PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LEUCEMIA NO NORDESTE BRASILEIRO

A leucemia é um câncer que afeta principalmente os glóbulos brancos, na medula óssea e no sistema linfático. Pacientes podem necessitar de internações para quimioterapia, manejo de infecções, transfusões e suporte nutricional. Avaliar o perfil das internações por leucemia é essencial para compreender a doença e orientar políticas públicas. Descrever o perfil epidemiológico das internações por leucemia no Nordeste (NE). Estudo epidemiológico, retrospectivo e descritivo, baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídas internações no NE entre janeiro de 2016 e junho de 2025, referente às leucemias (códigos C91 a C95 da Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão, CID-10). Foram definidas variáveis demográficas (idade, sexo, etnia), assistenciais (caráter da internação, média de permanência) e desfechos (óbitos, taxa de mortalidade). Foram realizadas análises estatísticas descritivas, com cálculo de frequências absolutas e relativas, médias e desvios-padrão (DP). Para avaliar a associação entre o desfecho (óbito vs não óbito) e a Unidade da Federação (UF), foi aplicado o teste qui-quadrado de independência (χ 2 ), considerando nível de significância de 5% (p < 0,05). As análises foram realizadas no Microsoft Excel® 2024. No período analisado, foram registradas 100.447 internações por leucemia no NE (26,7% do total nacional), sendo superada apenas pelo Sudeste (n = 154.754; 41,1%). A média de internações por UF no NE foi de 11.161, com DP populacional de 7.857. A UF com o maior número de internações foi Pernambuco (PE) (n = 30.035; 29,9%), em contraste com Sergipe (SE), que apresentou o menor valor (n = 2.592; 2,6%). A faixa etária mais prevalente foi 1 a 9 anos (n = 35.811; 35,6%), predominando o sexo masculino (n = 57.480; 57,2%) e a etnia parda (n = 67.726; 67,4%). O tempo médio de permanência hospitalar foi de 8,3 dias. O caráter de atendimento mais prevalente foi a internação de urgência (n = 68.193; 67,9%). Quanto ao desfecho, registraram-se 6.121 óbitos, com uma taxa de mortalidade (TM) geral de 6,09%, sendo que as internações de urgência apresentaram maior número de óbitos (n = 4.363; 6,4%) em comparação às eletivas (n = 1.758; 5,4%). A análise da distribuição dos óbitos entre as UF revelou diferença estatisticamente significativa (χ 2 , p < 0,001), com algumas regiões apresentando TMs significativamente maiores. O Ceará (CE) apresentou a maior TM (n = 1.016; 9,9%), enquanto PE registrou a menor (n = 804; 2,68%). O NE concentrou mais de um quarto das internações por leucemia. A elevada proporção de internações de urgência sugere atraso no diagnóstico, falta de hospitais especializados e insuficiência de acompanhamento ambulatorial. Ademais, ressalta-se que PE apresentou o maior número de internações, mas com a menor TM da região, o que pode indicar maior capacidade de detecção e oferta de tratamento especializado. Já estados como o CE apresentaram TMs mais elevadas, apontando para possíveis desigualdades estruturais e de acesso no SUS. Sendo assim, o perfil das internações por leucemia no NE foi marcado por: sexo masculino, pediátricos, pardos, atendidos majoritariamente em urgência, com desfecho favorável em PE, o que está em consonância com o perfil nacional. As disparidades estaduais reforçam a necessidade de estratégias regionais para ampliar o diagnóstico precoce, fortalecer o cuidado especializado e reduzir disparidades no manejo da doença.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104632
Primary Topic
Women's cancer prevention and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LEUCEMIA NO NORDESTE BRASILEIRO

J. Acácio de Barros, GF Silva, Francisco Marcelino Almeida de Araújo, APR Levandowski et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Women's cancer prevention and management
article

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR LEUCEMIA NO NORDESTE BRASILEIRO

J. Acácio de Barros, GF Silva, Francisco Marcelino Almeida de Araújo, APR Levandowski, IO Tanios
article en

Abstract

A leucemia é um câncer que afeta principalmente os glóbulos brancos, na medula óssea e no sistema linfático. Pacientes podem necessitar de internações para quimioterapia, manejo de infecções, transfusões e suporte nutricional. Avaliar o perfil das internações por leucemia é essencial para compreender a doença e orientar políticas públicas. Descrever o perfil epidemiológico das internações por leucemia no Nordeste (NE). Estudo epidemiológico, retrospectivo e descritivo, baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídas internações no NE entre janeiro de 2016 e junho de 2025, referente às leucemias (códigos C91 a C95 da Classificação Internacional de Doenças – 10ª Revisão, CID-10). Foram definidas variáveis demográficas (idade, sexo, etnia), assistenciais (caráter da internação, média de permanência) e desfechos (óbitos, taxa de mortalidade). Foram realizadas análises estatísticas descritivas, com cálculo de frequências absolutas e relativas, médias e desvios-padrão (DP). Para avaliar a associação entre o desfecho (óbito vs não óbito) e a Unidade da Federação (UF), foi aplicado o teste qui-quadrado de independência (χ 2 ), considerando nível de significância de 5% (p < 0,05). As análises foram realizadas no Microsoft Excel® 2024. No período analisado, foram registradas 100.447 internações por leucemia no NE (26,7% do total nacional), sendo superada apenas pelo Sudeste (n = 154.754; 41,1%). A média de internações por UF no NE foi de 11.161, com DP populacional de 7.857. A UF com o maior número de internações foi Pernambuco (PE) (n = 30.035; 29,9%), em contraste com Sergipe (SE), que apresentou o menor valor (n = 2.592; 2,6%). A faixa etária mais prevalente foi 1 a 9 anos (n = 35.811; 35,6%), predominando o sexo masculino (n = 57.480; 57,2%) e a etnia parda (n = 67.726; 67,4%). O tempo médio de permanência hospitalar foi de 8,3 dias. O caráter de atendimento mais prevalente foi a internação de urgência (n = 68.193; 67,9%). Quanto ao desfecho, registraram-se 6.121 óbitos, com uma taxa de mortalidade (TM) geral de 6,09%, sendo que as internações de urgência apresentaram maior número de óbitos (n = 4.363; 6,4%) em comparação às eletivas (n = 1.758; 5,4%). A análise da distribuição dos óbitos entre as UF revelou diferença estatisticamente significativa (χ 2 , p < 0,001), com algumas regiões apresentando TMs significativamente maiores. O Ceará (CE) apresentou a maior TM (n = 1.016; 9,9%), enquanto PE registrou a menor (n = 804; 2,68%). O NE concentrou mais de um quarto das internações por leucemia. A elevada proporção de internações de urgência sugere atraso no diagnóstico, falta de hospitais especializados e insuficiência de acompanhamento ambulatorial. Ademais, ressalta-se que PE apresentou o maior número de internações, mas com a menor TM da região, o que pode indicar maior capacidade de detecção e oferta de tratamento especializado. Já estados como o CE apresentaram TMs mais elevadas, apontando para possíveis desigualdades estruturais e de acesso no SUS. Sendo assim, o perfil das internações por leucemia no NE foi marcado por: sexo masculino, pediátricos, pardos, atendidos majoritariamente em urgência, com desfecho favorável em PE, o que está em consonância com o perfil nacional. As disparidades estaduais reforçam a necessidade de estratégias regionais para ampliar o diagnóstico precoce, fortalecer o cuidado especializado e reduzir disparidades no manejo da doença.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Maranhão (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Women's cancer prevention and management
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