VALIDAÇÃO DOS BIOMARCADORES LAMP5 E SKIDA1 PARA PREDIÇÃO DE KMT2A-R EM LEUCEMIAS LINFOBLÁSTICAS AGUDAS

As leucemias agudas (LA) são neoplasias hematológicas agressivas, iniciadas a partir de alterações genéticas. Os rearranjos em KMT2A (KMT2A-r) são uma alteração comum em pacientes na idade precoce (menores que 2 anos) e ocorrem em ∼80% dos lactentes com leucemia linfoblástica aguda (LLA), ∼50% dos lactentes com leucemia mieloide aguda (LMA) e ∼10% dos pacientes com leucemia aguda de linhagem ambígua (LALA). Como os KMT2A-r podem ocorrer com mais de 100 parceiros de fusão diferentes, um biomarcador de diagnóstico é extremamente útil na determinação dessas alterações genéticas. A detecção da expressão de CSPG4 (NG2) por citometria de fluxo tem sido amplamente empregada para predizer se os pacientes apresentam KMT2A-r. No entanto, pesquisas prévias indicaram a ocorrência de resultados falso-negativos associados ao uso desse biomarcador. Assim, um estudo recente realizado por nosso grupo utilizou o método de aprendizado de máquina e identificou que os genes LAMP5 e SKIDA1 podem ser biomarcadores ainda mais precisos para a predição de KMT2A-r. Validar os biomarcadores LAMP5 e SKIDA1 como alternativas mais eficientes que o CSPG4 para a predição de KMT2A-r em leucemias agudas. Usamos o banco de dados TARGET-ALL-P2 para a validação, usando o ambiente R para as análises de dados, onde fizemos uma análise de expressão diferencial. Utilizaremos uma segunda série de casos do GenLAb de pacientes diagnosticados com LLA entre 2017–2026. Será determinado o status mutacional de KMT2A através da técnica de FISH e RNA-seq e também avaliaremos os níveis transcricionais de LAMP5, SKIDA1 e CSPG4 por RNA-seq. Foram incluídos 407 casos do TARGET, sendo 146 do sexo feminino e 261 masculino. Destes, a proporção de pacientes com LLA-B foi de 44% e a de LLA-T 56%. Com isso, separamos os pacientes em dois grupos: com KMT2A-r (n = 15) e KMT2A-WT (n = 392). Foi encontrado 631 genes superexpressos e 1318 baixo expressos e determinamos os 10 genes mais diferencialmente expressos (SMAD9, RNF220, CPEB2, SUPT3H, SLC38A11, MYO6, PDCD6IPP1, PRELID3BP7, PDCD6IPP2, C1QTNF7- AS1). Em seguida, definimos a diferença de expressão entre os grupos, ambos os genes SKIDA1 (p = 1.7e-9) e LAMP5 (p = 0.0084) foram significativamente superexpressos no grupo KMT2A-r em comparação com KMT2A-WT e não foi observada diferença de expressão significativa em CSPG4 (p = 0.96). Além disso, avaliamos a performance dos biomarcadores e foi observado que SKIDA1 (AUC: 0.959) e LAMP5 (AUC: 0.719) performaram melhor que CSPG4 (AUC: 0.480). Ainda, os valores preditivos (VPP, VPN) foram calculados para cada biomarcador respectivamente, SKIDA1 (0.074; 1), LAMP5 (0.064; 0.99) e CSPG4 (0.035; 0.96). Os resultados preliminares obtidos a partir da série de casos do TARGET sugerem que LAMP5 e SKIDA1 apresentam desempenho promissor na predição de rearranjos em KMT2A, possivelmente superando o biomarcador tradicional CSPG4. A análise de expressão diferencial, associada à avaliação por curvas ROC e métricas preditivas, reforça o potencial desses genes como marcadores diagnósticos. No entanto, a validação definitiva requer a análise da série de casos do laboratório, que está em andamento, para confirmar a robustez e a aplicabilidade clínica desses achados.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104676
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

VALIDAÇÃO DOS BIOMARCADORES LAMP5 E SKIDA1 PARA PREDIÇÃO DE KMT2A-R EM LEUCEMIAS LINFOBLÁSTICAS AGUDAS

M Emerenciano, ES Costa, MT Schramm, CB Blunck et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

