PRÁTICAS EFICAZES DE GESTÃO DE ESTOQUES PARA O ABASTECIMENTO DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS: UM ESTUDO EM BANCO DE SANGUE COM ESTRUTURA DESCENTRALIZADA

Gerenciar o estoque de hemocomponentes em serviços com perfil descentralizado é um desafio constante, especialmente pela necessidade de equilibrar o abastecimento eficaz com a minimização de desperdícios e logística viável. Este estudo avaliou a implantação de ferramentas e planilhas de controle sobre a evolução do gerenciamento de estoque através do monitoramento das saídas extras e descarte de hemocomponentes. Foram desenvolvidas ferramentas online que monitoram a produção, estoque, transferências e desprezo em todos os sites da instituição. Além disso, foi implementado 3 tipos de atendimento: Estoque Programado: segue o cronograma estabelecido pela instituição; Estoque Crítico: quando o estoque é insuficiente até o próximo abastecimento e o atendimento deve ocorrer em até 1 dia útil; Urgência: necessidade imediata para atendimento de paciente específico. Segue os passos do modelo de gestão utilizado: 1) Após a liberação dos hemocomponentes, os dados são registrados na Planilha de Estoque do Processamento. 2) Com base na média transfusional dos últimos três meses e o seu estoque atual, a planilha Estoque Diário e Abastecimento Semanal de cada agência calcula a quantidade de hemocomponentes que deve ser abastecida pelo processamento. 3) O estoque da agência é atualizado diariamente com o tipo de hemocomponente e tempo de validade. 4) Diante da queda no estoque, a solicitação de estoque crítico é realizada e se necessário o remanejamento de agência com hemocomponente para vencer. O monitoramento mensal de quantidade de estoque crítico e urgências, transfusões e desprezos, permite o reajuste do estoque programado visando evitar o desabastecimento, sobrecarga no transporte e desprezo excessivo. Foi realizado levantamento de dados retroativo de 2 períodos: 1° fase, de julho a dezembro de 2024, período no qual as ferramentas ainda não estavam totalmente implantadas; 2° período, de janeiro a junho de 2025, onde as ferramentas de gestão estavam sendo aplicadas. Na 1° fase foram atendidas uma média de 58 agências transfusionais, as quais receberam neste período aproximadamente 55.713 CHs. Essa distribuição ocorreu por meio de estoque programado, que foi uma média de 8 estoques por agência transfusional por mês, e por atendimentos extras (estoque crítico + urgência) que ocorreu em média de 8 por agência transfusional por mês. Neste período, do total de CHs recebido nas agências 1,7% foi desprezado por validade. Na segunda fase tivemos um aumento para 61 agências atendidas que receberam aproximadamente 78.434 CHs. Foi observado a mesma quantidade de estoque programado que na 1° fase, porém observamos uma redução nos atendimentos extras para 6,7 saídas por agência por mês. O desprezo mostrou-se um pouco mais baixo do na 1° fase, ficando em torno de 1,3%. Os resultados demonstram que as ações implantadas permitiram um melhor dimensionamento do estoque programado sem aumento do desprezo e com importante redução nos atendimentos extra, o que representou aproximadamente redução de 79 saídas extras por mês. Os atendimentos extras, além de impactar na programação e gestão do estoque pelo processamento, sobrecarregam a logística. Sendo assim, as ferramentas de controle implantadas mostraram-se eficazes para o gerenciamento de estoque, contribuindo para maior previsibilidade, redução de saídas extras e identificação de pontos de melhoria.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106070
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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PRÁTICAS EFICAZES DE GESTÃO DE ESTOQUES PARA O ABASTECIMENTO DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS: UM ESTUDO EM BANCO DE SANGUE COM ESTRUTURA DESCENTRALIZADA

FRM Latini, CB Costa, Ivy Ivanira de Oliveira, Afonso José Pereira Cortez et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

PRÁTICAS EFICAZES DE GESTÃO DE ESTOQUES PARA O ABASTECIMENTO DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS: UM ESTUDO EM BANCO DE SANGUE COM ESTRUTURA DESCENTRALIZADA

FRM Latini, CB Costa, Ivy Ivanira de Oliveira, Afonso José Pereira Cortez, D. L. de Paula, CP Arnoni, CM Almeida
article en

Abstract

Gerenciar o estoque de hemocomponentes em serviços com perfil descentralizado é um desafio constante, especialmente pela necessidade de equilibrar o abastecimento eficaz com a minimização de desperdícios e logística viável. Este estudo avaliou a implantação de ferramentas e planilhas de controle sobre a evolução do gerenciamento de estoque através do monitoramento das saídas extras e descarte de hemocomponentes. Foram desenvolvidas ferramentas online que monitoram a produção, estoque, transferências e desprezo em todos os sites da instituição. Além disso, foi implementado 3 tipos de atendimento: Estoque Programado: segue o cronograma estabelecido pela instituição; Estoque Crítico: quando o estoque é insuficiente até o próximo abastecimento e o atendimento deve ocorrer em até 1 dia útil; Urgência: necessidade imediata para atendimento de paciente específico. Segue os passos do modelo de gestão utilizado: 1) Após a liberação dos hemocomponentes, os dados são registrados na Planilha de Estoque do Processamento. 2) Com base na média transfusional dos últimos três meses e o seu estoque atual, a planilha Estoque Diário e Abastecimento Semanal de cada agência calcula a quantidade de hemocomponentes que deve ser abastecida pelo processamento. 3) O estoque da agência é atualizado diariamente com o tipo de hemocomponente e tempo de validade. 4) Diante da queda no estoque, a solicitação de estoque crítico é realizada e se necessário o remanejamento de agência com hemocomponente para vencer. O monitoramento mensal de quantidade de estoque crítico e urgências, transfusões e desprezos, permite o reajuste do estoque programado visando evitar o desabastecimento, sobrecarga no transporte e desprezo excessivo. Foi realizado levantamento de dados retroativo de 2 períodos: 1° fase, de julho a dezembro de 2024, período no qual as ferramentas ainda não estavam totalmente implantadas; 2° período, de janeiro a junho de 2025, onde as ferramentas de gestão estavam sendo aplicadas. Na 1° fase foram atendidas uma média de 58 agências transfusionais, as quais receberam neste período aproximadamente 55.713 CHs. Essa distribuição ocorreu por meio de estoque programado, que foi uma média de 8 estoques por agência transfusional por mês, e por atendimentos extras (estoque crítico + urgência) que ocorreu em média de 8 por agência transfusional por mês. Neste período, do total de CHs recebido nas agências 1,7% foi desprezado por validade. Na segunda fase tivemos um aumento para 61 agências atendidas que receberam aproximadamente 78.434 CHs. Foi observado a mesma quantidade de estoque programado que na 1° fase, porém observamos uma redução nos atendimentos extras para 6,7 saídas por agência por mês. O desprezo mostrou-se um pouco mais baixo do na 1° fase, ficando em torno de 1,3%. Os resultados demonstram que as ações implantadas permitiram um melhor dimensionamento do estoque programado sem aumento do desprezo e com importante redução nos atendimentos extra, o que representou aproximadamente redução de 79 saídas extras por mês. Os atendimentos extras, além de impactar na programação e gestão do estoque pelo processamento, sobrecarregam a logística. Sendo assim, as ferramentas de controle implantadas mostraram-se eficazes para o gerenciamento de estoque, contribuindo para maior previsibilidade, redução de saídas extras e identificação de pontos de melhoria.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood donation and transfusion practices
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