PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR DEFEITOS DA COAGULAÇÃO, PÚRPURA E OUTRAS AFECÇÕES HEMORRÁGICAS EM PACIENTES COM DOENÇAS DO FÍGADO NO BRASIL DE 2014 A 2023

Os defeitos de coagulação e outras afecções hemorrágicas representam complicações frequentes e graves em pacientes com doenças do fígado, associadas a pior prognóstico e alta letalidade. Essa associação reflete um estágio avançado de insuficiência hepática, com alterações hemostáticas complexas decorrentes de disfunção da síntese de fatores de coagulação e trombocitopenia. A compreensão do perfil epidemiológico desses óbitos é essencial para guiar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico direcionado a esses pacientes. Analisar o perfil epidemiológico dos óbitos por defeitos de coagulação, púrpura e outras afecções hemorrágicas que tiveram doenças do fígado como causa básica da morte em pacientes no Brasil, no período de 2014 a 2023. Foi realizado um estudo ecológico observacional, descritivo e retrospectivo, baseado em dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram incluídos todos os óbitos no Brasil de 2014 e 2023, cuja causa básica foi doenças do fígado (CID-10: K70–K77) e que apresentaram como causa múltipla defeitos de coagulação, púrpura e outras afecções hemorrágicas (CID-10: D65–D69). De 2014 a 2023, foram registrados 4.019 óbitos no Brasil com os CID-10 K70–K77 e D65–D69, com média anual de 401,9 mortes, com pico em 2018 (436 óbitos) e menor número em 2020 (352 óbitos), representando queda de 11,6% em relação ao ano anterior. Quanto ao sexo, houve maior prevalência entre os homens, com 2.788 óbitos (69,37%), em contrapartida, o sexo feminino representou 30,63% (1.231 óbitos). A análise etária teve maior concentração entre 50 e 59 anos com 1.051 óbitos (26,15%), seguida pelas faixas de 60–69 anos (20,96%) e 40–49 anos (17,77%), que juntas corresponderam por 64,9% dos óbitos. Em relação à raça/cor, destacaram-se os indivíduos brancos com 1.778 óbitos (44,24%) e 1.744 de pardos (43,39%). Já a avaliação por Unidade da Federação mostrou maior número absoluto em São Paulo com 1.120 mortes, cerca de 27,87%, seguido por Minas Gerais (10,15%), Pernambuco (7,74%) e Bahia (260; 6,47%), que somados concentraram mais da metade dos óbitos. A análise dos óbitos por defeitos de coagulação e outras afecções hemorrágicas com doenças do fígado como causa básica evidenciou 4.019 óbitos no Brasil, revelando predomínio de mortes em homens de meia-idade e idosos, o que é compatível com o padrão de evolução das doenças hepáticas crônicas. A liderança de indivíduos brancos e pardos reflete a composição demográfica do Brasil. A concentração dos óbitos nas regiões Sudeste e Nordeste acompanha a densidade populacional, mas também pode indicar diferenças regionais na prevalência de doenças hepáticas e na qualidade do diagnóstico. A queda significativa observada em 2020 pode estar associada a impactos da pandemia de COVID-19, incluindo subnotificação. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças hepáticas, bem como ao manejo adequado das complicações hemorrágicas, visando evitar o agravamento dos casos e a redução da mortalidade.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104959
Primary Topic
Liver Disease and Transplantation
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR DEFEITOS DA COAGULAÇÃO, PÚRPURA E OUTRAS AFECÇÕES HEMORRÁGICAS EM PACIENTES COM DOENÇAS DO FÍGADO NO BRASIL DE 2014 A 2023

Isabel Henriques, Manuel João Costa, Pedro Etelvino de Góes Neto, Pedro Alexandrino Fernandes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Liver Disease and Transplantation
article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR DEFEITOS DA COAGULAÇÃO, PÚRPURA E OUTRAS AFECÇÕES HEMORRÁGICAS EM PACIENTES COM DOENÇAS DO FÍGADO NO BRASIL DE 2014 A 2023

Isabel Henriques, Manuel João Costa, Pedro Etelvino de Góes Neto, Pedro Alexandrino Fernandes, MAS Junior, Ângela Alves, McdO Belarmino
article en

Abstract

Os defeitos de coagulação e outras afecções hemorrágicas representam complicações frequentes e graves em pacientes com doenças do fígado, associadas a pior prognóstico e alta letalidade. Essa associação reflete um estágio avançado de insuficiência hepática, com alterações hemostáticas complexas decorrentes de disfunção da síntese de fatores de coagulação e trombocitopenia. A compreensão do perfil epidemiológico desses óbitos é essencial para guiar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico direcionado a esses pacientes. Analisar o perfil epidemiológico dos óbitos por defeitos de coagulação, púrpura e outras afecções hemorrágicas que tiveram doenças do fígado como causa básica da morte em pacientes no Brasil, no período de 2014 a 2023. Foi realizado um estudo ecológico observacional, descritivo e retrospectivo, baseado em dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram incluídos todos os óbitos no Brasil de 2014 e 2023, cuja causa básica foi doenças do fígado (CID-10: K70–K77) e que apresentaram como causa múltipla defeitos de coagulação, púrpura e outras afecções hemorrágicas (CID-10: D65–D69). De 2014 a 2023, foram registrados 4.019 óbitos no Brasil com os CID-10 K70–K77 e D65–D69, com média anual de 401,9 mortes, com pico em 2018 (436 óbitos) e menor número em 2020 (352 óbitos), representando queda de 11,6% em relação ao ano anterior. Quanto ao sexo, houve maior prevalência entre os homens, com 2.788 óbitos (69,37%), em contrapartida, o sexo feminino representou 30,63% (1.231 óbitos). A análise etária teve maior concentração entre 50 e 59 anos com 1.051 óbitos (26,15%), seguida pelas faixas de 60–69 anos (20,96%) e 40–49 anos (17,77%), que juntas corresponderam por 64,9% dos óbitos. Em relação à raça/cor, destacaram-se os indivíduos brancos com 1.778 óbitos (44,24%) e 1.744 de pardos (43,39%). Já a avaliação por Unidade da Federação mostrou maior número absoluto em São Paulo com 1.120 mortes, cerca de 27,87%, seguido por Minas Gerais (10,15%), Pernambuco (7,74%) e Bahia (260; 6,47%), que somados concentraram mais da metade dos óbitos. A análise dos óbitos por defeitos de coagulação e outras afecções hemorrágicas com doenças do fígado como causa básica evidenciou 4.019 óbitos no Brasil, revelando predomínio de mortes em homens de meia-idade e idosos, o que é compatível com o padrão de evolução das doenças hepáticas crônicas. A liderança de indivíduos brancos e pardos reflete a composição demográfica do Brasil. A concentração dos óbitos nas regiões Sudeste e Nordeste acompanha a densidade populacional, mas também pode indicar diferenças regionais na prevalência de doenças hepáticas e na qualidade do diagnóstico. A queda significativa observada em 2020 pode estar associada a impactos da pandemia de COVID-19, incluindo subnotificação. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças hepáticas, bem como ao manejo adequado das complicações hemorrágicas, visando evitar o agravamento dos casos e a redução da mortalidade.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (BR)
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Liver Disease and Transplantation
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