AVALIAÇÃO DE HEMÓLISE RESIDUAL EM PACIENTES COM HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA SOB INIBIDORES DE C5: EXPERIÊNCIA DO HEMORIO

O bloqueio da fração C5 por eculizumabe ou ravulizumabe controla a hemólise intravascular na HPN; contudo, permanece descrita hemólise residual presumivelmente extravascular, marcada por reticulocitose, queda de hemoglobina (Hb) e, por vezes, LDH elevado. Determinar a frequência de hemólise residual em adultos com HPN tratados no Hemorio e confrontar os achados com a literatura. A coorte inicial compreendia 31 pacientes (eculizumabe = 21; ravulizumabe = 10). Sete foram excluídos por fatores potencialmente confundidores, resultando em 24 pacientes analisados (eculizumabe = 16; ravulizumabe = 8). Avaliaram- se Hb, reticulócitos e LDH da coleta laboratorial mais recente registrada no Hemorio; na mesma data, prontuários descartaram infecção ativa ou comorbidades hematológicas interferentes. Registrou-se também a necessidade de transfusão de concentrado de hemácias após o início do bloqueio de C5. Valores-referência institucionais utilizados: Hb ≥ 12,8 g/dL (homens) ou ≥ 11,6 g/dL (mulheres); reticulócitos <100 × 10⁹/L; LDH < 250 U/L. Hemólise residual foi definida como reticulocitose (>100 × 10⁹/L) isolada ou associada a Hb abaixo do valor de referência. A Hb foi estratificada em faixas: < 7,0; 7,1–8,0; 8,1–9,0; 9,1–10,0; 10,1–11,0; 11,1–12,0; >12,0 g/dL. Reticulocitose ocorreu em 21/24 pacientes (87,5 %). Desses, 20 apresentaram Hb abaixo do valor de referência (9 homens; 11 mulheres). A distribuição de Hb foi: < 7,0 g/dL = 1 (4,2 %); 8,1–9,0 = 2 (8,3 %); 9,1–10,0 = 7 (29,2 %); 10,1–11,0 = 3 (12,5 %); 11,1–12,0 = 8 (33,3 %); > 12,0 = 3 (12,5 %). LDH elevou-se em 12/24 (50 %). Nove pacientes (37,5 %) exibiram simultaneamente reticulocitose, Hb abaixo do valor de referência e LDH elevado; quatro (16,7 %) apresentaram todos os parâmetros normais. A distribuição das alterações não diferiu entre eculizumabe e ravulizumabe. Dois dos 20 pacientes com Hb inferior ao valor de referência (10 %) necessitaram transfusão de concentrado de hemácias. Apesar do bloqueio eficaz da hemólise intravascular, 83 % dos pacientes exibiram hemólise residual compatível com extravascular. A maioria concentrou-se nas faixas de Hb 9,1–10,0 g/dL (29,2 %) e 11,1–12,0 g/dL (33,3 %), indicando anemia leve a moderada. A taxa de transfusão de 10 % entre aqueles com Hb abaixo do valor de referência está de acordo com o intervalo reportado na literatura, reforçando o impacto clínico que a hemólise residual pode ter. Esses dados ressaltam a importância do monitoramento laboratorial contínuo e sugerem que, em casos de comprometimento da qualidade vida, com ou sem necessidade transfusional, estratégias complementares que ampliem o bloqueio da ativação do complemento devam ser consideradas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104019
Primary Topic
Hemophilia Treatment and Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
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JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

AVALIAÇÃO DE HEMÓLISE RESIDUAL EM PACIENTES COM HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA SOB INIBIDORES DE C5: EXPERIÊNCIA DO HEMORIO

E. M. Ribeiro, Vinicius Ricardo Cuña de Souza, M. P. F. Corrêa, Vera Lúcia Salazar Pessôa et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemophilia Treatment and Research
article

AVALIAÇÃO DE HEMÓLISE RESIDUAL EM PACIENTES COM HEMOGLOBINÚRIA PAROXÍSTICA NOTURNA SOB INIBIDORES DE C5: EXPERIÊNCIA DO HEMORIO

E. M. Ribeiro, Vinicius Ricardo Cuña de Souza, M. P. F. Corrêa, Vera Lúcia Salazar Pessôa, CC Shuravin
article en

Abstract

O bloqueio da fração C5 por eculizumabe ou ravulizumabe controla a hemólise intravascular na HPN; contudo, permanece descrita hemólise residual presumivelmente extravascular, marcada por reticulocitose, queda de hemoglobina (Hb) e, por vezes, LDH elevado. Determinar a frequência de hemólise residual em adultos com HPN tratados no Hemorio e confrontar os achados com a literatura. A coorte inicial compreendia 31 pacientes (eculizumabe = 21; ravulizumabe = 10). Sete foram excluídos por fatores potencialmente confundidores, resultando em 24 pacientes analisados (eculizumabe = 16; ravulizumabe = 8). Avaliaram- se Hb, reticulócitos e LDH da coleta laboratorial mais recente registrada no Hemorio; na mesma data, prontuários descartaram infecção ativa ou comorbidades hematológicas interferentes. Registrou-se também a necessidade de transfusão de concentrado de hemácias após o início do bloqueio de C5. Valores-referência institucionais utilizados: Hb ≥ 12,8 g/dL (homens) ou ≥ 11,6 g/dL (mulheres); reticulócitos <100 × 10⁹/L; LDH < 250 U/L. Hemólise residual foi definida como reticulocitose (>100 × 10⁹/L) isolada ou associada a Hb abaixo do valor de referência. A Hb foi estratificada em faixas: < 7,0; 7,1–8,0; 8,1–9,0; 9,1–10,0; 10,1–11,0; 11,1–12,0; >12,0 g/dL. Reticulocitose ocorreu em 21/24 pacientes (87,5 %). Desses, 20 apresentaram Hb abaixo do valor de referência (9 homens; 11 mulheres). A distribuição de Hb foi: < 7,0 g/dL = 1 (4,2 %); 8,1–9,0 = 2 (8,3 %); 9,1–10,0 = 7 (29,2 %); 10,1–11,0 = 3 (12,5 %); 11,1–12,0 = 8 (33,3 %); > 12,0 = 3 (12,5 %). LDH elevou-se em 12/24 (50 %). Nove pacientes (37,5 %) exibiram simultaneamente reticulocitose, Hb abaixo do valor de referência e LDH elevado; quatro (16,7 %) apresentaram todos os parâmetros normais. A distribuição das alterações não diferiu entre eculizumabe e ravulizumabe. Dois dos 20 pacientes com Hb inferior ao valor de referência (10 %) necessitaram transfusão de concentrado de hemácias. Apesar do bloqueio eficaz da hemólise intravascular, 83 % dos pacientes exibiram hemólise residual compatível com extravascular. A maioria concentrou-se nas faixas de Hb 9,1–10,0 g/dL (29,2 %) e 11,1–12,0 g/dL (33,3 %), indicando anemia leve a moderada. A taxa de transfusão de 10 % entre aqueles com Hb abaixo do valor de referência está de acordo com o intervalo reportado na literatura, reforçando o impacto clínico que a hemólise residual pode ter. Esses dados ressaltam a importância do monitoramento laboratorial contínuo e sugerem que, em casos de comprometimento da qualidade vida, com ou sem necessidade transfusional, estratégias complementares que ampliem o bloqueio da ativação do complemento devam ser consideradas.

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