CONTROLE DE QUALIDADE DE BOLSAS DEVOLVIDAS: ANÁLISE DE HEMÓLISE E A NECESSIDADE DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE DO RIO GRANDE DO NORTE

Os hemocomponentes são produtos biológicos sensíveis que requerem rigoroso controle de qualidade, desde a coleta até a transfusão. No Brasil, a Resolução RDC n° 34/2014 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2014) determina que, na presença de hemólise detectável visualmente, o hemocomponente deve ser descartado, sendo tecnicamente adotado o limite inferior a 0,8% de hemólise após centrifugação de segmento a 3.500 rpm por 10 minutos. A gestão adequada de hemocomponentes impacta diretamente na segurança transfusional, redução de desperdícios e qualidade assistencial. Analisar os dados de devoluções de concentrados de hemácias recebidos pelo Hemonorte em 2024, identificando as taxas de hemólise positiva por instituição de saúde e reforçando a importância da implantação de agências transfusionais nas unidades hospitalares do Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, realizado a partir dos registros de devoluções de concentrados de hemácias de janeiro a dezembro de 2024, considerando as dez instituições com maior frequência de devoluções no estado. Os dados analisados incluíram o número total de devoluções, casos de hemólise positiva e percentuais relativos, correlacionados às práticas institucionais de armazenamento, transporte e presença de agências transfusionais. Em 2024, foram registradas 7.466 devoluções de concentrados de hemácias por dez instituições do Rio Grande do Norte, com 393 casos de hemólise positiva (5% em média). O Hospital Rio Grande teve o maior número de devoluções (3.053) e 4% de hemólise. O maior percentual foi do Hospital Maria Alice Fernandes (10%), seguido pelo Hospital da Polícia Militar (9%). Outros hospitais apresentaram taxas entre 2% e 6%, indicando variações que sugerem diferenças nas práticas de manuseio, transporte e armazenamento dos hemocomponentes. O estudo identificou variações nas taxas de hemólise, indicando falhas no manuseio, transporte e armazenamento de hemocomponentes, muitas vezes devido à falta de ATs estruturadas. A implantação de ATs melhora a rastreabilidade, a conservação adequada, a gestão de estoques e o cumprimento das normas, reduzindo perdas e aumentando a segurança transfusional. A Portaria de Consolidação n° 5/2017 estabelece que instituições de saúde que realizam cirurgias de grande porte, atendimentos de urgência/emergência ou mais de 60 transfusões mensais devem contar com uma Agência Transfusional (AT) para garantir segurança e qualidade nos procedimentos hemoterápicos. BRASIL. Portaria de Consolidação n° 5, de 28 de setembro de 2017. Anexo IV, Capítulo I, Art. 11. Agência Nacional De Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Boas Práticas em Hemoterapia, 2021. Sociedade Brasileira de Hemoterapia e Hemoterapia (SBHH). Diretrizes para Segurança Transfusional, 2019.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105698
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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CONTROLE DE QUALIDADE DE BOLSAS DEVOLVIDAS: ANÁLISE DE HEMÓLISE E A NECESSIDADE DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE DO RIO GRANDE DO NORTE

F.J Abrantes, MSC Bandierini, Acácio Augusto
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

CONTROLE DE QUALIDADE DE BOLSAS DEVOLVIDAS: ANÁLISE DE HEMÓLISE E A NECESSIDADE DE AGÊNCIAS TRANSFUSIONAIS NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE DO RIO GRANDE DO NORTE

F.J Abrantes, MSC Bandierini, Acácio Augusto
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Abstract

Os hemocomponentes são produtos biológicos sensíveis que requerem rigoroso controle de qualidade, desde a coleta até a transfusão. No Brasil, a Resolução RDC n° 34/2014 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2014) determina que, na presença de hemólise detectável visualmente, o hemocomponente deve ser descartado, sendo tecnicamente adotado o limite inferior a 0,8% de hemólise após centrifugação de segmento a 3.500 rpm por 10 minutos. A gestão adequada de hemocomponentes impacta diretamente na segurança transfusional, redução de desperdícios e qualidade assistencial. Analisar os dados de devoluções de concentrados de hemácias recebidos pelo Hemonorte em 2024, identificando as taxas de hemólise positiva por instituição de saúde e reforçando a importância da implantação de agências transfusionais nas unidades hospitalares do Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, realizado a partir dos registros de devoluções de concentrados de hemácias de janeiro a dezembro de 2024, considerando as dez instituições com maior frequência de devoluções no estado. Os dados analisados incluíram o número total de devoluções, casos de hemólise positiva e percentuais relativos, correlacionados às práticas institucionais de armazenamento, transporte e presença de agências transfusionais. Em 2024, foram registradas 7.466 devoluções de concentrados de hemácias por dez instituições do Rio Grande do Norte, com 393 casos de hemólise positiva (5% em média). O Hospital Rio Grande teve o maior número de devoluções (3.053) e 4% de hemólise. O maior percentual foi do Hospital Maria Alice Fernandes (10%), seguido pelo Hospital da Polícia Militar (9%). Outros hospitais apresentaram taxas entre 2% e 6%, indicando variações que sugerem diferenças nas práticas de manuseio, transporte e armazenamento dos hemocomponentes. O estudo identificou variações nas taxas de hemólise, indicando falhas no manuseio, transporte e armazenamento de hemocomponentes, muitas vezes devido à falta de ATs estruturadas. A implantação de ATs melhora a rastreabilidade, a conservação adequada, a gestão de estoques e o cumprimento das normas, reduzindo perdas e aumentando a segurança transfusional. A Portaria de Consolidação n° 5/2017 estabelece que instituições de saúde que realizam cirurgias de grande porte, atendimentos de urgência/emergência ou mais de 60 transfusões mensais devem contar com uma Agência Transfusional (AT) para garantir segurança e qualidade nos procedimentos hemoterápicos. BRASIL. Portaria de Consolidação n° 5, de 28 de setembro de 2017. Anexo IV, Capítulo I, Art. 11. Agência Nacional De Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Boas Práticas em Hemoterapia, 2021. Sociedade Brasileira de Hemoterapia e Hemoterapia (SBHH). Diretrizes para Segurança Transfusional, 2019.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
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Blood donation and transfusion practices
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