INTEGRAÇÃO DE CITOMORFOLOGIA E CITOMETRIA DE FLUXO NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE RICHTER

A Síndrome de Richter (SR) corresponde à transformação da leucemia linfocítica crônica (LLC) em um linfoma agressivo, mais frequentemente linfoma difuso de grandes células B (LDCBG). Essa evolução está associada a rápida deterioração clínica, refratariedade ao tratamento convencional e sobrevida global significativamente reduzida. O diagnóstico precoce exige integração de dados clínicos, morfológicos, imunofenotípicos e, quando disponíveis, genéticos. A avaliação do sangue periférico e da medula óssea pode evidenciar alterações morfológicas sugestivas, enquanto a imunofenotipagem por citometria de fluxo permite caracterizar mudanças no perfil antigênico das células B, diferenciando SR da LLC clássica e de outros subtipos de neoplasias linfoproliferativas. Descrever de forma detalhada as características morfológicas do sangue periférico e/ou medula óssea, bem como o perfil imunofenotípico obtido por citometria de fluxo, em uma série de cinco casos de SR diagnosticados em nosso serviço, discutindo achados que auxiliam no diagnóstico diferencial. Estudo retrospectivo descritivo, envolvendo cinco casos de SR confirmados entre maio de 2007 e maio de 2025. As amostras analisadas incluíram sangue periférico (n = 1), medula óssea (n = 3) e linfonodo (n = 1). Foram analisadas lâminas de sangue periférico e medula óssea, com descrição do tamanho celular, padrão nuclear, cromatina, nucléolos e basofilia citoplasmática. A imunofenotipagem foi realizada por citometria de fluxo multiparamétrica, incluindo marcadores de linhagem B (CD19, CD20, IgM, IgD), marcadores associados à LLC (CD5, CD23, CD200), marcadores de ativação/proliferação (CD38, FMC-7) e de diferenciação (CD10). Alterações citogenéticas foram registradas quando disponíveis. A coorte foi composta por três pacientes do sexo feminino e dois do sexo masculino, com idades entre 45 e 91 anos (mediana de 61 anos). Morfologicamente, observou-se substituição da população de linfócitos pequenos típica da LLC por células grandes, com nucléolos evidentes e citoplasma moderadamente basofílico. A imunofenotipagem revelou linfócitos com moderado a elevado tamanho celular e expressão intensa de CD19, CD5 (5/5) e CD200 (2/2), perda de CD23 em dois casos, expressão elevada de CD20 em 1 caso e expressão moderada de CD79b em dois casos. O CD38 foi positivo em três casos, FMC-7 em um, e CD10 esteve ausente em todos. Houve restrição de cadeia leve em todos os casos (três kappa, dois lambda). Dois pacientes apresentaram cariótipo alterado, incluindo um com cariótipo altamente complexo (76∼87 cromossomos) e múltiplas perdas cromossômicas, deleções e isocromossomo 17q; outro apresentou cariótipo normal. Os achados desta série confirmam padrões já descritos na literatura: perda de marcadores típicos da LLC, como CD23 e CD79b, associada ao ganho de expressão de marcadores de ativação (CD38) e aumento da intensidade de CD20, configurando um fenótipo mais agressivo. A correlação morfológica reforçou a importância da análise citológica para confirmar a suspeita de transformação, especialmente em amostras de medula óssea, onde a infiltração pode ser focal. A presença de cariótipo complexo, como observado em um caso, está associada a pior prognóstico e maior resistência terapêutica. Este estudo ressalta que a integração de dados morfológicos e imunofenotípicos é fundamental para o diagnóstico rápido da SR, permitindo o início precoce de regimes terapêuticos adequados para linfomas agressivos, com impacto potencial na sobrevida.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104367
Primary Topic
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
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MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

INTEGRAÇÃO DE CITOMORFOLOGIA E CITOMETRIA DE FLUXO NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE RICHTER

TT Takao, M.B.R. Silva, YH Maekawa, DC Daniel et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Lymphocytic Leukemia Research
article

