MENTALIDADE E ATITUDES FRENTE ÀS PESSOAS COM HEMOFILIA A APÓS A INTRODUÇÃO DE EMICIZUMABE IMPRESSÕES DA EQUIPE DE SUPORTE BIOPSICOSSOCIAL
Até recentemente, o tratamento da hemofilia A consistia em repor fator VIII ou agentes de by-pass (se inibidor positivo) para tratar (demanda) ou evitar (profilaxia) sangramentos, baseado em infusões intravenosos várias vezes por semana. O emicizumabe surgiu como uma alternativa na profilaxia, mostrando superioridade frente aos produtos anteriores para evitar sangramentos em pessoas com hemofilia A (PcHA) sem e com inibidores. A administração é subcutânea com doses semanais a mensais. Essa mudança na efetividade e na posologia tem sido acompanhada de uma readaptação das orientações às PcHA acerca da doença e do manejo terapêutico. Este estudo buscou compreender a percepção de enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, aqui denominados equipe de suporte biopsicossocial (esBPS), atuantes em diferentes centros de tratamento de hemofilia no Brasil, quanto às mudanças de mentalidade e comportamento decorrentes da introdução do emicizumabe. Este estudo exploratório e quantitativo começou em julho/2021. A partir da discussão da literatura sobre o tema, uma esBPS (n = 5) enumerou os principais pontos do suporte biopsicossocial prestado à PcHA que poderiam ser impactados com a introdução da profilaxia com emicizumabe. Em janeiro/2024, após maior experiência com a terapia, esses pontos foram mantidos e transformados em afirmativas validadas por profissionais não envolvidos com o projeto. Entre 5 e 30/07/2024, profissionais das esBPS foram convidados para participar e, mediante aceite, receberam um formulário envolvendo 27 afirmativas para serem avaliadas quanto à concordância em uma escala de Likert: discordo totalmente e discordo parcialmente (agrupados como discordo), não discordo nem concordo (neutro), e concordo parcialmente e concordo totalmente (agrupados como concordo). Uma pergunta alternativa solicitou que selecionassem o desfecho mais adequado para ser avaliado na profilaxia com emicizumabe. Dos 52 profissionais convidados, 32 (62%) responderam a enquete, com representatividade semelhante entre enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. A mediana de tempo de atendimento às PcHA foi 10 anos (amplitude 1-47), com 15 atendimentos/semana (amplitude 1-57). Todos concordaram que é importante que a PcHA em uso de emicizumabe tenha autonomia e liberdade para participar da decisão da melhor terapia a ser instituída. A maior parte (85%) concordou que a frequência de consultas (rotina e urgência) foi reduzida e que um modelo alternativo (por exemplo, consultas online) junto com o convencional seria importante para garantir a autonomia e a liberdade que o tratamento proporciona. A maioria também concordou que a equipe interdisciplinar deva elaborar novos métodos de garantir o treinamento e a compreensão pela PcHA sobre reconhecimentos de sangramentos (85%), mantendo-se o treinamento de obtenção de acesso venoso para tratar sangramentos (85%). O indicador mais importante foi qualidade de vida (21%). Finalmente, todos concordaram que a PcHA deva ser instruída quanto ao risco da associação do emicizumabe com medicamentos (por exemplo, complexo protrombínico parcialmente ativado). Existe uma necessidade de adaptação de modelo assistencial atual à PcHA após a introdução da nova terapia. Portanto, a presença ativa e qualificada da esBPS é indispensável para o sucesso terapêutico, contribuindo para uma assistência mais segura, humanizada e eficaz no apoio à saúde da PcHA na profilaxia com emicizumabe.
Authors
- Vítor Monteiro Moraes (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3540-7818)
- Nicole de Paula (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0083-7030)
- Amary Nascimento (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2729-9324)
- BM Prucoli
- NCM Costa
- Ednílson Viana (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8483-4082)
- Mariah Azevedo Aredes (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8752-1719)
- Roberta Fabiana Abbad
- APM Moraes
- Gonçalo Cunha (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0111-0661)
- A Oliver
- Rubens Duarte Coelho (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0472-8301)
- AF Silva (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3343-9530)
- Marcela Ganzella Sisdelli
- Renata Kelly Mendes (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8329-5518)
- Marina Celly Martins Ribeiro de Souza (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3503-4038)
- TO Rebouças
- J Alvares-Teodoro
- RM Camelo
- Edna Maria de Araújo (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1643-2054)
- Eduardo J. Salustiano (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5572-6130)
- A Furtado
- Ana Luiza Drumond‐Bock (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3555-7741)
- S Frichembruder
- C Stephanes
- Pedro Ramos (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2539-2501)
- MARIA SINARA COSTA DE ASSUNÇÃO
- M. Galindo Abrantes
- K Mendes-Lucio
- LM Cansian
- S Dantas-Silva
- M Lucia-Paula
- L Tofole
- S Saragosa
Institutions
- Universidade Federal de Juiz de Fora (BR)
- Hemorio (BR)
- Universidade Vale do Rio Doce (BR)
- Fundação Hemopa (BR)
- Hospital Estadual Centra (BR)
- Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
- Centro Universitário Academia (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105305
- Primary Topic
- Healthcare during COVID-19 Pandemic
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00