CHECKLIST PARA SEGURANÇA DO PACIENTE NO ATO TRANSFUSIONAL: TECNOLOGIA PARA REDUÇÃO DE RISCOS

O ato transfusional compreende múltiplas etapas realizadas por diferentes profissionais, o que o torna suscetível a falhas. A transfusão de sangue é uma das terapêuticas mais empregadas mundialmente. Embora terapêutica, apresenta riscos consideráveis ao paciente, especialmente quando falhas humanas ocorrem. Muitos incidentes podem ser evitados com medidas simples, como a adoção de checklists, os quais são reconhecidos como estratégia eficaz para aumentar a segurança e padronizar condutas em diferentes áreas da saúde. No entanto, instrumentos específicos que integrem todas as fases do processo transfusional ainda são escassos na prática clínica. Assim, reconhecendo a complexidade do procedimento e os desafios impostos à segurança do paciente, propôs-se o desenvolvimento de uma tecnologia, de aplicação prática, para minimizar os riscos nesse contexto. Construir e validar um checklist para segurança do paciente no ato transfusional. Trata-se de um estudo metodológico desenvolvido em quatro etapas. Inicialmente realizou-se uma revisão integrativa da literatura e levantamento das recomendações legais vigentes para elaboração dos itens preliminares do checklist. Posteriormente, esses itens foram validados quanto ao conteúdo por um comitê local de especialistas atuantes na instituição pesquisada, resultando na primeira versão do instrumento. Na terceira etapa, realizou-se nova validação com experts em hemoterapia de diversas instituições brasileiras. Após análise e ajustes, elaborou-se a segunda versão, que foi submetida a um pré-teste com os profissionais-alvo do instrumento, para avaliação da clareza e compreensão dos itens. Utilizou-se o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), estabelecendo-se concordância mínima de 0,80. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM. A versão inicial do checklist contou com 48 itens e 80 subitens. Após a primeira e segunda rodada de validação, itens que apresentaram IVC <0,80, foram reformulados ou excluídos. As demais sugestões dos juízes foram avaliadas e resultaram em ajustes. No pré-teste, apenas um item não atingiu IVC ≥0,80; sendo reformulado e reavaliado, alcançando concordância de 100%. O instrumento final ficou composto por 29 itens e 90 subitens, organizados em três domínios (Pré- transfusão, Transfusão e Pós-transfusão) e cinco blocos (Prescrição médica, Compatibilização, Identificação beira-leito, Instalação e Monitoramento). O IVC geral alcançado foi de 0,98, indicando alta validade de conteúdo. O checklist desenvolvido é inédito por contemplar integralmente o processo transfusional, englobando etapas pouco abordadas em instrumentos existentes, como prescrição e compatibilização. Seu desenvolvimento seguiu rigor metodológico, envolvendo múltiplos especialistas e diferentes contextos de prática. A alta concordância obtida demonstra consistência e potencial para padronização de procedimentos, prevenção de erros e fortalecimento da cultura de segurança. A adesão ao checklist tem potencial para promover a segurança do paciente, padronizar condutas e reforçar a cultura de segurança nas instituições de saúde. Sendo assim, o checklist apresentou validade de conteúdo e se configura como tecnologia assistencial capaz de aumentar a segurança do paciente e melhorar a qualidade da assistência no ato transfusional. Sua aplicação pode reduzir falhas humanas, fortalecer práticas seguras e contribuir para protocolos institucionais e políticas de segurança transfusional.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105929
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
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article

CHECKLIST PARA SEGURANÇA DO PACIENTE NO ATO TRANSFUSIONAL: TECNOLOGIA PARA REDUÇÃO DE RISCOS

Carlos Renato Rambo, Q. F. B. dos SANTOS, TSBdS Magnago, LST Chielle
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

CHECKLIST PARA SEGURANÇA DO PACIENTE NO ATO TRANSFUSIONAL: TECNOLOGIA PARA REDUÇÃO DE RISCOS

Carlos Renato Rambo, Q. F. B. dos SANTOS, TSBdS Magnago, LST Chielle
article en

Abstract

O ato transfusional compreende múltiplas etapas realizadas por diferentes profissionais, o que o torna suscetível a falhas. A transfusão de sangue é uma das terapêuticas mais empregadas mundialmente. Embora terapêutica, apresenta riscos consideráveis ao paciente, especialmente quando falhas humanas ocorrem. Muitos incidentes podem ser evitados com medidas simples, como a adoção de checklists, os quais são reconhecidos como estratégia eficaz para aumentar a segurança e padronizar condutas em diferentes áreas da saúde. No entanto, instrumentos específicos que integrem todas as fases do processo transfusional ainda são escassos na prática clínica. Assim, reconhecendo a complexidade do procedimento e os desafios impostos à segurança do paciente, propôs-se o desenvolvimento de uma tecnologia, de aplicação prática, para minimizar os riscos nesse contexto. Construir e validar um checklist para segurança do paciente no ato transfusional. Trata-se de um estudo metodológico desenvolvido em quatro etapas. Inicialmente realizou-se uma revisão integrativa da literatura e levantamento das recomendações legais vigentes para elaboração dos itens preliminares do checklist. Posteriormente, esses itens foram validados quanto ao conteúdo por um comitê local de especialistas atuantes na instituição pesquisada, resultando na primeira versão do instrumento. Na terceira etapa, realizou-se nova validação com experts em hemoterapia de diversas instituições brasileiras. Após análise e ajustes, elaborou-se a segunda versão, que foi submetida a um pré-teste com os profissionais-alvo do instrumento, para avaliação da clareza e compreensão dos itens. Utilizou-se o Índice de Validade de Conteúdo (IVC), estabelecendo-se concordância mínima de 0,80. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSM. A versão inicial do checklist contou com 48 itens e 80 subitens. Após a primeira e segunda rodada de validação, itens que apresentaram IVC <0,80, foram reformulados ou excluídos. As demais sugestões dos juízes foram avaliadas e resultaram em ajustes. No pré-teste, apenas um item não atingiu IVC ≥0,80; sendo reformulado e reavaliado, alcançando concordância de 100%. O instrumento final ficou composto por 29 itens e 90 subitens, organizados em três domínios (Pré- transfusão, Transfusão e Pós-transfusão) e cinco blocos (Prescrição médica, Compatibilização, Identificação beira-leito, Instalação e Monitoramento). O IVC geral alcançado foi de 0,98, indicando alta validade de conteúdo. O checklist desenvolvido é inédito por contemplar integralmente o processo transfusional, englobando etapas pouco abordadas em instrumentos existentes, como prescrição e compatibilização. Seu desenvolvimento seguiu rigor metodológico, envolvendo múltiplos especialistas e diferentes contextos de prática. A alta concordância obtida demonstra consistência e potencial para padronização de procedimentos, prevenção de erros e fortalecimento da cultura de segurança. A adesão ao checklist tem potencial para promover a segurança do paciente, padronizar condutas e reforçar a cultura de segurança nas instituições de saúde. Sendo assim, o checklist apresentou validade de conteúdo e se configura como tecnologia assistencial capaz de aumentar a segurança do paciente e melhorar a qualidade da assistência no ato transfusional. Sua aplicação pode reduzir falhas humanas, fortalecer práticas seguras e contribuir para protocolos institucionais e políticas de segurança transfusional.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Santa Maria (BR)
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Blood transfusion and management
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