PRIORIZAÇÃO DE PACIENTES PARA ACOMPANHAMENTO PELA FARMÁCIA CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ONCOLOGIA E ONCO- HEMATOLOGIA: UM ESTUDO PILOTO

O papel do farmacêutico clínico na oncologia e onco-hematologia é cada vez mais evidente na jornada do paciente, seja pela otimização da farmacoterapia, prevenção e manejo de reações adversas, educação ao paciente e à equipe, participação em protocolos e decisões clínicas, segurança do paciente e redução de custos. Entretanto, são escassos os estudos que abordem critérios de priorização para o acompanhamento dos pacientes oncológicos e onco-hematológicos durante a internação hospitalar. Apresentar a experiência piloto de priorização de pacientes internados para acompanhamento pela farmácia clínica no Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Buscou-se a implementação da farmácia clínica no Centro de Onco-Hematologia através de um serviço contemplando as seguintes atividades: 1) participação, junto à equipe multiprofissional, na avaliação de todos os pacientes candidatos ao transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH); 2) consulta farmacêutica de admissão de todos os pacientes internados na oncologia e hematologia, envolvendo a realização de conciliação medicamentosa; 3) após discussão em equipe, optou-se pelo acompanhamento farmacoterapêutico durante o período de internação dos pacientes que atenderam os seguintes critérios: pacientes com protocolos de quimioterapia de altas doses, pacientes em início de quimioterapia (QT) via oral, pacientes com medicamentos administrados por sonda, pacientes com diagnóstico de leucemias agudas e pacientes internados para TCTH. Além disso, instituiu-se a participação efetiva dos farmacêuticos clínicos nos rounds das especialidades envolvidas e resolução de demandas relacionadas à terapia medicamentosa através de consultorias solicitadas pela equipe. Durante o período de 01/07 a 31/07/25, foram realizados 225 atendimentos farmacêuticos. Destes, 48 foram consultas farmacêuticas de admissão, nas quais a conciliação medicamentosa foi efetuada em 11 pacientes, totalizando 32 medicamentos avaliados. Vinte e seis pacientes atenderam critérios para acompanhamento, sendo 4 pacientes em TCTH, 15 pacientes com leucemias agudas, 4 pacientes com sonda nasoentérica, 1 paciente com jejunostomia, 1 paciente em início de quimioterapia via oral e 1 paciente com protocolo de QT em altas doses e sonda nasoentérica. Durante o acompanhamento, foram realizadas 21 intervenções que não necessitaram de modificações na prescrição, sendo a mais prevalente o monitoramento de interações medicamentosas de relevância clínica, em 4 pacientes. Além disso, foram efetuadas 19 intervenções com necessidade de modificação da prescrição, com percentual de aceitação de 63,15%, sendo a identificação de incompatibilidade em Y a mais prevalente (5 intervenções) e necessidade de inclusão de medicamentos de uso prévio (5 intervenções). Os critérios de priorização eleitos mostraram-se efetivos na identificação de pacientes com demandas clínicas relevantes relacionadas à farmacoterapia, mostrando-se também factíveis, e serão adotados como rotina no serviço. Os dados aqui apresentados, em caráter piloto, evidenciaram a importância da presença do farmacêutico clínico nas equipes multidisciplinares como ponto fundamental para assegurar a segurança do paciente e diminuir a ocorrência de problemas relacionados a medicamentos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105262
Primary Topic
Public Health in Brazil
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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PRIORIZAÇÃO DE PACIENTES PARA ACOMPANHAMENTO PELA FARMÁCIA CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ONCOLOGIA E ONCO- HEMATOLOGIA: UM ESTUDO PILOTO

ER Schmitz, Elisa Marques Almeida Silva, LP Lindenmeyer, C. Maggi
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Public Health in Brazil
article

PRIORIZAÇÃO DE PACIENTES PARA ACOMPANHAMENTO PELA FARMÁCIA CLÍNICA EM UM SERVIÇO DE ONCOLOGIA E ONCO- HEMATOLOGIA: UM ESTUDO PILOTO

ER Schmitz, Elisa Marques Almeida Silva, LP Lindenmeyer, C. Maggi
article en

Abstract

O papel do farmacêutico clínico na oncologia e onco-hematologia é cada vez mais evidente na jornada do paciente, seja pela otimização da farmacoterapia, prevenção e manejo de reações adversas, educação ao paciente e à equipe, participação em protocolos e decisões clínicas, segurança do paciente e redução de custos. Entretanto, são escassos os estudos que abordem critérios de priorização para o acompanhamento dos pacientes oncológicos e onco-hematológicos durante a internação hospitalar. Apresentar a experiência piloto de priorização de pacientes internados para acompanhamento pela farmácia clínica no Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Buscou-se a implementação da farmácia clínica no Centro de Onco-Hematologia através de um serviço contemplando as seguintes atividades: 1) participação, junto à equipe multiprofissional, na avaliação de todos os pacientes candidatos ao transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH); 2) consulta farmacêutica de admissão de todos os pacientes internados na oncologia e hematologia, envolvendo a realização de conciliação medicamentosa; 3) após discussão em equipe, optou-se pelo acompanhamento farmacoterapêutico durante o período de internação dos pacientes que atenderam os seguintes critérios: pacientes com protocolos de quimioterapia de altas doses, pacientes em início de quimioterapia (QT) via oral, pacientes com medicamentos administrados por sonda, pacientes com diagnóstico de leucemias agudas e pacientes internados para TCTH. Além disso, instituiu-se a participação efetiva dos farmacêuticos clínicos nos rounds das especialidades envolvidas e resolução de demandas relacionadas à terapia medicamentosa através de consultorias solicitadas pela equipe. Durante o período de 01/07 a 31/07/25, foram realizados 225 atendimentos farmacêuticos. Destes, 48 foram consultas farmacêuticas de admissão, nas quais a conciliação medicamentosa foi efetuada em 11 pacientes, totalizando 32 medicamentos avaliados. Vinte e seis pacientes atenderam critérios para acompanhamento, sendo 4 pacientes em TCTH, 15 pacientes com leucemias agudas, 4 pacientes com sonda nasoentérica, 1 paciente com jejunostomia, 1 paciente em início de quimioterapia via oral e 1 paciente com protocolo de QT em altas doses e sonda nasoentérica. Durante o acompanhamento, foram realizadas 21 intervenções que não necessitaram de modificações na prescrição, sendo a mais prevalente o monitoramento de interações medicamentosas de relevância clínica, em 4 pacientes. Além disso, foram efetuadas 19 intervenções com necessidade de modificação da prescrição, com percentual de aceitação de 63,15%, sendo a identificação de incompatibilidade em Y a mais prevalente (5 intervenções) e necessidade de inclusão de medicamentos de uso prévio (5 intervenções). Os critérios de priorização eleitos mostraram-se efetivos na identificação de pacientes com demandas clínicas relevantes relacionadas à farmacoterapia, mostrando-se também factíveis, e serão adotados como rotina no serviço. Os dados aqui apresentados, em caráter piloto, evidenciaram a importância da presença do farmacêutico clínico nas equipes multidisciplinares como ponto fundamental para assegurar a segurança do paciente e diminuir a ocorrência de problemas relacionados a medicamentos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Grupo Hospitalar Conceição (BR)
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Public Health in Brazil
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