TRALI – INVESTIGAÇÃO DE ANTICORPOSANTI-HLA EM AMOSTRAS DE DOAÇÃO DE SANGUE DO CENTRO DE HEMOTERAPIA E HEMATOLOGIA DO ESTADO DO PARÁ
Os procedimentos transfusionais, embora realizados com altos padrões de segurança e qualidade, ainda podem apresentar reações adversas, tanto imediatas quanto tardias, em cerca de 1% dos casos. Entre essas reações, destaca-se a TRALI (lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão), uma reação transfusional imediata que ocorre até 6 horas após a administração de hemocomponentes contendo plasma. A TRALI é caracterizada por insuficiência respiratória aguda, edema pulmonar bilateral e hipoxemia grave, sem evidências de disfunção cardíaca. Essa condição pode ser desencadeada pela presença de anticorpos contra antígenos de neutrófilos humanos (HNA) ou contra antígenos leucocitários humanos (HLA) de classes I e II. Os anticorpos anti-HLA, por sua vez, são geralmente formados em resposta a eventos sensibilizantes, como gravidez, múltiplas transfusões sanguíneas ou transplantes. Investigar a presença de anticorpos anti-HLA em amostras de doação de sangue notificadas pela hemovigilância após suspeita de episódios TRALI pós transfusões realizadas pela hemorede do Estado do Pará. Estudo descritivo, transversal com uso de dados provenientes de rotina laboratorial regular, cujo levantamento ocorreu de forma agrupada e sem identificação individual. Foram analisadas pelo setor de Imunogenética da Fundação HEMOPA um total de 27 amostras de sangue de doação, encaminhados para investigação de anticorpos anti-HLA de classe I e II. A detecção dos anticorpos foi realizada por citometria de fluxo, utilizando a tecnologia Luminex® XMAP®, baseada em microesferas codificadas por cores e revestidas com antígenos HLA de classe I ou II. Quando presentes, os anticorpos anti-HLA são marcados com anticorpos IgG conjugados à ficoeritrina (PE) e detectados por citometria de fluxo. A análise dos resultados foi realizada com o software HLA Fusion™ v4.7 (One Lambda, Inc.), e os cálculos de frequência relativa foram feitos no Microsoft Excel 365®. O presente estudo identificou a presença de anticorpos anti_HLA em 29,5% (8/27) das amostras investigadas no período de 2018 a Maio de 2025. Nestas, a frequência de anticorpos anti- HLA foi de 27% de especificidades anti-HLA de Classe I, 83% de Classe I e 93% de Classe II, 49% de Classe I e 85% de Classe II,12% de Classe II e 0,15% de Classe I. Os resultados encontrados indicam uma ocorrência importante de casos de TRALI em amostras de doação de sangue. A literatura sugere uma possível associação entre determinados perfis de doadores e a ocorrência de eventos transfusionais compatíveis com TRALI. Uma possível medida preventiva seria a triagem prévia de anticorpos anti-HLA em doadoras com histórico de múltiplas gestações. Ressalta-se, ainda, a existência de casos subnotificados ou não identificados, o que dificulta a investigação de outras possíveis causas associadas à reação.
Authors
- M. M. Silva
- Nuno Almeida
- Herika dos Santos Anijar (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4142-6716)
- Naiara Farias
- E. M. TRINDADE FILHO
- EVO Jorge
- e Souza (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5706-3171)
- K. C. N. Farias
- Paulo Matos
- L Sales Júnior
Institutions
- Fundação Hemopa (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105791
- Primary Topic
- Blood transfusion and management
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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