AVALIAÇÃO DO MICROAMBIENTE MEDULAR NO MIELOMA MÚLTIPLO POR CITOMETRIA DE FLUXO

O desenvolvimento do câncer depende de fatores além dos intrínsecos relacionados às células clonais, como um microambiente que auxilia no estabelecimento e progressão da doença. No mieloma múltiplo, evidências apontam para um microambiente tumoral imunossupressor. Uma melhor compreensão da interação complexa entre as células tumorais do MM e seu microambiente deve contribuir para a escolha de melhores terapias, com o potencial controle da doença a longo prazo. Diversos estudos avaliam os mecanismos de interação entre as células estromais e as células tumorais para a persistência e progressão da doença. Entretanto, a maior parte dos estudos é realizada em cultivos celulares, que podem não refletir a real interação in vivo desse microambiente com as células clonais. Este trabalho tem por objetivo avaliar o microambiente tumoral por citometria de fluxo de nova geração (NGF), com especial atenção às células estromais e como a composição deste compartimento se correlaciona com o status da doença. Este estudo recrutou pacientes atendidos nos serviços de hematologia dos hospitais universitários Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ) e Gaffrèe e Guinle (HUGG/Unirio). Foram avaliadas, por NGF, MO de pacientes novos diagnósticos de MM e, após a terapia de indução, para avaliação de doença residual mínima (DRM) aos 6 ou 12 meses após o início do tratamento. Simultaneamente, também foi avaliado o microambiente de MO, com foco na identificação e estratificação do compartimento de células estromais. Os pacientes foram tratados com diferentes esquemas terapêuticos de indução, VTD ou VCD. Para o diagnóstico e avaliação de DRM, foi utilizado o painel NGF para MM seguindo os protocolos de processamento e marcação do consórcio Euroflow (https://euroflow.org). O compartimento de células estromais foi avaliado com um painel de 8 cores específico para a identificação destas células, com posterior estratificação das células mesenquimais (MSC) e endoteliais. Ao diagnóstico, todos os pacientes (n = 21) tiveram PC clonais detectados (0.06-78.3%) na MO e uma mediana de 0.03% (0.0009-0.54%) de células estromais, sendo este compartimento composto de 49% de MSC (4-83%) e 51% de células endoteliais (17-96%). Na avaliação de DRM, os grupos por estratificação de doença apresentaram percentuais de células estromais na MO semelhantes, DRM+ (6/12, 50%) 0.03% (0.001-0.25%) e DRM- (6/12, 50%) 0.028% (0.0009- 0.71%) células estromais. Dentro do compartimento de células estromais, os pacientes DRM+ tiveram um incremento de MSC quando comparado ao diagnóstico, 80% (75-82%) (p < 0.001). Os pacientes DRM- tinham uma mediana de 65% (0-80%) de MSC no compartimento de células estromais (p = NS). O estudo do estroma da MO por citometria de fluxo fornece uma avaliação rápida e sensível para identificação e estratificação do compartimento de células estromais. Nossos achados mostram que o aumento de MSC durante o curso da doença parece fornecer um nicho de suporte para a manutenção das células patológicas. Estudos com coortes maiores e por períodos prolongados pode nos ajudar a confirmar esse padrão de distribuição e como se correlaciona com desfechos clínicos dos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104819
Primary Topic
Cancer Cells and Metastasis
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

AVALIAÇÃO DO MICROAMBIENTE MEDULAR NO MIELOMA MÚLTIPLO POR CITOMETRIA DE FLUXO

RJP Magalhães, Ângelo Maiolino, ES Costa, ES Barbosa et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Cancer Cells and Metastasis
article

AVALIAÇÃO DO MICROAMBIENTE MEDULAR NO MIELOMA MÚLTIPLO POR CITOMETRIA DE FLUXO

RJP Magalhães, Ângelo Maiolino, ES Costa, ES Barbosa, RM Pontes, EMD Couto, ABS Salgado, V Valviesse
article en

Abstract

O desenvolvimento do câncer depende de fatores além dos intrínsecos relacionados às células clonais, como um microambiente que auxilia no estabelecimento e progressão da doença. No mieloma múltiplo, evidências apontam para um microambiente tumoral imunossupressor. Uma melhor compreensão da interação complexa entre as células tumorais do MM e seu microambiente deve contribuir para a escolha de melhores terapias, com o potencial controle da doença a longo prazo. Diversos estudos avaliam os mecanismos de interação entre as células estromais e as células tumorais para a persistência e progressão da doença. Entretanto, a maior parte dos estudos é realizada em cultivos celulares, que podem não refletir a real interação in vivo desse microambiente com as células clonais. Este trabalho tem por objetivo avaliar o microambiente tumoral por citometria de fluxo de nova geração (NGF), com especial atenção às células estromais e como a composição deste compartimento se correlaciona com o status da doença. Este estudo recrutou pacientes atendidos nos serviços de hematologia dos hospitais universitários Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ) e Gaffrèe e Guinle (HUGG/Unirio). Foram avaliadas, por NGF, MO de pacientes novos diagnósticos de MM e, após a terapia de indução, para avaliação de doença residual mínima (DRM) aos 6 ou 12 meses após o início do tratamento. Simultaneamente, também foi avaliado o microambiente de MO, com foco na identificação e estratificação do compartimento de células estromais. Os pacientes foram tratados com diferentes esquemas terapêuticos de indução, VTD ou VCD. Para o diagnóstico e avaliação de DRM, foi utilizado o painel NGF para MM seguindo os protocolos de processamento e marcação do consórcio Euroflow (https://euroflow.org). O compartimento de células estromais foi avaliado com um painel de 8 cores específico para a identificação destas células, com posterior estratificação das células mesenquimais (MSC) e endoteliais. Ao diagnóstico, todos os pacientes (n = 21) tiveram PC clonais detectados (0.06-78.3%) na MO e uma mediana de 0.03% (0.0009-0.54%) de células estromais, sendo este compartimento composto de 49% de MSC (4-83%) e 51% de células endoteliais (17-96%). Na avaliação de DRM, os grupos por estratificação de doença apresentaram percentuais de células estromais na MO semelhantes, DRM+ (6/12, 50%) 0.03% (0.001-0.25%) e DRM- (6/12, 50%) 0.028% (0.0009- 0.71%) células estromais. Dentro do compartimento de células estromais, os pacientes DRM+ tiveram um incremento de MSC quando comparado ao diagnóstico, 80% (75-82%) (p < 0.001). Os pacientes DRM- tinham uma mediana de 65% (0-80%) de MSC no compartimento de células estromais (p = NS). O estudo do estroma da MO por citometria de fluxo fornece uma avaliação rápida e sensível para identificação e estratificação do compartimento de células estromais. Nossos achados mostram que o aumento de MSC durante o curso da doença parece fornecer um nicho de suporte para a manutenção das células patológicas. Estudos com coortes maiores e por períodos prolongados pode nos ajudar a confirmar esse padrão de distribuição e como se correlaciona com desfechos clínicos dos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Cancer Cells and Metastasis
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.