PROGRESSÃO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PARA NEOPLASIA DE CÉLULAS DENDRÍTICAS PLASMOCITOIDES BLÁSTICAS COM MANIFESTAÇÕES IMUNOLÓGICAS GRAVES

A neoplasia de células dendríticas plasmocitoides blásticas (BPDCN) é uma neoplasia hematológica rara e altamente agressiva, caracterizada por expressão de CD4, CD56, HLA-DR e CD123, frequentemente associada a infiltração cutânea (≈90% dos casos) e prognóstico desfavorável. A progressão de neoplasia mielodisplásica (SMD) para BPDCN é incomum, e manifestações imunológicas graves, como síndrome de ativação macrofágica (SAM) e coagulação intravascular disseminada (CIVD), são raramente descritas. Paciente masculino, 70 anos, hipertenso, em acompanhamento ambulatorial por SMD de risco intermediário (R-IPSS 3,5) desde dezembro de 2024, em tratamento apenas com suporte transfusional. Em maio de 2025, apresentou piora da pancitopenia, febre persistente e hiperferritinemia, sendo diagnosticado com SAM, com resposta completa à corticoterapia. Após suspensão gradual do corticoide, evoluiu com novas citopenias e surgimento de múltiplas lesões cutâneas. Mielograma e imunofenotipagem da medula óssea detectaram a presença de 58% de blastos que expressam os antpigenos CD123, HLA-DR, CD4, CD56, CD36, NG2 e CD7, com ausência de marcadores mieloides (MPO, CD64), linfoide B (CD19, CD10, CD79a) e linfoide T (CD3), confirmando BPDCN. A biópsia cutânea demonstrou proliferação linfoide atípica com expressão de CD7 e CD56, compatível com infiltração cutânea por BPDCN. Durante a internação, o paciente apresentou novo episódio de SAM associado a CIVD, secundários à intensa atividade imunológica da doença. Iniciou-se quimioterapia convencional com mini-HyperCVAD (ciclo 1: ciclofosfamida, metotrexato, dexametasona, doxorrubicina, vincristina e citarabina) em agosto de 2025. A BPDCN apresenta fenótipo característico e evolução clínica agressiva, com resposta limitada a esquemas quimioterápicos convencionais. Terapias-alvo, como anti-CD123 (tagraxofusp) e inibidores de BCL-2 (venetoclax), têm mostrado resultados promissores, especialmente como ponte para transplante alogênico, embora seu acesso seja restrito em alguns contextos. A associação de BPDCN com SMD é rara e pouco documentada, e o desenvolvimento de SAM e CIVD evidencia a intensa disfunção imunológica da doença, associada a prognóstico adverso. O presente estudo ilustra um caso raro de progressão de SMD para BPDCN, com infiltração cutânea e manifestações imunológicas graves. O reconhecimento precoce e a confirmação diagnóstica por imunofenotipagem são fundamentais para tratamento adequado, e o registro desses casos contribui para ampliar o conhecimento sobre apresentações clínicas incomuns da doença.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104637
Primary Topic
Cutaneous lymphoproliferative disorders research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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PROGRESSÃO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PARA NEOPLASIA DE CÉLULAS DENDRÍTICAS PLASMOCITOIDES BLÁSTICAS COM MANIFESTAÇÕES IMUNOLÓGICAS GRAVES

Palacios Pérez, BM Oliveira, V. L. F. T. Costa, Luiz E. O. C. Aragão et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Cutaneous lymphoproliferative disorders research
article

PROGRESSÃO DE SÍNDROME MIELODISPLÁSICA PARA NEOPLASIA DE CÉLULAS DENDRÍTICAS PLASMOCITOIDES BLÁSTICAS COM MANIFESTAÇÕES IMUNOLÓGICAS GRAVES

Palacios Pérez, BM Oliveira, V. L. F. T. Costa, Luiz E. O. C. Aragão, Roberto Dantas Queiroz, Marcela da Silva Dourado, AF Sandes, LAP Sales, LM Fiorio, VR Ferrarez, LFdM Olivatto
article en

Abstract

A neoplasia de células dendríticas plasmocitoides blásticas (BPDCN) é uma neoplasia hematológica rara e altamente agressiva, caracterizada por expressão de CD4, CD56, HLA-DR e CD123, frequentemente associada a infiltração cutânea (≈90% dos casos) e prognóstico desfavorável. A progressão de neoplasia mielodisplásica (SMD) para BPDCN é incomum, e manifestações imunológicas graves, como síndrome de ativação macrofágica (SAM) e coagulação intravascular disseminada (CIVD), são raramente descritas. Paciente masculino, 70 anos, hipertenso, em acompanhamento ambulatorial por SMD de risco intermediário (R-IPSS 3,5) desde dezembro de 2024, em tratamento apenas com suporte transfusional. Em maio de 2025, apresentou piora da pancitopenia, febre persistente e hiperferritinemia, sendo diagnosticado com SAM, com resposta completa à corticoterapia. Após suspensão gradual do corticoide, evoluiu com novas citopenias e surgimento de múltiplas lesões cutâneas. Mielograma e imunofenotipagem da medula óssea detectaram a presença de 58% de blastos que expressam os antpigenos CD123, HLA-DR, CD4, CD56, CD36, NG2 e CD7, com ausência de marcadores mieloides (MPO, CD64), linfoide B (CD19, CD10, CD79a) e linfoide T (CD3), confirmando BPDCN. A biópsia cutânea demonstrou proliferação linfoide atípica com expressão de CD7 e CD56, compatível com infiltração cutânea por BPDCN. Durante a internação, o paciente apresentou novo episódio de SAM associado a CIVD, secundários à intensa atividade imunológica da doença. Iniciou-se quimioterapia convencional com mini-HyperCVAD (ciclo 1: ciclofosfamida, metotrexato, dexametasona, doxorrubicina, vincristina e citarabina) em agosto de 2025. A BPDCN apresenta fenótipo característico e evolução clínica agressiva, com resposta limitada a esquemas quimioterápicos convencionais. Terapias-alvo, como anti-CD123 (tagraxofusp) e inibidores de BCL-2 (venetoclax), têm mostrado resultados promissores, especialmente como ponte para transplante alogênico, embora seu acesso seja restrito em alguns contextos. A associação de BPDCN com SMD é rara e pouco documentada, e o desenvolvimento de SAM e CIVD evidencia a intensa disfunção imunológica da doença, associada a prognóstico adverso. O presente estudo ilustra um caso raro de progressão de SMD para BPDCN, com infiltração cutânea e manifestações imunológicas graves. O reconhecimento precoce e a confirmação diagnóstica por imunofenotipagem são fundamentais para tratamento adequado, e o registro desses casos contribui para ampliar o conhecimento sobre apresentações clínicas incomuns da doença.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de São Paulo (BR)
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Cutaneous lymphoproliferative disorders research
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