A HIPERFERRITINEMIA ASSOCIADA ÀS MUTAÇÕES DO GENE HFE NO BRASIL.
O ferro tem papel fundamental na funcionalidade dos tecidos, sendo adquirido na alimentação e absorvido pelas células intestinais. Agrupa-se na forma de ferritina, que pode ser utilizada como parâmetro para avaliar o nível de ferro intracelular. A hiperferritinemia pode estar associada a patologias genéticas como a hemocromatose, doença autossômica recessiva com a maioria dos casos relacionados às mutações do gene HFE , com três polimorfismos mais frequentes no Brasil, H63D, S56C e C282Y . Investigar a relação entre os polimorfismos no gene HFE e a hiperferritinemia. Para atestar a relação entre a hiperferritinemia com as mutações do gene HFE , é necessário analisar os parâmetros de ferritina por ensaio imunoenzimático ( Biotec Laboratories Ltd , Ipswich, Reino Unido). Nesse estudo serão utilizadas 100 amostras de sangue de pacientes com hiperferritinemia. As amostras passaram por extração de DNA salling-out e, posteriormente, serão investigadas a presença das mutações H63D, S65C e C282Y por reação em cadeia da polimerase, seguida de análise de restrição de polimorfismo de fragmento único (PCR-RFLP). Foram analisadas 47 amostras para a presença dos polimorfismos e a quantificação dos níveis de ferritina. Todos os pacientes apresentaram valores elevados, sendo esperados 200 μg/L para mulheres e 300 μg/L para homens. O grupo foi composto por 15 mulheres (31,9%) e 32 homens (68,1%), com idades entre 20 e 87 anos, com média de 58,6 anos. A média de ferritina para mulheres foi de 1684.7 μg/L e de homens 1811.0 μg/L. Foi realizado o Teste Exato de Fisher para analisar a associação de sexo e idade com as mutações, e teve-se que não há associação entre eles (p = 1). Foram analisados 188 alelos e obteve-se que para H63D foram identificados 24 heterozigotos e 11 homozigotos mutantes, para S65C , 4 heterozigotos e 2 homozigotos mutantes e C282Y , 5 heterozigotos e 4 homozigotos mutantes. Os indivíduos que portadores de pelo menos uma das mutações possuem hiperferritinemia com média de 1921,5 μg/L. As médias de ferritina para H63D foram de 1966,2 μg/L, C282Y de 1600,6 μg/L e S65C de 1091,2 μg/L. O teste estatístico ANOVA (p = 0.05) foi realizado para relacionar a presença das mutações com os valores de ferritina. Ambas as mutações tiveram resultados significativos (p < 0.01). Médias elevadas de ferritina foram encontradas em homens para as mutações H63D e C282Y, o que sugere uma maior predisposição à sobrecarga de ferro neste grupo. A mutação H63D foi mais frequente e com valores de ferritina, tanto em homens quanto em mulheres, indicando maior propensão à sobrecarga de ferro. Devido as mulheres perderem ferro durante a menstruação e gravidez, foi observado menores níveis de ferritina, o que pode influenciar nos sintomas clínicos da doença. As mutações analisadas apresentam elevados valores de ferritina, sendo a H63D com os maiores valores e recorrência. Os homens têm maior presença de mutações e valores de ferritina em relação a mulheres.
Authors
- TF Ribeiro
- CRB Domingos
- Anna Lorenzetti
- ACP Flausino
Institutions
- Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (BR)
- Universidade Estadual Paulista (Unesp) (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104062
- Primary Topic
- Iron Metabolism and Disorders
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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