HIPEREOSINOfiLIA SECUNDÁRIA A SARCOMA DE KAPOSI - UM RELATO DE CASO

A hipereosinofilia é definida pela contagem de eosinófilos persistentemente superior a 1.5 × 10^9/L no sangue periférico. Esta condição pode associar- se a dano tecidual e diversas etiologias como doenças alérgicas, parasitárias, autoimunes, hematológicas e farmacodermias. A síndrome hipereosinofílica idiopática configura um diagnóstico de exclusão. Homem de 56 anos, com antecedente de transplante cardíaco por miocardiopatia chagásica, em uso de imunossupressores - tacrolimus, micofenolato e prednisona - foi internado por quadro de dispneia com piora de classe funcional e tosse produtiva. A investigação inicial evidenciou hipereosinofilia e adenomegalia generalizada de natureza indeterminada, bem como derrame pleural moderado e unilateral. A análise do líquido pleural mostrou exsudato rico em linfócitos (38%) e eosinófilos (14%); sem detecção de células linfóides atípicas à imunofenotipagem. A propedêutica medular revelou série granulocítica hipercelular com eosinofilia (25,5%), sem alterações displásicas. O paciente recebeu tratamento antiparasitário empírico à admissão e foram pesquisadas e excluídas infecções virais, fúngicas e micobacterioses. Foi realizada biópsia de linfonodo inguinal, cujo anatomopatológico e imunohistoquímica mostraram proliferação vascular e positividade para Herpes Vírus Humano 8 compatíveis com sarcoma de Kaposi. O sarcoma de Kaposi é uma neoplasia originada no endotélio dos vasos sanguíneos e linfáticos, que guarda estreita relação com HHV-8 em todas as suas formas. A doença classicamente acomete pacientes imunossuprimidos, como os infectados pelo vírus HIV na fase AIDS e os transplantados de órgãos em uso de imunossupressores. A associação entre hipereosinofilia e sarcoma de Kaposi pode ser explicada pelo aumento dos níveis circulantes de imunoglobulina E¹. A potente ativação de mastócitos e eosinófilos via IgE é descrita na literatura médica como um componente do microambiente inflamatório observado na proliferação angiovascular do sarcoma de kaposi. O caso clínico descreve uma apresentação hematológica e incomum do sarcoma de Kaposi. Ainda não é totalmente compreendida a relação entre a hipereosinofilia e esta neoplasia, mas a resposta parece fundamentar-se nas alterações inflamatórias que contribuem para a fisiopatogênese da doença.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104282
Primary Topic
Eosinophilic Disorders and Syndromes
Type
article
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HIPEREOSINOfiLIA SECUNDÁRIA A SARCOMA DE KAPOSI - UM RELATO DE CASO

Jorge R. Torga, Leila Chaves Cunha, LPG Gomes, Tales Furtado de Almeida Santos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Eosinophilic Disorders and Syndromes
article

HIPEREOSINOfiLIA SECUNDÁRIA A SARCOMA DE KAPOSI - UM RELATO DE CASO

Jorge R. Torga, Leila Chaves Cunha, LPG Gomes, Tales Furtado de Almeida Santos, B Adriana María Correa, IFM Vasconcelos, PCS Pontes, CRC Pires, Inês Guimarães da Silveira
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Abstract

A hipereosinofilia é definida pela contagem de eosinófilos persistentemente superior a 1.5 × 10^9/L no sangue periférico. Esta condição pode associar- se a dano tecidual e diversas etiologias como doenças alérgicas, parasitárias, autoimunes, hematológicas e farmacodermias. A síndrome hipereosinofílica idiopática configura um diagnóstico de exclusão. Homem de 56 anos, com antecedente de transplante cardíaco por miocardiopatia chagásica, em uso de imunossupressores - tacrolimus, micofenolato e prednisona - foi internado por quadro de dispneia com piora de classe funcional e tosse produtiva. A investigação inicial evidenciou hipereosinofilia e adenomegalia generalizada de natureza indeterminada, bem como derrame pleural moderado e unilateral. A análise do líquido pleural mostrou exsudato rico em linfócitos (38%) e eosinófilos (14%); sem detecção de células linfóides atípicas à imunofenotipagem. A propedêutica medular revelou série granulocítica hipercelular com eosinofilia (25,5%), sem alterações displásicas. O paciente recebeu tratamento antiparasitário empírico à admissão e foram pesquisadas e excluídas infecções virais, fúngicas e micobacterioses. Foi realizada biópsia de linfonodo inguinal, cujo anatomopatológico e imunohistoquímica mostraram proliferação vascular e positividade para Herpes Vírus Humano 8 compatíveis com sarcoma de Kaposi. O sarcoma de Kaposi é uma neoplasia originada no endotélio dos vasos sanguíneos e linfáticos, que guarda estreita relação com HHV-8 em todas as suas formas. A doença classicamente acomete pacientes imunossuprimidos, como os infectados pelo vírus HIV na fase AIDS e os transplantados de órgãos em uso de imunossupressores. A associação entre hipereosinofilia e sarcoma de Kaposi pode ser explicada pelo aumento dos níveis circulantes de imunoglobulina E¹. A potente ativação de mastócitos e eosinófilos via IgE é descrita na literatura médica como um componente do microambiente inflamatório observado na proliferação angiovascular do sarcoma de kaposi. O caso clínico descreve uma apresentação hematológica e incomum do sarcoma de Kaposi. Ainda não é totalmente compreendida a relação entre a hipereosinofilia e esta neoplasia, mas a resposta parece fundamentar-se nas alterações inflamatórias que contribuem para a fisiopatogênese da doença.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (BR)
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Eosinophilic Disorders and Syndromes
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