LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA DIAGNOSTICADA EM PACIENTE COM DOENÇA DE CROHN EM USO DE ADALIMUMABE: RELATO DE CASO

A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo específico da leucemia mieloide aguda (LMA), caracterizado por uma translocação no gene RARA, no cromossomo 17, e pela presença de promielócitos anormais na medula óssea. A incidência anual nos EUA é de 0,08 por 100.000 habitantes e representa de 5 a 10% dos casos de LMA, com maior incidência em latino-americanos e sem predileção por gênero. A mediana de idade ao diagnóstico varia entre 20 e 59 anos. Sua etiologia é desconhecida, embora alguns casos estejam associados à exposição prévia a terapias citotóxicas. Paciente masculino, 31 anos, com diagnóstico prévio de doença de Crohn ileal fistulizante em uso regular de adalimumabe (14/14 dias desde março de 2024), procurou atendimento com queixa de sangramento gengival e aparecimento súbito de hematomas espontâneos em membros superiores, inferiores e tronco, além de lesões orais sangrantes. Relatava também, hematoma persistente na perna esquerda após trauma leve, sem outros sintomas associados. Ao exame físico, apresentava-se hipocorado, com múltiplos hematomas pelo corpo, petéquias, e lesões ulceradas com crostas em lábios. Exames laboratoriais de admissão evidenciaram anemia (Hb 8,3 g/dL), leucocitose (13.710/mm 3 ) com 80% de blastos, plaquetopenia grave (8.000/mm 3 ) e fibrinogênio reduzido (125 mg/dL). Esfregaço de sangue periférico evidenciou anisocitose, células blásticas com bastonetes de Auer e trombocitopenia verdadeira. Aspirado de medula óssea com imunofenotipagem revelou infiltração por 91,1% de blastos com fenótipo compatível com leucemia mieloide aguda. Realizado FISH que confirmou fusão PML:RARA, diagnosticando leucemia promielocítica aguda (LPA). Neste caso, um paciente jovem, portador de doença inflamatória intestinal e em uso de terapia imunossupressora com anti-TNF-α, evoluiu com leucemia promielocítica aguda. Em 2009, a FDA relatou 44 casos de LMA em pacientes que faziam uso de inibidores de TNF-α (para todas as indicações). Além disso, vários relatos de caso recentes mostraram uma associação entre o adalimumabe e LMA. Embora até o momento não exista comprovação de uma relação causal entre esse tipo de tratamento e o desenvolvimento de LPA, o relato ressalta a importância da vigilância clínica e do acompanhamento longitudinal para a identificação de possíveis ocorrências semelhantes

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104598
Primary Topic
Chronic Myeloid Leukemia Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA DIAGNOSTICADA EM PACIENTE COM DOENÇA DE CROHN EM USO DE ADALIMUMABE: RELATO DE CASO

RL Almeida, Álvaro Afonso Marques Costa, TS Band, KP Urago et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Chronic Myeloid Leukemia Treatments
article

LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA DIAGNOSTICADA EM PACIENTE COM DOENÇA DE CROHN EM USO DE ADALIMUMABE: RELATO DE CASO

RL Almeida, Álvaro Afonso Marques Costa, TS Band, KP Urago, BB Wigderowitz, AL Copello, AS Anjos, LF Nano, RA Sgro
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Abstract

A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo específico da leucemia mieloide aguda (LMA), caracterizado por uma translocação no gene RARA, no cromossomo 17, e pela presença de promielócitos anormais na medula óssea. A incidência anual nos EUA é de 0,08 por 100.000 habitantes e representa de 5 a 10% dos casos de LMA, com maior incidência em latino-americanos e sem predileção por gênero. A mediana de idade ao diagnóstico varia entre 20 e 59 anos. Sua etiologia é desconhecida, embora alguns casos estejam associados à exposição prévia a terapias citotóxicas. Paciente masculino, 31 anos, com diagnóstico prévio de doença de Crohn ileal fistulizante em uso regular de adalimumabe (14/14 dias desde março de 2024), procurou atendimento com queixa de sangramento gengival e aparecimento súbito de hematomas espontâneos em membros superiores, inferiores e tronco, além de lesões orais sangrantes. Relatava também, hematoma persistente na perna esquerda após trauma leve, sem outros sintomas associados. Ao exame físico, apresentava-se hipocorado, com múltiplos hematomas pelo corpo, petéquias, e lesões ulceradas com crostas em lábios. Exames laboratoriais de admissão evidenciaram anemia (Hb 8,3 g/dL), leucocitose (13.710/mm 3 ) com 80% de blastos, plaquetopenia grave (8.000/mm 3 ) e fibrinogênio reduzido (125 mg/dL). Esfregaço de sangue periférico evidenciou anisocitose, células blásticas com bastonetes de Auer e trombocitopenia verdadeira. Aspirado de medula óssea com imunofenotipagem revelou infiltração por 91,1% de blastos com fenótipo compatível com leucemia mieloide aguda. Realizado FISH que confirmou fusão PML:RARA, diagnosticando leucemia promielocítica aguda (LPA). Neste caso, um paciente jovem, portador de doença inflamatória intestinal e em uso de terapia imunossupressora com anti-TNF-α, evoluiu com leucemia promielocítica aguda. Em 2009, a FDA relatou 44 casos de LMA em pacientes que faziam uso de inibidores de TNF-α (para todas as indicações). Além disso, vários relatos de caso recentes mostraram uma associação entre o adalimumabe e LMA. Embora até o momento não exista comprovação de uma relação causal entre esse tipo de tratamento e o desenvolvimento de LPA, o relato ressalta a importância da vigilância clínica e do acompanhamento longitudinal para a identificação de possíveis ocorrências semelhantes

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR), Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Chronic Myeloid Leukemia Treatments
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