PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO E SOBREVIDA DOS PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO ACOMPANHADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO RIO DE JANEIRO

O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia da medula óssea que representa cerca de 1% dos tumores malignos, com dor óssea como sintoma principal. O diagnóstico envolve exames laboratoriais, de imagem e biópsia, e o tratamento visa prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida. Estudar o perfil clínico e a sobrevida dos pacientes no Brasil é essencial para entender as particularidades locais e para orientar melhores estratégias clínicas e políticas de saúde. Descrever o perfil clínico-epidemiológico e a sobrevida de pacientes com MM acompanhados em um hospital universitário no Rio de Janeiro, avaliando a frequência de lesões osteolíticas e de comprometimento renal ao diagnóstico. Estudo de coorte retrospectiva com análise de dados clínicos e laboratoriais obtidos de prontuários de pacientes com MM atendidos entre 2012 e 2022 no ambulatório de hematologia de um hospital universitário no Rio de Janeiro. Os dados foram organizados em planilhas no Microsoft Excel e analisados estatisticamente no RStudio. A sobrevida foi avaliada por curvas de Kaplan-Meier, com comparação entre grupos via teste log-rank, considerando p < 0,05. Foram incluídos 98 pacientes no estudo. A idade mediana ao diagnóstico foi de 65 anos, com predomínio feminino (53,1%). A maioria se autodeclarou parda (49%). Hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais frequente (63,3%). O tipo de proteína M mais comum foi IgG (58,1%), especialmente IgG kappa (45,9%). Ao diagnóstico, 70,4% apresentavam lesões osteolíticas e 20,4% tinham comprometimento renal. Quanto ao estadiamento pelo International Staging System (ISS), 38,8% estavam no estágio I, 25,5% no II e 35,7% no III. A quimioterapia foi realizada em 94,9% dos pacientes. Quanto à resposta ao tratamento, 35,2% obtiveram Resposta Completa (RC), 21,6% Resposta Parcial Muito Boa (RPMB), 18,9% Resposta Parcial (RP) e 24,3% apresentaram Doença Progressiva (DP). Dos 47 elegíveis ao transplante, 14 foram transplantados. A sobrevida não apresentou diferença significativa entre os estágios do ISS (p = 0,69). No entanto, houve diferença significativa na sobrevida conforme resposta à quimioterapia (p = 0,00013), com médias de 58,19 meses para RPMB; 36,81 meses para RC; 18,07 meses para RP e 18,39 meses para DP. Pacientes transplantados apresentaram sobrevida média de 57,64 meses, versus 24,19 meses para não transplantados (p = 0,001). Neste estudo, a mediana de idade ao diagnóstico foi 65 anos, alinhada a dados nacionais, com leve predomínio do sexo feminino, diferente de achados internacionais. A maioria dos pacientes se autodeclarou parda, refletindo o perfil demográfico local. A hipertensão foi a comorbidade mais comum, e o subtipo IgG kappa, o mais frequente. Mais de um terço dos pacientes estava no estágio ISS III. Lesões ósseas e insuficiência renal foram frequentes no diagnóstico, indicando doença em estágio avançado em parte da amostra. Apesar da maioria apresentar RC ou RPMB à quimioterapia, poucos realizaram transplante de medula óssea. A baixa correlação do ISS com a sobrevida pode estar relacionada ao pequeno tamanho da amostra ou ao fato de um paciente com ISS III ter sido submetido ao transplante e ter apresentado sobrevida prolongada. Entretanto, houve associação estatisticamente significativa entre o grau de resposta à quimioterapia e a sobrevida, assim como entre a realização do transplante e a sobrevida.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105437
Primary Topic
Multiple Myeloma Research and Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO E SOBREVIDA DOS PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO ACOMPANHADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO RIO DE JANEIRO

EB Riscarolli, R Manhães Alves Rodrigues, J de Freitas Tavares, A Mazza Baumeier Merhy et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Multiple Myeloma Research and Treatments
article

PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO E SOBREVIDA DOS PACIENTES COM MIELOMA MÚLTIPLO ACOMPANHADOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NO RIO DE JANEIRO

EB Riscarolli, R Manhães Alves Rodrigues, J de Freitas Tavares, A Mazza Baumeier Merhy, KG Frigotto, LN Veloso, Júlio César Lacerda Júnior, VRA Valviesse, ICR Diogo, BPd Santos
article en

Abstract

O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia da medula óssea que representa cerca de 1% dos tumores malignos, com dor óssea como sintoma principal. O diagnóstico envolve exames laboratoriais, de imagem e biópsia, e o tratamento visa prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida. Estudar o perfil clínico e a sobrevida dos pacientes no Brasil é essencial para entender as particularidades locais e para orientar melhores estratégias clínicas e políticas de saúde. Descrever o perfil clínico-epidemiológico e a sobrevida de pacientes com MM acompanhados em um hospital universitário no Rio de Janeiro, avaliando a frequência de lesões osteolíticas e de comprometimento renal ao diagnóstico. Estudo de coorte retrospectiva com análise de dados clínicos e laboratoriais obtidos de prontuários de pacientes com MM atendidos entre 2012 e 2022 no ambulatório de hematologia de um hospital universitário no Rio de Janeiro. Os dados foram organizados em planilhas no Microsoft Excel e analisados estatisticamente no RStudio. A sobrevida foi avaliada por curvas de Kaplan-Meier, com comparação entre grupos via teste log-rank, considerando p < 0,05. Foram incluídos 98 pacientes no estudo. A idade mediana ao diagnóstico foi de 65 anos, com predomínio feminino (53,1%). A maioria se autodeclarou parda (49%). Hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais frequente (63,3%). O tipo de proteína M mais comum foi IgG (58,1%), especialmente IgG kappa (45,9%). Ao diagnóstico, 70,4% apresentavam lesões osteolíticas e 20,4% tinham comprometimento renal. Quanto ao estadiamento pelo International Staging System (ISS), 38,8% estavam no estágio I, 25,5% no II e 35,7% no III. A quimioterapia foi realizada em 94,9% dos pacientes. Quanto à resposta ao tratamento, 35,2% obtiveram Resposta Completa (RC), 21,6% Resposta Parcial Muito Boa (RPMB), 18,9% Resposta Parcial (RP) e 24,3% apresentaram Doença Progressiva (DP). Dos 47 elegíveis ao transplante, 14 foram transplantados. A sobrevida não apresentou diferença significativa entre os estágios do ISS (p = 0,69). No entanto, houve diferença significativa na sobrevida conforme resposta à quimioterapia (p = 0,00013), com médias de 58,19 meses para RPMB; 36,81 meses para RC; 18,07 meses para RP e 18,39 meses para DP. Pacientes transplantados apresentaram sobrevida média de 57,64 meses, versus 24,19 meses para não transplantados (p = 0,001). Neste estudo, a mediana de idade ao diagnóstico foi 65 anos, alinhada a dados nacionais, com leve predomínio do sexo feminino, diferente de achados internacionais. A maioria dos pacientes se autodeclarou parda, refletindo o perfil demográfico local. A hipertensão foi a comorbidade mais comum, e o subtipo IgG kappa, o mais frequente. Mais de um terço dos pacientes estava no estágio ISS III. Lesões ósseas e insuficiência renal foram frequentes no diagnóstico, indicando doença em estágio avançado em parte da amostra. Apesar da maioria apresentar RC ou RPMB à quimioterapia, poucos realizaram transplante de medula óssea. A baixa correlação do ISS com a sobrevida pode estar relacionada ao pequeno tamanho da amostra ou ao fato de um paciente com ISS III ter sido submetido ao transplante e ter apresentado sobrevida prolongada. Entretanto, houve associação estatisticamente significativa entre o grau de resposta à quimioterapia e a sobrevida, assim como entre a realização do transplante e a sobrevida.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
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Multiple Myeloma Research and Treatments
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