PERFIL ODONTOLÓGICO DE PACIENTES COM HEMOFILIA E DOENÇA DE VON WILLEBRAND NO INSTITUTO ESTADUAL DE HEMATOLOGIA ARTHUR DE SIQUEIRA CAVALCANTI (HEMORIO)

As coagulopatias hereditárias, como hemofilia A, hemofilia B e doença de von Willebrand (DvW), resultam de alterações nos fatores VIII, IX ou von Willebrand e representam mais de 95% dos diagnósticos. Nessas condições, procedimentos odontológicos, especialmente cirúrgicos, apresentam risco elevado de sangramento, exigindo manejo preventivo e acompanhamento especializado. Descrever o perfil odontológico, hábitos de higiene bucal e histórico de sangramentos orais em pacientes com hemofilia A, B e DvW. Material e métodos: Estudo prospectivo e transversal, realizado no Hemorio entre julho e dezembro de 2022 com 63 adultos diagnosticados com hemofilia A, B ou DvW. Aplicou-se questionário sobre higiene oral, histórico odontológico e sangramentos, seguido de exame clínico para registro do índice CPOD e do Índice de Sangramento Gengival (ISG), segundo critérios da OMS (1997). A análise estatística foi quantitativa e descritiva, realizada no software Microsoft Excel®. A hemofilia A foi mais prevalente (39,68%), seguida de DvW (38,10%) e hemofilia B (22,22%). Homens representaram 69,84% da amostra. A faixa etária mais frequente foi 21-30 anos (25,40%). Todos escovavam os dentes diariamente: 47,6% três vezes ao dia, 39,7% duas vezes e 12,7% quatro vezes ou mais. Higienização da língua foi relatada por 88,9% e uso de fio dental por 73%. Orientação de higiene bucal foi recebida por 73%, principalmente de dentistas (76,1%). Sangramento bucal foi relatado por 79,4%, e 44% necessitaram atendimento de urgência. Entre os que já haviam realizado extração dentária (82,5%), 69,2% relataram sangramento pós-procedimento. Durante o estudo, 26 pacientes realizaram extração e 15,38% apresentaram sangramento pós-operatório. O CPOD médio foi 7,6 e 95,2% não apresentaram sangramento gengival espontâneo (ISG). A prevalência de hemofilia A e o predomínio masculino estão de acordo com dados epidemiológicos, considerando o padrão genético ligado ao X. Os hábitos de higiene mostraram frequência de escovação satisfatória, mas o uso irregular do fio dental e a ausência de orientação em parte da amostra evidenciam lacunas na educação em saúde. O elevado percentual de sangramento bucal e a ocorrência de sangramento pós-extração reforçam a necessidade de protocolos preventivos e planejamento individualizado antes de procedimentos invasivos. O baixo ISG indica bom controle gengival, possivelmente relacionado à escovação regular. Já o CPOD médio de 7,6 revela perda dentária expressiva, possivelmente decorrente de barreiras no acesso ao atendimento odontológico especializado. Pacientes com hemofilia e DvW apresentam maior vulnerabilidade social, econômica e em saúde. O acompanhamento odontológico regular, aliado à educação em saúde e acesso a cuidados especializados, é essencial para prevenir eventos hemorrágicos e preservar dentes. A integração entre odontologia e hematologia é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105349
Primary Topic
Hemophilia Treatment and Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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PERFIL ODONTOLÓGICO DE PACIENTES COM HEMOFILIA E DOENÇA DE VON WILLEBRAND NO INSTITUTO ESTADUAL DE HEMATOLOGIA ARTHUR DE SIQUEIRA CAVALCANTI (HEMORIO)

Wagner Hespanhol, Ricardo Tavares Pinheiro, LCP Sousa
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemophilia Treatment and Research
article

PERFIL ODONTOLÓGICO DE PACIENTES COM HEMOFILIA E DOENÇA DE VON WILLEBRAND NO INSTITUTO ESTADUAL DE HEMATOLOGIA ARTHUR DE SIQUEIRA CAVALCANTI (HEMORIO)

Wagner Hespanhol, Ricardo Tavares Pinheiro, LCP Sousa
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Abstract

As coagulopatias hereditárias, como hemofilia A, hemofilia B e doença de von Willebrand (DvW), resultam de alterações nos fatores VIII, IX ou von Willebrand e representam mais de 95% dos diagnósticos. Nessas condições, procedimentos odontológicos, especialmente cirúrgicos, apresentam risco elevado de sangramento, exigindo manejo preventivo e acompanhamento especializado. Descrever o perfil odontológico, hábitos de higiene bucal e histórico de sangramentos orais em pacientes com hemofilia A, B e DvW. Material e métodos: Estudo prospectivo e transversal, realizado no Hemorio entre julho e dezembro de 2022 com 63 adultos diagnosticados com hemofilia A, B ou DvW. Aplicou-se questionário sobre higiene oral, histórico odontológico e sangramentos, seguido de exame clínico para registro do índice CPOD e do Índice de Sangramento Gengival (ISG), segundo critérios da OMS (1997). A análise estatística foi quantitativa e descritiva, realizada no software Microsoft Excel®. A hemofilia A foi mais prevalente (39,68%), seguida de DvW (38,10%) e hemofilia B (22,22%). Homens representaram 69,84% da amostra. A faixa etária mais frequente foi 21-30 anos (25,40%). Todos escovavam os dentes diariamente: 47,6% três vezes ao dia, 39,7% duas vezes e 12,7% quatro vezes ou mais. Higienização da língua foi relatada por 88,9% e uso de fio dental por 73%. Orientação de higiene bucal foi recebida por 73%, principalmente de dentistas (76,1%). Sangramento bucal foi relatado por 79,4%, e 44% necessitaram atendimento de urgência. Entre os que já haviam realizado extração dentária (82,5%), 69,2% relataram sangramento pós-procedimento. Durante o estudo, 26 pacientes realizaram extração e 15,38% apresentaram sangramento pós-operatório. O CPOD médio foi 7,6 e 95,2% não apresentaram sangramento gengival espontâneo (ISG). A prevalência de hemofilia A e o predomínio masculino estão de acordo com dados epidemiológicos, considerando o padrão genético ligado ao X. Os hábitos de higiene mostraram frequência de escovação satisfatória, mas o uso irregular do fio dental e a ausência de orientação em parte da amostra evidenciam lacunas na educação em saúde. O elevado percentual de sangramento bucal e a ocorrência de sangramento pós-extração reforçam a necessidade de protocolos preventivos e planejamento individualizado antes de procedimentos invasivos. O baixo ISG indica bom controle gengival, possivelmente relacionado à escovação regular. Já o CPOD médio de 7,6 revela perda dentária expressiva, possivelmente decorrente de barreiras no acesso ao atendimento odontológico especializado. Pacientes com hemofilia e DvW apresentam maior vulnerabilidade social, econômica e em saúde. O acompanhamento odontológico regular, aliado à educação em saúde e acesso a cuidados especializados, é essencial para prevenir eventos hemorrágicos e preservar dentes. A integração entre odontologia e hematologia é fundamental para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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