ANÁLISE DAS TRANSFUSÕES AMBULATORIAIS NO HEMOCENTRO COORDENADOR DE SERGIPE (HEMOSE) ENTRE 2020 E 2024
A hemoterapia é uma prática essencial para a manutenção da vida em situações clínicas críticas, sendo o hemocentro o principal responsável pelo fornecimento e monitoramento dos hemocomponentes transfundidos. Compreender o perfil e a evolução das transfusões ambulatoriais realizadas no Hemocentro Coordenador de Sergipe (HEMOSE) é fundamental para aprimorar a gestão, logística e qualidade da assistência ao paciente. O presente estudo teve como objetivo analisar quantitativamente as transfusões ambulatoriais realizadas no Hemocentro Coordenador de Sergipe (HEMOSE) entre os anos de 2020 e 2024, com ênfase na identificação dos hemocomponentes mais utilizados no período, visando fornecer subsídios técnicos que orientem o planejamento estratégico, a alocação de recursos e a qualificação contínua dos serviços hemoterápicos prestados à população. Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, baseado em dados secundários obtidos dos registros internos do HEMOSE. Foram computadas todas as transfusões ambulatoriais realizadas entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024, com discriminação por tipo de hemocomponente. Os dados foram organizados em planilhas e analisados estatisticamente de forma quantitativa e gráfica.O presente estudo evidenciou a expressiva demanda por hemocomponentes no âmbito ambulatorial do HEMOSE, totalizando 10.574 transfusões realizadas entre os anos de 2020 e 2024. A maior concentração dessas transfusões ocorreu no ano de 2021, possivelmente em decorrência do retorno gradual das atividades hospitalares após os períodos mais críticos da pandemia de COVID-19, o que corrobora achados de Cunha et al. (2022), que destacaram o impacto da pandemia na redistribuição e priorização dos procedimentos hemoterápicos em serviços públicos. Os dados revelam uma média anual de 2.114 transfusões ambulatoriais no HEMOSE entre 2020 e 2024. O pico ocorreu em 2021, com 2.666 procedimentos, seguido de uma queda progressiva até 2024. Tal variação pode refletir múltiplos fatores, como alterações na demanda hospitalar, pandemia da COVID-19, políticas de racionalização de hemocomponentes ou mudanças no perfil epidemiológico dos pacientes. Em 2020, observa-se que 67,5% das transfusões corresponderam ao concentrado de plaquetas pediátricas, o que sugere forte demanda por parte de pacientes oncológicos infantis ou portadores de doenças hematológicas específicas.O levantamento evidencia a importância do monitoramento contínuo das transfusões ambulatoriais no hemocentro. A predominância de plaquetas pediátricas em 2020 sinaliza uma área prioritária de atenção. Recomenda-se a ampliação da capacidade de produção e estoque deste hemocomponente, bem como o fortalecimento da interface entre o HEMOSE e unidades pediátricas de referência.
Authors
- AP Barreto Prata Silva (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9364-948X)
- WS Teles
- FE Celestino do Carmo
- D Abilio (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5943-2447)
- CM de Souza Neto (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2469-4655)
- RD Santos
- MN Andrade
- FK Fraga Oliveira (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8624-6463)
- EC Posener
- RdO Fontes Farrapeira
Institutions
- Universidade Tiradentes (BR)
- Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105980
- Primary Topic
- Blood donation and transfusion practices
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00