IMUNOFENOTIPAGEM POR CITOMETRIA DE FLUXO NA CLASSIFICAÇÃO DE LEUCEMIAS: DO DIAGNÓSTICO À DETECÇÃO DA DOENÇA RESIDUAL MÍNIMA

A imunofenotipagem por citometria de fluxo é uma técnica fundamental para o diagnóstico, classificação e monitoramento de neoplasias hematológicas. Sua capacidade de analisar milhares de células simultaneamente e identificar marcadores antigênicos específicos permite diferenciar células neoplásicas de progenitores normais, caracterizar linhagens celulares e identificar padrões antigênicos aberrantes. Essa abordagem é crucial para a detecção da doença residual mínima (DRM), agora frequentemente referida como doença residual mensurável, que representa a persistência de células tumorais indetectáveis por métodos convencionais. Dada sua alta sensibilidade, especificidade e aplicabilidade clínica, a imunofenotipagem complementa a análise citomorfológica, aprimorando o diagnóstico e contribuindo para decisões terapêuticas mais eficazes. O presente estudo tem como objetivo revisar a aplicação da imunofenotipagem por citometria de fluxo na classificação das leucemias, destacando sua importância no diagnóstico diferencial dos subtipos da doença e no monitoramento da DRM. Realizou-se uma revisão narrativa com buscas nas bases de dados PubMed, Portal de Periódicos da CAPES, SciELO e Google Acadêmico. Foram utilizados os descritores controlados “immunophenotyping”, “neoplasm”, “residual”, “flow cytometry” e “leukemia”, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos originais, revisões de literatura e metanálises em português e inglês, publicados nos últimos cinco anos. A imunofenotipagem por citometria de fluxo consiste na marcação de células em suspensão com anticorpos monoclonais conjugados a fluorocromos, específicos para antígenos de superfície ou citoplasmáticos. Após a incubação, as células são analisadas individualmente pelo citômetro de fluxo, que excita os fluorocromos por laser e registra os sinais emitidos. Os dados são processados em gráficos, permitindo distinguir as subpopulações celulares com base em seus perfis imunofenotípicos. Por exemplo, na leucemia linfoide aguda (LLA), linfoblastos B tipicamente expressam um conjunto específico de marcadores como CD10, CD19, CD22 e CD79a, enquanto linfoblastos T se caracterizam pela expressão de CD2, CD3, CD5 e CD7. Similarmente, na leucemia mieloide aguda (LMA), predominam marcadores como MPO, CD33, CD13 e CD117. A análise combinada desses perfis imunofenotípicos não só permite o diagnóstico diferencial preciso entre as diversas leucemias, mas também a detecção de padrões de expressão anormais (“aberrantes”) que são característicos das células malignas, mesmo em baixa quantidade. Sua elevada sensibilidade permite a detecção da DRM, crucial para monitorar a resposta terapêutica, detectar recidivas e melhorar o monitoramento do prognóstico, uma vez que a persistência de pequenas quantidades de células leucêmicas remanescentes é indetectável por métodos convencionais. A literatura consultada confirma a imunofenotipagem como ferramenta indispensável no diagnóstico e definição das estratégias de manejo das leucemias. Sua rapidez, sensibilidade e especificidade garantem diagnóstico diferencial precoce, permitindo intervenções oportunas e eficazes. Além de caracterizar os subtipos, orienta terapias adequadas e possibilita o monitoramento preciso da DRM, otimizando o prognóstico e o seguimento clínico dos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104331
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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IMUNOFENOTIPAGEM POR CITOMETRIA DE FLUXO NA CLASSIFICAÇÃO DE LEUCEMIAS: DO DIAGNÓSTICO À DETECÇÃO DA DOENÇA RESIDUAL MÍNIMA

Fernando Magno Bitú Magalhães, Francisco Esteves, Edísio Oliveira de Azevedo
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

IMUNOFENOTIPAGEM POR CITOMETRIA DE FLUXO NA CLASSIFICAÇÃO DE LEUCEMIAS: DO DIAGNÓSTICO À DETECÇÃO DA DOENÇA RESIDUAL MÍNIMA

Fernando Magno Bitú Magalhães, Francisco Esteves, Edísio Oliveira de Azevedo
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Abstract

A imunofenotipagem por citometria de fluxo é uma técnica fundamental para o diagnóstico, classificação e monitoramento de neoplasias hematológicas. Sua capacidade de analisar milhares de células simultaneamente e identificar marcadores antigênicos específicos permite diferenciar células neoplásicas de progenitores normais, caracterizar linhagens celulares e identificar padrões antigênicos aberrantes. Essa abordagem é crucial para a detecção da doença residual mínima (DRM), agora frequentemente referida como doença residual mensurável, que representa a persistência de células tumorais indetectáveis por métodos convencionais. Dada sua alta sensibilidade, especificidade e aplicabilidade clínica, a imunofenotipagem complementa a análise citomorfológica, aprimorando o diagnóstico e contribuindo para decisões terapêuticas mais eficazes. O presente estudo tem como objetivo revisar a aplicação da imunofenotipagem por citometria de fluxo na classificação das leucemias, destacando sua importância no diagnóstico diferencial dos subtipos da doença e no monitoramento da DRM. Realizou-se uma revisão narrativa com buscas nas bases de dados PubMed, Portal de Periódicos da CAPES, SciELO e Google Acadêmico. Foram utilizados os descritores controlados “immunophenotyping”, “neoplasm”, “residual”, “flow cytometry” e “leukemia”, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos originais, revisões de literatura e metanálises em português e inglês, publicados nos últimos cinco anos. A imunofenotipagem por citometria de fluxo consiste na marcação de células em suspensão com anticorpos monoclonais conjugados a fluorocromos, específicos para antígenos de superfície ou citoplasmáticos. Após a incubação, as células são analisadas individualmente pelo citômetro de fluxo, que excita os fluorocromos por laser e registra os sinais emitidos. Os dados são processados em gráficos, permitindo distinguir as subpopulações celulares com base em seus perfis imunofenotípicos. Por exemplo, na leucemia linfoide aguda (LLA), linfoblastos B tipicamente expressam um conjunto específico de marcadores como CD10, CD19, CD22 e CD79a, enquanto linfoblastos T se caracterizam pela expressão de CD2, CD3, CD5 e CD7. Similarmente, na leucemia mieloide aguda (LMA), predominam marcadores como MPO, CD33, CD13 e CD117. A análise combinada desses perfis imunofenotípicos não só permite o diagnóstico diferencial preciso entre as diversas leucemias, mas também a detecção de padrões de expressão anormais (“aberrantes”) que são característicos das células malignas, mesmo em baixa quantidade. Sua elevada sensibilidade permite a detecção da DRM, crucial para monitorar a resposta terapêutica, detectar recidivas e melhorar o monitoramento do prognóstico, uma vez que a persistência de pequenas quantidades de células leucêmicas remanescentes é indetectável por métodos convencionais. A literatura consultada confirma a imunofenotipagem como ferramenta indispensável no diagnóstico e definição das estratégias de manejo das leucemias. Sua rapidez, sensibilidade e especificidade garantem diagnóstico diferencial precoce, permitindo intervenções oportunas e eficazes. Além de caracterizar os subtipos, orienta terapias adequadas e possibilita o monitoramento preciso da DRM, otimizando o prognóstico e o seguimento clínico dos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Myeloid Leukemia Research
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