POSTO AVANÇADO DE COLETA EXTERNA (PACE) COMO ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO E INTERIORIZAÇÃO DA HEMOTERAPIA: EXPERIÊNCIA E DESAFIOS NO CONTEXTO DO SUS
A hemoterapia é um componente essencial da assistência à saúde, garantindo a disponibilidade de hemocomponentes seguros e de qualidade para pacientes que necessitam de transfusão. No Brasil, a Política Nacional de Sangue, Componentes e Hemoderivados, regulamentada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estabelece diretrizes para a captação, processamento e distribuição de sangue, com foco na autossuficiência e na segurança transfusional. A cobertura hemoterápica, entretanto, enfrenta desafios em regiões distantes de grandes centros urbanos, onde a logística de transporte e a dispersão geográfica dificultam o acesso da população aos serviços de coleta e transfusão. Nesse cenário, os Postos Avançados de Coleta Externa (PACE) surgem como estratégia de interiorização, aproximando o serviço de doação voluntária de sangue dos doadores, sem a necessidade de implantação imediata de estruturas complexas como hemocentros ou unidades de processamento, cuja criação é atualmente inviabilizada pela legislação vigente. Analisar estratégias de ampliação da cobertura hemoterápica em regiões afastadas de hemocentros de referência, à luz das restrições legais que inviabilizam a criação de novos hemocentros e hemonúcleos. Identificar desafios operacionais, estruturais e de gestão na implementação de serviços descentralizados de coleta e distribuição de sangue. Discutir contribuições dessas estratégias para a descentralização e a autossuficiência em hemocomponentes no SUS. Estudo descritivo e analítico, de abordagem qualitativa, baseado em: Revisão de documentos institucionais e normativos relacionados à organização da rede hemoterápica; Observação direta de rotinas em unidades de coleta descentralizadas - PACE; Análise de registros técnicos e relatórios de monitoramento operacional. As estratégias de interiorização mostraram potencial para aproximar o serviço de doação de sangue das comunidades, fortalecendo vínculos e ampliando a participação de doadores regulares. Observou-se que a presença física de unidades descentralizadas contribui para o aumento da adesão e para a maior disponibilidade de estoques locais, o que repercute positivamente na agilidade do atendimento transfusional. No entanto, a legislação vigente, ao não permitir a criação de novos hemocentros e hemonúcleos, impõe limites à expansão da capacidade instalada, exigindo que novas iniciativas se apoiem em modelos alternativos de coleta e distribuição. Essa dependência de unidades processadoras centrais traz desafios logísticos, aumenta custos e demanda coordenação permanente entre as partes envolvidas. A sustentabilidade dessas estratégias requer investimentos contínuos em capacitação de pessoal, adequação da infraestrutura, fidelização de doadores e integração efetiva com a rede hemoterápica estadual. O papel dos gestores municipais e estaduais é determinante para viabilizar recursos e garantir suporte técnico e institucional. O PACE demonstrou ser uma alternativa viável para municípios distantes de hemocentros de referência, promovendo não apenas maior captação de doadores, mas também fortalecendo o vínculo da comunidade com a causa da doação voluntária. A análise dos registros institucionais da F.H demonstrou, que nos últimos 07 anos, os PACEs de Muriaé e Lavras apresentaram o maior comparecimento e de doadores aptos entre as unidades regionais avaliadas, sendo 15.196 e 16.600 doadores aptos, evidenciando a efetividade das estratégias de interiorização adotadas.
Authors
- JPP Azevedo
- MJSP Trancoso
- VAG Bento
- CE Oliveira
- FCC Piassi
Institutions
- Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105311
- Primary Topic
- Blood donation and transfusion practices
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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