ANÁLISE COMPARATIVA DE SOROLOGIA POSITIVA PARA SÍFILIS EM DOADORES DO BANCO DE SANGUE DE BRASÍLIA COM DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NACIONAIS

A sífilis permanece como um problema de saúde pública no Brasil. Apesar dos avanços no rastreio e diagnóstico, dados recentes mostram persistência na detecção da doença em diversas regiões. Os boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde indicam que, entre 2022 e 2023, houve redução nacional da sífilis adquirida, com taxa de 54,8 casos por 100 mil habitantes em 2023. No entanto, no Distrito Federal, observou-se crescimento entre 2020 e 2022, seguido de leve redução em 2023. Comparar os dados de triagem sorológica para sífilis em doadores do Banco de Sangue de Brasília com dados epidemiológicos nacionais e regionais do Ministério da Saúde (2022‒2024), avaliando possíveis relações e contribuindo para a vigilância epidemiológica da doença. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, com dados extraídos das planilhas internas do Banco de Sangue de Brasília, referentes a 2022 a 2024. Analisaram-se variáveis como número de doações, testes reagentes, sexo e idade dos doadores. Os resultados foram comparados com boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde nos anos correspondentes. A análise evidenciou taxa significativa de positividade para sífilis entre doadores, especialmente homens de 20 a 39 anos, faixa etária que coincide com a maior prevalência segundo o Ministério da Saúde. A proporção de sorologia positiva reflete a tendência elevada observada no DF, que ultrapassou 80 casos/100 mil habitantes em 2022. Os dados dos doadores refletem parcialmente a epidemiologia da população geral. A triagem sorológica é importante para vigilância, podendo antecipar surtos e orientar políticas preventivas. A persistência da infecção entre adultos jovens indica necessidade de campanhas educativas e testagem ampliada nesse grupo. Os dados obtidos no banco de sangue de Brasília revelam uma prevalência de sífilis consideravelmente superior à taxa de detecção nacional apresentada pelo Ministério da Saúde. Enquanto os boletins oficiais apontam uma tendência de estabilidade ou leve redução da sífilis adquirida, com taxa de 54,8 casos por 100 mil habitantes em 2023, os resultados da triagem sorológica dos doadores sugerem um cenário mais alarmante, especialmente entre homens jovens entre 20 e 39 anos. A análise comparativa evidencia que a taxa de positividade para sífilis entre os doadores de sangue em Brasília é significativamente mais alta do que a média reportada nos boletins epidemiológicos nacionais. Essa diferença sugere que os bancos de sangue são fontes valiosas de dados para detecção precoce de infecções transmissíveis e podem antecipar tendências epidemiológicas negligenciadas por outras ferramentas de vigilância.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105797
Primary Topic
Syphilis Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ANÁLISE COMPARATIVA DE SOROLOGIA POSITIVA PARA SÍFILIS EM DOADORES DO BANCO DE SANGUE DE BRASÍLIA COM DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NACIONAIS

JPL Amorim, P. F. Batista, SMC Lira
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Syphilis Diagnosis and Treatment
article

ANÁLISE COMPARATIVA DE SOROLOGIA POSITIVA PARA SÍFILIS EM DOADORES DO BANCO DE SANGUE DE BRASÍLIA COM DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NACIONAIS

JPL Amorim, P. F. Batista, SMC Lira
article en

Abstract

A sífilis permanece como um problema de saúde pública no Brasil. Apesar dos avanços no rastreio e diagnóstico, dados recentes mostram persistência na detecção da doença em diversas regiões. Os boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde indicam que, entre 2022 e 2023, houve redução nacional da sífilis adquirida, com taxa de 54,8 casos por 100 mil habitantes em 2023. No entanto, no Distrito Federal, observou-se crescimento entre 2020 e 2022, seguido de leve redução em 2023. Comparar os dados de triagem sorológica para sífilis em doadores do Banco de Sangue de Brasília com dados epidemiológicos nacionais e regionais do Ministério da Saúde (2022‒2024), avaliando possíveis relações e contribuindo para a vigilância epidemiológica da doença. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, com dados extraídos das planilhas internas do Banco de Sangue de Brasília, referentes a 2022 a 2024. Analisaram-se variáveis como número de doações, testes reagentes, sexo e idade dos doadores. Os resultados foram comparados com boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde nos anos correspondentes. A análise evidenciou taxa significativa de positividade para sífilis entre doadores, especialmente homens de 20 a 39 anos, faixa etária que coincide com a maior prevalência segundo o Ministério da Saúde. A proporção de sorologia positiva reflete a tendência elevada observada no DF, que ultrapassou 80 casos/100 mil habitantes em 2022. Os dados dos doadores refletem parcialmente a epidemiologia da população geral. A triagem sorológica é importante para vigilância, podendo antecipar surtos e orientar políticas preventivas. A persistência da infecção entre adultos jovens indica necessidade de campanhas educativas e testagem ampliada nesse grupo. Os dados obtidos no banco de sangue de Brasília revelam uma prevalência de sífilis consideravelmente superior à taxa de detecção nacional apresentada pelo Ministério da Saúde. Enquanto os boletins oficiais apontam uma tendência de estabilidade ou leve redução da sífilis adquirida, com taxa de 54,8 casos por 100 mil habitantes em 2023, os resultados da triagem sorológica dos doadores sugerem um cenário mais alarmante, especialmente entre homens jovens entre 20 e 39 anos. A análise comparativa evidencia que a taxa de positividade para sífilis entre os doadores de sangue em Brasília é significativamente mais alta do que a média reportada nos boletins epidemiológicos nacionais. Essa diferença sugere que os bancos de sangue são fontes valiosas de dados para detecção precoce de infecções transmissíveis e podem antecipar tendências epidemiológicas negligenciadas por outras ferramentas de vigilância.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Syphilis Diagnosis and Treatment
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