LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA ASSOCIADA AO REARRANJO FGFR1: RELATO DE CASO

Neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo gene receptor 1 do fator de crescimento do fibroblasto (FGFR1) compreendem um grupo agressivo e raro de doenças onco-hematológicas. Origina-se da translocação do cromossomo 8p11.2 podendo se manifestar de forma heterogênea como leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica aguda B ou T, leucemia bifenotípica aguda ou neoplasia mieloproliferativa crônica com eosinofilia. Tal discrepância fenotípica deve-se aos diferentes genes de fusão associados ao FGFR1. Por exemplo, translocações envolvendo o gene BCR são associadas a leucemia linfoblástica aguda B, enquanto translocações com o gene ZMYM2 levam a leucemia linfoblástica T. MS, masculino, 67 anos, internado para tratamento de pneumonia, evolui com 31% de blastos em sangue periférico. Diagnosticado com leucemia mieloide aguda em setembro de 2024. Inicialmente, mielograma evidenciou hipercelularidade de série granulocítica com eosinofilia e imunofenotipagem com 9% de blastos mieloides típicos. Cariotipo realizado na mesma ocasião demonstrou cariótipo complexo incluindo ganho do cromossomo 8 e deleção de parte do braço curto do cromossomo 8. De forma concordante, o resultado do FISH detectou 3 cópias dos genes RUNX1T1 (cromossomo 8) e PML (cromossomo 15) em 99% dos núcleos analisados. Tendo em vista resultados, avaliação complementar com painel NGS evidenciou fusão dos genes PML-FGFR1 e FISH para PDGFRA/PDGFRB/FGFR1 realizado em sangue periférico detectou 3 cópias da região D8Z2 e ganho de uma cópia do gene FGFR1 com rearranjo do gene (cromossomo 8) em 95% dos núcleos analisados. Paciente realizou tratamento oncológico com azacitidina e venetoclax, atingindo remissão citomorfológica e doença residual mensurável indetectável ao término do primeiro ciclo. Encaminhado para avaliação de transplante alogênico de medula óssea, o qual foi realizado após 5 ciclos. Evoluiu a óbito de complicações do procedimento. Devido a heterogeneidade clínica, o diagnóstico de neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo FGFR1 pode ser atrasado ou erroneamente classificado. Anormalidades associadas ao FGFR1 podem ocorrer a despeito de eosinofilia, dificultando a hipótese clínica. Avaliação por FISH deve ser realizada em pacientes com a translocação do 8p para confirmação do rearranjo FGFR1. Não há terapia de indução padrão estabelecida e estudos sugerem possível resistência do rearranjo FGFR1 a quimioterapia nas neoplasias mieloides. Ponatinib, um inibidor de tirosina quinase de terceira geração possui alta afinidade pelo rearranjo FGFR1, sendo uma opção de tratamento associada a quimioterapia para possibilitar o transplante alogênico de medula óssea. Mais estudos são necessários para determinar a melhor combinação do Ponatinib com quimioterapia e até mesmo o uso como terapia de manutenção em contexto pós transplante. A leucemia mieloide aguda com rearranjo FGFR1 é uma doença rara e agressiva. Assertividade do diagnóstico é de suma importância tendo em vista que, até a presente data, a única possibilidade de cura destes pacientes é o transplante alogênico de medula óssea.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104584
Primary Topic
Eosinophilic Disorders and Syndromes
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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ALL TIME
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LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA ASSOCIADA AO REARRANJO FGFR1: RELATO DE CASO

LL Perruso, Camila da Silva Rodrigues, Erica Rego, PP Neffá et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Eosinophilic Disorders and Syndromes
article

LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA ASSOCIADA AO REARRANJO FGFR1: RELATO DE CASO

LL Perruso, Camila da Silva Rodrigues, Erica Rego, PP Neffá, Lília Nigro Maia, Rafaela Nalesso, Bianca Lemos, C Lins Gil de Farias, GL de Aquino Revoredo
article en

Abstract

Neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo gene receptor 1 do fator de crescimento do fibroblasto (FGFR1) compreendem um grupo agressivo e raro de doenças onco-hematológicas. Origina-se da translocação do cromossomo 8p11.2 podendo se manifestar de forma heterogênea como leucemia mieloide aguda, leucemia linfoblástica aguda B ou T, leucemia bifenotípica aguda ou neoplasia mieloproliferativa crônica com eosinofilia. Tal discrepância fenotípica deve-se aos diferentes genes de fusão associados ao FGFR1. Por exemplo, translocações envolvendo o gene BCR são associadas a leucemia linfoblástica aguda B, enquanto translocações com o gene ZMYM2 levam a leucemia linfoblástica T. MS, masculino, 67 anos, internado para tratamento de pneumonia, evolui com 31% de blastos em sangue periférico. Diagnosticado com leucemia mieloide aguda em setembro de 2024. Inicialmente, mielograma evidenciou hipercelularidade de série granulocítica com eosinofilia e imunofenotipagem com 9% de blastos mieloides típicos. Cariotipo realizado na mesma ocasião demonstrou cariótipo complexo incluindo ganho do cromossomo 8 e deleção de parte do braço curto do cromossomo 8. De forma concordante, o resultado do FISH detectou 3 cópias dos genes RUNX1T1 (cromossomo 8) e PML (cromossomo 15) em 99% dos núcleos analisados. Tendo em vista resultados, avaliação complementar com painel NGS evidenciou fusão dos genes PML-FGFR1 e FISH para PDGFRA/PDGFRB/FGFR1 realizado em sangue periférico detectou 3 cópias da região D8Z2 e ganho de uma cópia do gene FGFR1 com rearranjo do gene (cromossomo 8) em 95% dos núcleos analisados. Paciente realizou tratamento oncológico com azacitidina e venetoclax, atingindo remissão citomorfológica e doença residual mensurável indetectável ao término do primeiro ciclo. Encaminhado para avaliação de transplante alogênico de medula óssea, o qual foi realizado após 5 ciclos. Evoluiu a óbito de complicações do procedimento. Devido a heterogeneidade clínica, o diagnóstico de neoplasias mieloides/linfoides com rearranjo FGFR1 pode ser atrasado ou erroneamente classificado. Anormalidades associadas ao FGFR1 podem ocorrer a despeito de eosinofilia, dificultando a hipótese clínica. Avaliação por FISH deve ser realizada em pacientes com a translocação do 8p para confirmação do rearranjo FGFR1. Não há terapia de indução padrão estabelecida e estudos sugerem possível resistência do rearranjo FGFR1 a quimioterapia nas neoplasias mieloides. Ponatinib, um inibidor de tirosina quinase de terceira geração possui alta afinidade pelo rearranjo FGFR1, sendo uma opção de tratamento associada a quimioterapia para possibilitar o transplante alogênico de medula óssea. Mais estudos são necessários para determinar a melhor combinação do Ponatinib com quimioterapia e até mesmo o uso como terapia de manutenção em contexto pós transplante. A leucemia mieloide aguda com rearranjo FGFR1 é uma doença rara e agressiva. Assertividade do diagnóstico é de suma importância tendo em vista que, até a presente data, a única possibilidade de cura destes pacientes é o transplante alogênico de medula óssea.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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