ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE FERRO NO MARANHÃO: UM PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO, 2014-2024
A Organização Mundial da Saúde reconhece que a deficiência de ferro e a anemia ferropriva são as principais deficiências nutricionais em todo o mundo, com 30% da população sendo afetada por essas condições. Descrever o perfil epidemiológico das internações por anemia causadas por deficiência de ferro na população maranhense. Trata-se de um estudo descritivo com dados do número de internações entre o período de 2014 a 2024 disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram avaliadas as variáveis sexo, faixa etária e cor/raça. Os dados foram tabulados no programa Excel e analisados em formato de proporção. Por serem dados secundários de domínio público, dispensa-se a aprovação de Comitê de Ética em Pesquisa. No Brasil, no período de 2014 a 2024, foram notificados 135.980 casos de anemia por deficiência de ferro. No Maranhão, foram notificadas 3.982 internações (2,93%), dos casos notificados no período, com 2.310 sendo do sexo feminino (58%) e 1.672, do sexo masculino (42%). A faixa etária predominante foi a de 20 a 39 anos (23,68%), e a cor/raça parda apresentou o maior número de casos (60,69%). O ferro desempenha um papel fundamental em muitos processos fisiológicos, incluindo a produção de energia, o transporte de oxigênio pela hemoglobina nos glóbulos vermelhos, a síntese de DNA e as reações de oxirredução. No presente estudo, as faixas etárias mais prevalentes foram os adultos, embora não haja diferença significativa de proporção entre as faixas etárias analisadas; segundo a OMS, a anemia ferropriva é mais comum em crianças. A maior prevalência no sexo feminino possui consequências substanciais para a saúde da mulher, incluindo diminuição da capacidade de trabalho e produtividade, bem como impacto negativo na gestação. Segundo o Global Burden of Diseases Study (2017), a deficiência de ferro é a quarta causa de anos vividos com incapacidade entre as mulheres. O maior número de casos foi em pardos, condizente com a formação da população maranhense e com a literatura que enfatiza que este tipo de anemia se desenvolve principalmente em pretos e pardos. Porém, houve um grande número de casos sem informação, o que representa uma limitação ao avaliar essa variável. Os dados apresentados demonstraram que a anemia por deficiência de ferro no Maranhão, no período de 10 anos, ocorreu predominantemente em pacientes em faixa etária adulta, do sexo feminino e pardos.
Authors
- Luciana Martins de Arruda Andrade (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0409-5794)
- Betuel Gomes da Silva (ORCID: https://orcid.org/0009-0002-4834-0859)
- Fernando Sergio Leitão Filho (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0064-7002)
- MM Sampaio
- Larissa Kelly Rodrigues Lopes
- SCM Monteiro
- Alcindo F. Ferreira
- LMA Pereira
Institutions
- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (BR)
- Centro Universitário UNINOVAFAPI (BR)
- Universidade Federal do Sul da Bahia (BR)
- Universidade Ceuma (BR)
- Universidade Federal do Delta do Parnaíba
- Universidade Federal do Maranhão (BR)
- Gas Technology Institute (US)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104068
- Primary Topic
- Iron Metabolism and Disorders
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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