VALIDAÇÃO DOS BIOMARCADORES LAMP5 E SKIDA1 PARA PREDIÇÃO DE KMT2A-R EM LEUCEMIAS LINFOBLÁSTICAS AGUDAS

M Emerenciano, ES Costa, MT Schramm, CB Blunck, Thais G. Ferraz, MM Lins, Gabriel C. S. Simões, Bruno Douglas Pereira Lopes
article en

Abstract

As leucemias agudas (LA) são neoplasias hematológicas agressivas, iniciadas a partir de alterações genéticas. Os rearranjos em KMT2A (KMT2A-r) são uma alteração comum em pacientes na idade precoce (menores que 2 anos) e ocorrem em ∼80% dos lactentes com leucemia linfoblástica aguda (LLA), ∼50% dos lactentes com leucemia mieloide aguda (LMA) e ∼10% dos pacientes com leucemia aguda de linhagem ambígua (LALA). Como os KMT2A-r podem ocorrer com mais de 100 parceiros de fusão diferentes, um biomarcador de diagnóstico é extremamente útil na determinação dessas alterações genéticas. A detecção da expressão de CSPG4 (NG2) por citometria de fluxo tem sido amplamente empregada para predizer se os pacientes apresentam KMT2A-r. No entanto, pesquisas prévias indicaram a ocorrência de resultados falso-negativos associados ao uso desse biomarcador. Assim, um estudo recente realizado por nosso grupo utilizou o método de aprendizado de máquina e identificou que os genes LAMP5 e SKIDA1 podem ser biomarcadores ainda mais precisos para a predição de KMT2A-r. Validar os biomarcadores LAMP5 e SKIDA1 como alternativas mais eficientes que o CSPG4 para a predição de KMT2A-r em leucemias agudas. Usamos o banco de dados TARGET-ALL-P2 para a validação, usando o ambiente R para as análises de dados, onde fizemos uma análise de expressão diferencial. Utilizaremos uma segunda série de casos do GenLAb de pacientes diagnosticados com LLA entre 2017–2026. Será determinado o status mutacional de KMT2A através da técnica de FISH e RNA-seq e também avaliaremos os níveis transcricionais de LAMP5, SKIDA1 e CSPG4 por RNA-seq. Foram incluídos 407 casos do TARGET, sendo 146 do sexo feminino e 261 masculino. Destes, a proporção de pacientes com LLA-B foi de 44% e a de LLA-T 56%. Com isso, separamos os pacientes em dois grupos: com KMT2A-r (n = 15) e KMT2A-WT (n = 392). Foi encontrado 631 genes superexpressos e 1318 baixo expressos e determinamos os 10 genes mais diferencialmente expressos (SMAD9, RNF220, CPEB2, SUPT3H, SLC38A11, MYO6, PDCD6IPP1, PRELID3BP7, PDCD6IPP2, C1QTNF7- AS1). Em seguida, definimos a diferença de expressão entre os grupos, ambos os genes SKIDA1 (p = 1.7e-9) e LAMP5 (p = 0.0084) foram significativamente superexpressos no grupo KMT2A-r em comparação com KMT2A-WT e não foi observada diferença de expressão significativa em CSPG4 (p = 0.96). Além disso, avaliamos a performance dos biomarcadores e foi observado que SKIDA1 (AUC: 0.959) e LAMP5 (AUC: 0.719) performaram melhor que CSPG4 (AUC: 0.480). Ainda, os valores preditivos (VPP, VPN) foram calculados para cada biomarcador respectivamente, SKIDA1 (0.074; 1), LAMP5 (0.064; 0.99) e CSPG4 (0.035; 0.96). Os resultados preliminares obtidos a partir da série de casos do TARGET sugerem que LAMP5 e SKIDA1 apresentam desempenho promissor na predição de rearranjos em KMT2A, possivelmente superando o biomarcador tradicional CSPG4. A análise de expressão diferencial, associada à avaliação por curvas ROC e métricas preditivas, reforça o potencial desses genes como marcadores diagnósticos. No entanto, a validação definitiva requer a análise da série de casos do laboratório, que está em andamento, para confirmar a robustez e a aplicabilidade clínica desses achados.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR), Eletrobras (Brazil) (BR), Hemorio (BR), Pro Criança Cardíaca (BR), Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (BR), Instituto Nacional de Câncer - INCA (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Acute Myeloid Leukemia Research
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