOLVIMENTO DE DOENÇA HEMOLÍTICA – EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO EM TRÊS REGIÕES BRASILEIRAS

M Valvasori, L Peixoto Osorio
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

INCIDÊNCIA DE ANTICORPOS IRREGULARES MATERNOS NÃO-RHD EM RECÉM-NASCIDOS E A CORRELAÇÃO COM DESENVOLVIMENTO DE DOENÇA HEMOLÍTICA – EXPERIÊNCIA DE UM SERVIÇO EM TRÊS REGIÕES BRASILEIRAS

M Valvasori, L Peixoto Osorio
article en

Abstract

A Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHPN) é uma condição rara causada pela passagem transplacentária de anticorpos maternos contra antígenos eritrocitários fetais, levando à hemólise e anemia fetal. Em casos graves, pode evoluir para hidropisia fetal e óbito intrauterino. A profilaxia com imunoglobulina anti-D reduziu significativamente os casos por isoimunização Rh. No entanto, anticorpos irregulares não-RhD (como anti-Kell, anti-c e anti-E) continuam sendo relevantes. Avanços laboratoriais têm permitido a detecção precoce desses anticorpos, favorecendo intervenções diagnósticas e terapêuticas mais eficazes. Verificar a incidência de anticorpos maternos não RHD, nas amostras de RN com Coombs direto positivo, correlacionando com a ocorrência de DHPN e necessidade de suporte transfusional. No período de junho de 2025 a junho de 2026, nosso serviço, atuando nas regiões Nordeste, Distrito Federal e Rio de Janeiro, recebeu um total de 13.664 amostras de recém- nascidos (RN) para a realização de testes imuno-hematológicos (ABO/RH, TAD e fenotipagem RH/K. A triagem foi direcionada à identificação precoce de aloanticorpos maternos clinicamente significativos, que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da (DHPN), e assim avaliar a necessidade de suporte transfusional neonatal nos casos confirmados. Do total 13.664 amostras, 738 (5,4%) apresentaram TAD+, sugerindo possível sensibilização eritrocitária fetal. Foi realizada pesquisa de anticorpos irregulares no soro do Eluato, dessas amostras, em 12 casos (1,6% dos TAD positivos; 0,088% do total de amostras) foram identificados aloanticorpos maternos não RhD: (Anti-c (5); Anti-Jka (2); Anti-C (2); Anti-S (2); Anti-E (1). Três recém-nascidos (25%) tiveram diagnóstico confirmado para DHPN, em dois desses casos, foi necessária transfusão de concentrado de hemácias e, em um, foi realizada exsanguíneotransfusão com reposição de sangue total. Os anticorpos envolvidos nos casos clínicos foram: anti-c (n=2) e anti-C (n=1), quanto à distribuição regional, 2 ocorreram no Rio de Janeiro e 1 no Distrito Federal. O desfecho clínico foi favorável, sem relato de óbito ou sequelas permanentes. A aloimunização por anticorpos não RhD durante a gestação é menos comum do que a isoimunização RhD, com frequência variando entre 0,15% e 1%. No presente estudo, 738 (5,4%) apresentaram TAD positivo, e 12 (1,6% dos TAD+) tinham aloanticorpos não RhD, predominando o anti-c, a taxa de aloanticorpos não RhD observada no presente estudo está alinhada com trabalhos anteriores e ressalta a importância de triagens ampliadas além do RhD. O desfecho clínico favorável em todos os casos reforça a eficácia do diagnóstico precoce, da vigilância neonatal e do suporte transfusional adequado.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Blood groups and transfusion
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.