ALO OU AUTOANTICORPO? O DESAfiO NA ROTINA SOROLÓGICA

Na rotina sorológica é comum encontrarmos casos no qual o paciente apresenta anticorpo contra o próprio antígeno, principalmente relacionados ao sistema RhCE. Nessas situações, a diferenciação entre aloanticorpos e autoanticorpos é essencial, sendo limitada em pacientes recentemente transfundidos, pois técnicas complementares, como a autoadsorção não é viável, e apesar de técnicas como a adsorção com hemácias alogênicas e testes de biologia molecular possam auxiliar, ainda assim não é possível afirmar se tratar de alo ou autoanticorpos. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento dos pacientes que apresentaram autoanticorpo contra o sistema RhCE, no qual foram realizados testes complementares para elucidação do caso. Foram selecionadas 24 amostras de pacientes com anticorpos contra antígenos próprios do sistema RhCE, nas quais foram necessários testes sorológicos complementares e testes de biologia molecular para investigação de presença de variantes RHCE. Das amostras selecionadas, em 79,2% (19) não foram encontradas variantes nos testes moleculares e dentre elas, 12 amostras apresentaram anticorpos do sistema RhCE associados à auto IgG indeterminada e em 7 casos foi observado a presença apenas de anticorpos dirigidos ao sistema RhCE nos testes em gel LISS, enzima/NaCl e eluato ácido, teste de antiglobulina direto (TAD) e auto controle (AC) positivos, sugerindo se tratar de autoanticorpo. Apenas em 20,8% (5) das amostras foram observadas alterações moleculares. Uma paciente com genótipo RHCE*ceJAL/ceJAL (C- c+ parcial E- e+parcial JAL+ CEST-) apresentou TAD e AC positivos e a presença de anti-C, anti-c, anti-e e anti-CEST em gel LISS e Enzima/NaCl, identificados após teste de adsorção alogênica. A variante RHCE*CeRN/CeRN (C+w parcial, c- E- e+w parcial, RH:-46 (Sec-)) foi encontrada em uma paciente com solicitação de testes de rotina sendo identificado a presença de anti-Sec em gel LISS e Enzima/NaCl e após adsorção alogênica, foi identificado anti-e. Um paciente falciforme sem histórico prévio e com necessidade transfusional deu entrada em nosso serviço, inicialmente com a presença de anti-C em gel LISS e enzima/NaCl, TAD e AC negativos e após tratamento com salina hipotônica a fenotipagem foi confirmada R2r C-c+E+e+K- sendo atendido com bolsas fenótipo Rh/K compatível, ao dar entrada novamente, além da presença de anti-C, foi identificado anti-e em LISS e enzima/NaCl, e após testes de biologia molecular foi encontrada a variante RHCE*ceMO.01/RHCE*cE (C- c+ E+ e+ parcial/fraco) sendo liberado bolsa R2R2 C-c+E+e-K- para atendimentos futuros. Já a variante RHCE*ceVS.01/cE (C- c+ E+ e+ parcial, V+VS+) foi encontrada em dois pacientes que apresentaram anti-C e anti-e em LISS e enzima/NaCl, TAD e AC negativos, ambos foram atendidos com bolsas R2R2 C-c+E+e-K-. Pacientes recentemente transfundidos e com autoanticorpos representam um desafio para a rotina imuno-hematológica, dificultando testes sorológicos. Os resultados demonstram que quando os anticorpos estão associados a auto IgG sugerem se tratar de autoanticorpos. Contudo, na ausência dessa associação, tornam-se necessários testes complementares, como autoadsorção e biologia molecular, além da avaliação da importância clínica das variantes quando não é possível liberar hemocomponente com genótipo compatível.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105614
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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SEP
OCT
article

ALO OU AUTOANTICORPO? O DESAfiO NA ROTINA SOROLÓGICA

GF Devides, FRM Latini, TAP Vendrame, CP Arnoni et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

ALO OU AUTOANTICORPO? O DESAfiO NA ROTINA SOROLÓGICA

GF Devides, FRM Latini, TAP Vendrame, CP Arnoni, AJP Cortez
article en

Abstract

Na rotina sorológica é comum encontrarmos casos no qual o paciente apresenta anticorpo contra o próprio antígeno, principalmente relacionados ao sistema RhCE. Nessas situações, a diferenciação entre aloanticorpos e autoanticorpos é essencial, sendo limitada em pacientes recentemente transfundidos, pois técnicas complementares, como a autoadsorção não é viável, e apesar de técnicas como a adsorção com hemácias alogênicas e testes de biologia molecular possam auxiliar, ainda assim não é possível afirmar se tratar de alo ou autoanticorpos. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento dos pacientes que apresentaram autoanticorpo contra o sistema RhCE, no qual foram realizados testes complementares para elucidação do caso. Foram selecionadas 24 amostras de pacientes com anticorpos contra antígenos próprios do sistema RhCE, nas quais foram necessários testes sorológicos complementares e testes de biologia molecular para investigação de presença de variantes RHCE. Das amostras selecionadas, em 79,2% (19) não foram encontradas variantes nos testes moleculares e dentre elas, 12 amostras apresentaram anticorpos do sistema RhCE associados à auto IgG indeterminada e em 7 casos foi observado a presença apenas de anticorpos dirigidos ao sistema RhCE nos testes em gel LISS, enzima/NaCl e eluato ácido, teste de antiglobulina direto (TAD) e auto controle (AC) positivos, sugerindo se tratar de autoanticorpo. Apenas em 20,8% (5) das amostras foram observadas alterações moleculares. Uma paciente com genótipo RHCE*ceJAL/ceJAL (C- c+ parcial E- e+parcial JAL+ CEST-) apresentou TAD e AC positivos e a presença de anti-C, anti-c, anti-e e anti-CEST em gel LISS e Enzima/NaCl, identificados após teste de adsorção alogênica. A variante RHCE*CeRN/CeRN (C+w parcial, c- E- e+w parcial, RH:-46 (Sec-)) foi encontrada em uma paciente com solicitação de testes de rotina sendo identificado a presença de anti-Sec em gel LISS e Enzima/NaCl e após adsorção alogênica, foi identificado anti-e. Um paciente falciforme sem histórico prévio e com necessidade transfusional deu entrada em nosso serviço, inicialmente com a presença de anti-C em gel LISS e enzima/NaCl, TAD e AC negativos e após tratamento com salina hipotônica a fenotipagem foi confirmada R2r C-c+E+e+K- sendo atendido com bolsas fenótipo Rh/K compatível, ao dar entrada novamente, além da presença de anti-C, foi identificado anti-e em LISS e enzima/NaCl, e após testes de biologia molecular foi encontrada a variante RHCE*ceMO.01/RHCE*cE (C- c+ E+ e+ parcial/fraco) sendo liberado bolsa R2R2 C-c+E+e-K- para atendimentos futuros. Já a variante RHCE*ceVS.01/cE (C- c+ E+ e+ parcial, V+VS+) foi encontrada em dois pacientes que apresentaram anti-C e anti-e em LISS e enzima/NaCl, TAD e AC negativos, ambos foram atendidos com bolsas R2R2 C-c+E+e-K-. Pacientes recentemente transfundidos e com autoanticorpos representam um desafio para a rotina imuno-hematológica, dificultando testes sorológicos. Os resultados demonstram que quando os anticorpos estão associados a auto IgG sugerem se tratar de autoanticorpos. Contudo, na ausência dessa associação, tornam-se necessários testes complementares, como autoadsorção e biologia molecular, além da avaliação da importância clínica das variantes quando não é possível liberar hemocomponente com genótipo compatível.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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