FATORES CLÍNICOS ASSOCIADOS AO ÓBITO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 107 CASOS

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação anormal de células hematopoiéticas da linhagem mieloide. A LMA possui diferentes manifestações clínicas e biológicas, a identificação de fatores associados ao desfecho clínico pode contribuir para a estratificação de risco e aprimoramento das condutas terapêuticas. Investigar variáveis clínicas associadas ao óbito em pacientes com LMA atendidos em um hospital de referência em onco-hematologia. Estudo retrospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, com 107 pacientes diagnosticados com LMA. Foram coletados dados clínico-laboratoriais por meio da revisão de prontuários eletrônicos (sistema Philips Tasy), incluindo: idade ao diagnóstico, histórico oncológico prévio, comorbidades, sintomas (sudorese noturna, perda de peso, fadiga, febre, achados hemorrágicos), infecções, infiltração extramedular, tratamento inicial e desfecho clínico. Também foram registrados dados laboratoriais como contagem de leucócitos, hemoglobina, plaquetas e porcentagem de blastos no momento do diagnóstico. As variáveis categóricas foram organizadas como SIM ou NÃO. A análise estatística incluiu teste qui-quadrado para verificar associação entre variáveis clínicas e óbito. Variáveis com p < 0,2 foram incluídas em modelo de regressão logística multivariada. A média da leucometria ao diagnóstico foi de 48.382/mm 3 , hemoglobina 8,5 g/dL e contagem de plaquetas 59.848/mm 3 . Pacientes com histórico oncológico representaram 13,1% dos casos totais. Os sintomas mais prevalentes na apresentação clínica foram fadiga (56,0%), perda de peso (40,7%), achados hemorrágicos (39,8%) e febre (35,2%). Os subtipos mais frequentes foram Leucemia Promielocítica (26,7%) e Leucemia Mielomonocítica (21,0%). O tratamento inicial com Citarabina + Daunorrubicina foi utilizado em 52,4% dos casos, enquanto o protocolo com ATRA foi usado em 21,0% e outras abordagens terapêuticas em 26,6%. As infecções observadas foram majoritariamente associadas a bactérias hospitalares, especialmente nos pacientes que evoluíram a óbito. Na análise univariada, as variáveis comorbidades (p = 0,002), infecções (p = 0,01) e TMO (p = 0,168) apresentaram associação significativa com óbito. Essas variáveis foram incluídas no modelo de regressão logística multivariada. Na análise ajustada, a presença de comorbidades (p = 0,008) e infecções (p = 0,011) aumentou significativamente a chance de óbito, enquanto a realização de TMO esteve associada à redução do risco (p = 0,029). Os demais sintomas avaliados, assim como os subtipos de LMA, não demonstraram associação estatisticamente significativa com o desfecho após ajuste. Apesar de não incluídos na regressão, os dados laboratoriais e o tratamento inicial ajudam a traçar o perfil clínico da amostra e podem ser explorados em análises futuras. A presença de comorbidades e infecções esteve associada ao aumento da mortalidade em pacientes com LMA, enquanto o TMO esteve relacionado à redução do risco de óbito. Estes achados reforçam a importância da abordagem precoce de complicações clínicas e destacam o potencial impacto do transplante na melhora dos desfechos desses pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104543
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

FATORES CLÍNICOS ASSOCIADOS AO ÓBITO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 107 CASOS

Bianca Kusma, FCM Santos, MP Beltrame, EC Munhoz et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

FATORES CLÍNICOS ASSOCIADOS AO ÓBITO EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 107 CASOS

Bianca Kusma, FCM Santos, MP Beltrame, EC Munhoz, JSDH Farias, Dalila Lucíola Zanette, Masashi Aoki, EB Mendes, Denise Kusma Wosniaki, SA Golgher
article en

Abstract

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação anormal de células hematopoiéticas da linhagem mieloide. A LMA possui diferentes manifestações clínicas e biológicas, a identificação de fatores associados ao desfecho clínico pode contribuir para a estratificação de risco e aprimoramento das condutas terapêuticas. Investigar variáveis clínicas associadas ao óbito em pacientes com LMA atendidos em um hospital de referência em onco-hematologia. Estudo retrospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, com 107 pacientes diagnosticados com LMA. Foram coletados dados clínico-laboratoriais por meio da revisão de prontuários eletrônicos (sistema Philips Tasy), incluindo: idade ao diagnóstico, histórico oncológico prévio, comorbidades, sintomas (sudorese noturna, perda de peso, fadiga, febre, achados hemorrágicos), infecções, infiltração extramedular, tratamento inicial e desfecho clínico. Também foram registrados dados laboratoriais como contagem de leucócitos, hemoglobina, plaquetas e porcentagem de blastos no momento do diagnóstico. As variáveis categóricas foram organizadas como SIM ou NÃO. A análise estatística incluiu teste qui-quadrado para verificar associação entre variáveis clínicas e óbito. Variáveis com p < 0,2 foram incluídas em modelo de regressão logística multivariada. A média da leucometria ao diagnóstico foi de 48.382/mm 3 , hemoglobina 8,5 g/dL e contagem de plaquetas 59.848/mm 3 . Pacientes com histórico oncológico representaram 13,1% dos casos totais. Os sintomas mais prevalentes na apresentação clínica foram fadiga (56,0%), perda de peso (40,7%), achados hemorrágicos (39,8%) e febre (35,2%). Os subtipos mais frequentes foram Leucemia Promielocítica (26,7%) e Leucemia Mielomonocítica (21,0%). O tratamento inicial com Citarabina + Daunorrubicina foi utilizado em 52,4% dos casos, enquanto o protocolo com ATRA foi usado em 21,0% e outras abordagens terapêuticas em 26,6%. As infecções observadas foram majoritariamente associadas a bactérias hospitalares, especialmente nos pacientes que evoluíram a óbito. Na análise univariada, as variáveis comorbidades (p = 0,002), infecções (p = 0,01) e TMO (p = 0,168) apresentaram associação significativa com óbito. Essas variáveis foram incluídas no modelo de regressão logística multivariada. Na análise ajustada, a presença de comorbidades (p = 0,008) e infecções (p = 0,011) aumentou significativamente a chance de óbito, enquanto a realização de TMO esteve associada à redução do risco (p = 0,029). Os demais sintomas avaliados, assim como os subtipos de LMA, não demonstraram associação estatisticamente significativa com o desfecho após ajuste. Apesar de não incluídos na regressão, os dados laboratoriais e o tratamento inicial ajudam a traçar o perfil clínico da amostra e podem ser explorados em análises futuras. A presença de comorbidades e infecções esteve associada ao aumento da mortalidade em pacientes com LMA, enquanto o TMO esteve relacionado à redução do risco de óbito. Estes achados reforçam a importância da abordagem precoce de complicações clínicas e destacam o potencial impacto do transplante na melhora dos desfechos desses pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Hospital Erasto Gaertner (BR), Fundação Carlos Chagas (BR), Fundação Oswaldo Cruz (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Acute Myeloid Leukemia Research
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