TÉCNICAS DIAGNÓSTICAS PARA INFECÇÕES ORAIS EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS

O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é um tratamento curativo para diversas doenças hematológicas, mas expõe os pacientes a um estado considerável de imunossupressão. A cavidade oral destaca-se como um local crítico ao desenvolvimento de complicações infecciosas que podem evoluir para quadros sistêmicos graves, aumentando a morbidade e a mortalidade. Devido à imunossupressão, a apresentação clínica dessas infecções muitas vezes é atípica, dificultando o diagnóstico e o manejo precoce. Realizar uma revisão narrativa de literatura sobre as principais técnicas diagnósticas para identificar infecções na cavidade oral de pacientes submetidos ao TCTH. Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed e Google Scholar sem restrição de período, utilizando uma combinação de descritores como "oral infections" AND "hematopoietic stem cell transplantation", "oral mucositis" AND "diagnosis", além de termos correspondentes em português. Adicionalmente, foram consultados capítulos de livros de referência em português e inglês que abordam o diagnóstico de infecções orais, a microbiologia e a imunossupressão. A análise do conteúdo foi qualitativa e descritiva, focando na síntese de achados sobre as técnicas de diagnóstico, microrganismos e desafios clínicos. Foram selecionados 8 estudos observacionais, 4 relatos de caso, 1 ensaio clínico e 3 revisões de literatura, e consultado 2 capítulos de livro que discutem sobre técnicas diagnósticas de infecções. A cavidade oral de pacientes submetidos ao TCTH representa um local crítico para complicações, servindo como porta de entrada para infecções sistêmicas. Os microrganismos mais comumente identificados são bactérias, seguidas por vírus e fungos, o diagnóstico preciso e oportuno destas infecções é fundamental para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Este é um desafio, visto que a apresentação clínica pode diferir dos padrões convencionais. Entre os métodos de diagnósticos identificados, destacam-se o clínico, com avaliação de sinais e sintomas; o citológico (citologia esfoliativa); o microbiológico, através de cultura e exames sorológicos; e o molecular, com a análise de Reação em Cadeia Polimerase (PCR) de DNA microbiano. A escolha da técnica diagnóstica ideal deve considerar o tipo de microrganismo suspeito, a urgência do diagnóstico e os recursos disponíveis. As técnicas moleculares, como a PCR, demonstram alta sensibilidade e rapidez, mas ainda enfrentam limitações de custo e necessidade de equipamentos especializados. Por isso, a identificação de úlceras ou outras alterações orais exige a solicitação imediata de exames de cultura. Em muitos casos, o tratamento antimicrobiano empírico é iniciado para evitar a progressão da infecção. Para garantir a eficácia do exame laboratorial, é crucial que o meio de transporte da amostra coletada respeite o metabolismo do microrganismo, seja ele aeróbio ou anaeróbio. As infecções orais representam um desafio significativo no manejo de pacientes submetidos a TCTH. A utilização de uma abordagem diagnóstica multimodal, isto é, combinando os métodos existentes, é fundamental para um diagnóstico preciso e rápido, melhorando o prognóstico e reduzindo a morbidade. O aprimoramento da acessibilidade a técnicas moleculares e o monitoramento sistemático da microbiota oral podem representar avanços importantes no manejo destas infecções.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105352
Primary Topic
Oral health in cancer treatment
Type
article
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TÉCNICAS DIAGNÓSTICAS PARA INFECÇÕES ORAIS EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS

HS Antunes, Arthenise Gabriely da Conceição Ramos, BH Chiouhami
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Oral health in cancer treatment
article

TÉCNICAS DIAGNÓSTICAS PARA INFECÇÕES ORAIS EM PACIENTES SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS

HS Antunes, Arthenise Gabriely da Conceição Ramos, BH Chiouhami
article en

Abstract

O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) é um tratamento curativo para diversas doenças hematológicas, mas expõe os pacientes a um estado considerável de imunossupressão. A cavidade oral destaca-se como um local crítico ao desenvolvimento de complicações infecciosas que podem evoluir para quadros sistêmicos graves, aumentando a morbidade e a mortalidade. Devido à imunossupressão, a apresentação clínica dessas infecções muitas vezes é atípica, dificultando o diagnóstico e o manejo precoce. Realizar uma revisão narrativa de literatura sobre as principais técnicas diagnósticas para identificar infecções na cavidade oral de pacientes submetidos ao TCTH. Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed e Google Scholar sem restrição de período, utilizando uma combinação de descritores como "oral infections" AND "hematopoietic stem cell transplantation", "oral mucositis" AND "diagnosis", além de termos correspondentes em português. Adicionalmente, foram consultados capítulos de livros de referência em português e inglês que abordam o diagnóstico de infecções orais, a microbiologia e a imunossupressão. A análise do conteúdo foi qualitativa e descritiva, focando na síntese de achados sobre as técnicas de diagnóstico, microrganismos e desafios clínicos. Foram selecionados 8 estudos observacionais, 4 relatos de caso, 1 ensaio clínico e 3 revisões de literatura, e consultado 2 capítulos de livro que discutem sobre técnicas diagnósticas de infecções. A cavidade oral de pacientes submetidos ao TCTH representa um local crítico para complicações, servindo como porta de entrada para infecções sistêmicas. Os microrganismos mais comumente identificados são bactérias, seguidas por vírus e fungos, o diagnóstico preciso e oportuno destas infecções é fundamental para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Este é um desafio, visto que a apresentação clínica pode diferir dos padrões convencionais. Entre os métodos de diagnósticos identificados, destacam-se o clínico, com avaliação de sinais e sintomas; o citológico (citologia esfoliativa); o microbiológico, através de cultura e exames sorológicos; e o molecular, com a análise de Reação em Cadeia Polimerase (PCR) de DNA microbiano. A escolha da técnica diagnóstica ideal deve considerar o tipo de microrganismo suspeito, a urgência do diagnóstico e os recursos disponíveis. As técnicas moleculares, como a PCR, demonstram alta sensibilidade e rapidez, mas ainda enfrentam limitações de custo e necessidade de equipamentos especializados. Por isso, a identificação de úlceras ou outras alterações orais exige a solicitação imediata de exames de cultura. Em muitos casos, o tratamento antimicrobiano empírico é iniciado para evitar a progressão da infecção. Para garantir a eficácia do exame laboratorial, é crucial que o meio de transporte da amostra coletada respeite o metabolismo do microrganismo, seja ele aeróbio ou anaeróbio. As infecções orais representam um desafio significativo no manejo de pacientes submetidos a TCTH. A utilização de uma abordagem diagnóstica multimodal, isto é, combinando os métodos existentes, é fundamental para um diagnóstico preciso e rápido, melhorando o prognóstico e reduzindo a morbidade. O aprimoramento da acessibilidade a técnicas moleculares e o monitoramento sistemático da microbiota oral podem representar avanços importantes no manejo destas infecções.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (BR), Instituto Nacional de Câncer - INCA (BR), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (BR)
Openalex Percentile: Top 55%
Oral health in cancer treatment
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