SOBREVIDA EM LEUCEMIAS MIELOIDES AGUDAS: ANÁLISE DE COORTE COM DADOS DO REGISTRO HOSPITALAR DE CÂNCER DO ESTADO DE SÃO PAULO

Leucemias são neoplasias hematológicas com acúmulo anormal de células clonais na medula óssea (MO), em geral leucócitos, com circulação em sangue periférico. A Leucemia Mieloide Aguda (LMA), forma aguda mais comum em adultos, decorre da proliferação autônoma de precursores mieloides, com bloqueio da diferenciação destas células, e consequente falência medular de elementos normais. É conceituada por >20% de blastos na MO, com incidência crescente com a idade, grande heterogeneidade nas mutações genéticas (“driver”), e consequentes impactos prognóstico e terapêutico. Clinicamente manifesta-se por anemia e/ou infecções e/ou sangramentos. Pela alta mortalidade, é essencial análise da sobrevida para entendimento e para políticas públicas. Estimar a sobrevida de pacientes com LMA no Estado de São Paulo, estratificada por sexo, faixa etária e realização ou não de transplante de medula óssea (TMO). Estudo de coorte retrospectivo com dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Estado de São Paulo, coordenado pela Fundação Oncocentro (FOSP). Incluiu pacientes diagnosticados com LMA entre 2000 e 2024. A sobrevida global foi estimada do diagnóstico até a última informação disponível, considerando óbito por câncer como evento. Curvas de Kaplan-Meier foram geradas no RStudio (pacotes Survival e Survminer) e comparadas pelo teste de log-rank. As análises foram estratificadas por sexo, faixa etária e realização de TMO. A coorte incluiu 4.458 pacientes com LMA, sendo 2.206 homens e 2.252 mulheres, com idade mediana de 46 anos (18-65 anos). A sobrevida global mediana foi de 11,56 meses (IC 95%: 10,32–12,71). Pacientes de 18-44 anos (n = 2.081) apresentaram maior sobrevida mediana: 23,62 meses (IC 95%: 19,35–28,62). Dentre eles, os 369 transplantados não atingiram mediana, com 50,06% de sobrevida em 15 anos; os não transplantados tiveram sobrevida mediana de 14,62 meses (IC 95%: 11,93–19,32). Nos 2.377 pacientes de 45–65 anos, a mediana foi de 7,06 meses (IC 95%: 5,88– 8,18); os 256 transplantados atingiram 52,11 meses (IC 95%: 31,38–151,03), e os demais, 4,67 meses (IC 95%: 3,94–5,29). No total, os 625 pacientes que realizaram TMO alcançaram 87,23 meses de sobrevida mediana, contra 7,74 meses (IC 95%: 6,51–8,71) nos 3.833 não transplantados. No presente estudo, o TMO aumentou a sobrevida global de pacientes com LMA. Pacientes de 18–44 anos apresentaram sobrevida superior aos de 45– 65 anos. Não houve diferença significativa entre os sexos. Nossos dados se assemelham aos apresentados por Tabak, 2000. O TMO é medida essencial para consolidar pacientes com LMA que atingiram respostas à quimioterapia inicial e são elegíveis ao procedimento, elevando em muito a sobrevida e as chances de cura definitiva.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104664
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

SOBREVIDA EM LEUCEMIAS MIELOIDES AGUDAS: ANÁLISE DE COORTE COM DADOS DO REGISTRO HOSPITALAR DE CÂNCER DO ESTADO DE SÃO PAULO

CS Sabaini, HM Teano, GC Covas, AdOG Golineli
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

SOBREVIDA EM LEUCEMIAS MIELOIDES AGUDAS: ANÁLISE DE COORTE COM DADOS DO REGISTRO HOSPITALAR DE CÂNCER DO ESTADO DE SÃO PAULO

CS Sabaini, HM Teano, GC Covas, AdOG Golineli
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Abstract

Leucemias são neoplasias hematológicas com acúmulo anormal de células clonais na medula óssea (MO), em geral leucócitos, com circulação em sangue periférico. A Leucemia Mieloide Aguda (LMA), forma aguda mais comum em adultos, decorre da proliferação autônoma de precursores mieloides, com bloqueio da diferenciação destas células, e consequente falência medular de elementos normais. É conceituada por >20% de blastos na MO, com incidência crescente com a idade, grande heterogeneidade nas mutações genéticas (“driver”), e consequentes impactos prognóstico e terapêutico. Clinicamente manifesta-se por anemia e/ou infecções e/ou sangramentos. Pela alta mortalidade, é essencial análise da sobrevida para entendimento e para políticas públicas. Estimar a sobrevida de pacientes com LMA no Estado de São Paulo, estratificada por sexo, faixa etária e realização ou não de transplante de medula óssea (TMO). Estudo de coorte retrospectivo com dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Estado de São Paulo, coordenado pela Fundação Oncocentro (FOSP). Incluiu pacientes diagnosticados com LMA entre 2000 e 2024. A sobrevida global foi estimada do diagnóstico até a última informação disponível, considerando óbito por câncer como evento. Curvas de Kaplan-Meier foram geradas no RStudio (pacotes Survival e Survminer) e comparadas pelo teste de log-rank. As análises foram estratificadas por sexo, faixa etária e realização de TMO. A coorte incluiu 4.458 pacientes com LMA, sendo 2.206 homens e 2.252 mulheres, com idade mediana de 46 anos (18-65 anos). A sobrevida global mediana foi de 11,56 meses (IC 95%: 10,32–12,71). Pacientes de 18-44 anos (n = 2.081) apresentaram maior sobrevida mediana: 23,62 meses (IC 95%: 19,35–28,62). Dentre eles, os 369 transplantados não atingiram mediana, com 50,06% de sobrevida em 15 anos; os não transplantados tiveram sobrevida mediana de 14,62 meses (IC 95%: 11,93–19,32). Nos 2.377 pacientes de 45–65 anos, a mediana foi de 7,06 meses (IC 95%: 5,88– 8,18); os 256 transplantados atingiram 52,11 meses (IC 95%: 31,38–151,03), e os demais, 4,67 meses (IC 95%: 3,94–5,29). No total, os 625 pacientes que realizaram TMO alcançaram 87,23 meses de sobrevida mediana, contra 7,74 meses (IC 95%: 6,51–8,71) nos 3.833 não transplantados. No presente estudo, o TMO aumentou a sobrevida global de pacientes com LMA. Pacientes de 18–44 anos apresentaram sobrevida superior aos de 45– 65 anos. Não houve diferença significativa entre os sexos. Nossos dados se assemelham aos apresentados por Tabak, 2000. O TMO é medida essencial para consolidar pacientes com LMA que atingiram respostas à quimioterapia inicial e são elegíveis ao procedimento, elevando em muito a sobrevida e as chances de cura definitiva.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Acute Myeloid Leukemia Research
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