INTEGRAÇÃO DE CITOMORFOLOGIA E CITOMETRIA DE FLUXO NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE RICHTER

TT Takao, M.B.R. Silva, YH Maekawa, DC Daniel, AF Sandes, MV Gonçalves, BN Rhein
article en

Abstract

A Síndrome de Richter (SR) corresponde à transformação da leucemia linfocítica crônica (LLC) em um linfoma agressivo, mais frequentemente linfoma difuso de grandes células B (LDCBG). Essa evolução está associada a rápida deterioração clínica, refratariedade ao tratamento convencional e sobrevida global significativamente reduzida. O diagnóstico precoce exige integração de dados clínicos, morfológicos, imunofenotípicos e, quando disponíveis, genéticos. A avaliação do sangue periférico e da medula óssea pode evidenciar alterações morfológicas sugestivas, enquanto a imunofenotipagem por citometria de fluxo permite caracterizar mudanças no perfil antigênico das células B, diferenciando SR da LLC clássica e de outros subtipos de neoplasias linfoproliferativas. Descrever de forma detalhada as características morfológicas do sangue periférico e/ou medula óssea, bem como o perfil imunofenotípico obtido por citometria de fluxo, em uma série de cinco casos de SR diagnosticados em nosso serviço, discutindo achados que auxiliam no diagnóstico diferencial. Estudo retrospectivo descritivo, envolvendo cinco casos de SR confirmados entre maio de 2007 e maio de 2025. As amostras analisadas incluíram sangue periférico (n = 1), medula óssea (n = 3) e linfonodo (n = 1). Foram analisadas lâminas de sangue periférico e medula óssea, com descrição do tamanho celular, padrão nuclear, cromatina, nucléolos e basofilia citoplasmática. A imunofenotipagem foi realizada por citometria de fluxo multiparamétrica, incluindo marcadores de linhagem B (CD19, CD20, IgM, IgD), marcadores associados à LLC (CD5, CD23, CD200), marcadores de ativação/proliferação (CD38, FMC-7) e de diferenciação (CD10). Alterações citogenéticas foram registradas quando disponíveis. A coorte foi composta por três pacientes do sexo feminino e dois do sexo masculino, com idades entre 45 e 91 anos (mediana de 61 anos). Morfologicamente, observou-se substituição da população de linfócitos pequenos típica da LLC por células grandes, com nucléolos evidentes e citoplasma moderadamente basofílico. A imunofenotipagem revelou linfócitos com moderado a elevado tamanho celular e expressão intensa de CD19, CD5 (5/5) e CD200 (2/2), perda de CD23 em dois casos, expressão elevada de CD20 em 1 caso e expressão moderada de CD79b em dois casos. O CD38 foi positivo em três casos, FMC-7 em um, e CD10 esteve ausente em todos. Houve restrição de cadeia leve em todos os casos (três kappa, dois lambda). Dois pacientes apresentaram cariótipo alterado, incluindo um com cariótipo altamente complexo (76∼87 cromossomos) e múltiplas perdas cromossômicas, deleções e isocromossomo 17q; outro apresentou cariótipo normal. Os achados desta série confirmam padrões já descritos na literatura: perda de marcadores típicos da LLC, como CD23 e CD79b, associada ao ganho de expressão de marcadores de ativação (CD38) e aumento da intensidade de CD20, configurando um fenótipo mais agressivo. A correlação morfológica reforçou a importância da análise citológica para confirmar a suspeita de transformação, especialmente em amostras de medula óssea, onde a infiltração pode ser focal. A presença de cariótipo complexo, como observado em um caso, está associada a pior prognóstico e maior resistência terapêutica. Este estudo ressalta que a integração de dados morfológicos e imunofenotípicos é fundamental para o diagnóstico rápido da SR, permitindo o início precoce de regimes terapêuticos adequados para linfomas agressivos, com impacto potencial na sobrevida.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fleury S.A. (Brazil) (BR)
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Chronic Lymphocytic Leukemia Research
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