PREVALÊNCIA DE COAGULOPATIA HEREDITÁRIA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE DE DADOS DO ANO DE 2023

A hemostasia é um processo fisiológico essencial para conter sangramentos, envolvendo a formação inicial de um tampão plaquetário e a ativação coordenada da cascata de coagulação. A deficiência em qualquer etapa pode levar a sangramentos desproporcionais. As Coagulopatias Hereditárias (CH) são distúrbios hemorrágicos, causados por deficiências nos fatores de coagulação. As formas mais comuns incluem a doença de von Willebrand (dvW), por deficiência qualitativa ou quantitativa do fator de von willebrand, e as hemofilias A e B, de herança recessiva ligada ao cromossomo X, que predispõe a deficiências dos fatores VIII e IX, respectivamente. Descrever o perfil epidemiológico das CH no Brasil em 2023, identificando os tipos, distribuição demográfica e geográfica, e analisar as disparidades regionais no acesso ao diagnóstico/tratamento. Realizou-se um estudo epidemiológico descritivo com base nos dados secundários do relatório, “Dados perfil CH Brasil 2023”, do Ministério da Saúde (2023). Foi conduzida uma revisão de literatura nas bases PubMed, SciElo e Google acadêmico, utilizando os descritores DeCS “coagulopatias hereditárias”, “hemofilia” e “epidemiologia”. Foram incluídos cinco artigos publicados nos últimos cinco anos com foco em populações brasileiras. Dados de 2023 do MS indicaram a hemofilia A como a CH mais prevalente, (35,69% dos casos). Dados da Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não transmissíveis do MS sobre mortalidade, referentes ao período de 2020 a 2024, atribuíram à hemofilia A 62% (93/150) dos óbitos por CH, reforçando sua gravidade. Entre hemofilia A, B, dvW, coagulopatias raras e outras, o Sudeste concentrou 44,67% dos casos. A faixa etária mais afetada foi de 20 a 29 anos. O Sul teve o maior consumo médio de fator VIII e o Centro-Oeste, de fator IX. A maioria estava em profilaxia secundária de longa duração. Evidenciou-se uma notável disparidade regional: embora o Nordeste represente a segunda maior população de pacientes com CH, a região ocupou apenas a quarta posição no consumo de concentrados de FVIII e FIX, sugerindo barreiras significativas no acesso ao tratamento. A alta prevalência e letalidade da hemofilia A reforçam sua gravidade clínica e a necessidade de estratégias de cuidado contínuo. A concentração de casos no Sudeste pode refletir maior capacidade de diagnóstico e notificação, enquanto a disparidade no Nordeste sugere falhas no acesso ao tratamento, mesmo com alta prevalência, indicando desigualdades regionais. A predominância das hemofilias em homens é consistente com seu padrão de herança recessiva ligada ao X. Enquanto a maior frequência de outras CH em mulheres, como a DvW, pode ser influenciada pela maior investigação diagnóstica decorrente de manifestações gineco-obstétricas (menorragia, hemorragia pós-parto). A concentração de casos em adultos jovens revela impacto na força de trabalho, reforçando a urgência de ações que promovam equidade no diagnóstico, acesso terapêutico e suporte integral. A hemofilia A é a CH mais prevalente e letal no Brasil, com maior concentração no Sudeste e disparidades no acesso ao tratamento no Nordeste. Observa-se que a maioria dos casos ocorre em homens jovens, refletindo o padrão genético da doença. Já em mulheres, há maior diagnóstico de outras CH, possivelmente relacionadas ao ciclo reprodutivo. Esses dados indicam desigualdades regionais significativas e o estudo reforça a urgência de políticas públicas para garantir diagnóstico e tratamento equitativos.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105446
Primary Topic
Hemophilia Treatment and Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

PREVALÊNCIA DE COAGULOPATIA HEREDITÁRIA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE DE DADOS DO ANO DE 2023

J. P. GOMES, APM Paiva, ATO Raab, A.F.P De Sousa et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemophilia Treatment and Research
article

PREVALÊNCIA DE COAGULOPATIA HEREDITÁRIA NO BRASIL ‒ UMA ANÁLISE DE DADOS DO ANO DE 2023

J. P. GOMES, APM Paiva, ATO Raab, A.F.P De Sousa, Guilherme Augusto Pereira Malta, IS Andrade, GC Barreto, YAS Ivanoski, N. T. B. Barbosa, GHSA Glória
article en

Abstract

A hemostasia é um processo fisiológico essencial para conter sangramentos, envolvendo a formação inicial de um tampão plaquetário e a ativação coordenada da cascata de coagulação. A deficiência em qualquer etapa pode levar a sangramentos desproporcionais. As Coagulopatias Hereditárias (CH) são distúrbios hemorrágicos, causados por deficiências nos fatores de coagulação. As formas mais comuns incluem a doença de von Willebrand (dvW), por deficiência qualitativa ou quantitativa do fator de von willebrand, e as hemofilias A e B, de herança recessiva ligada ao cromossomo X, que predispõe a deficiências dos fatores VIII e IX, respectivamente. Descrever o perfil epidemiológico das CH no Brasil em 2023, identificando os tipos, distribuição demográfica e geográfica, e analisar as disparidades regionais no acesso ao diagnóstico/tratamento. Realizou-se um estudo epidemiológico descritivo com base nos dados secundários do relatório, “Dados perfil CH Brasil 2023”, do Ministério da Saúde (2023). Foi conduzida uma revisão de literatura nas bases PubMed, SciElo e Google acadêmico, utilizando os descritores DeCS “coagulopatias hereditárias”, “hemofilia” e “epidemiologia”. Foram incluídos cinco artigos publicados nos últimos cinco anos com foco em populações brasileiras. Dados de 2023 do MS indicaram a hemofilia A como a CH mais prevalente, (35,69% dos casos). Dados da Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não transmissíveis do MS sobre mortalidade, referentes ao período de 2020 a 2024, atribuíram à hemofilia A 62% (93/150) dos óbitos por CH, reforçando sua gravidade. Entre hemofilia A, B, dvW, coagulopatias raras e outras, o Sudeste concentrou 44,67% dos casos. A faixa etária mais afetada foi de 20 a 29 anos. O Sul teve o maior consumo médio de fator VIII e o Centro-Oeste, de fator IX. A maioria estava em profilaxia secundária de longa duração. Evidenciou-se uma notável disparidade regional: embora o Nordeste represente a segunda maior população de pacientes com CH, a região ocupou apenas a quarta posição no consumo de concentrados de FVIII e FIX, sugerindo barreiras significativas no acesso ao tratamento. A alta prevalência e letalidade da hemofilia A reforçam sua gravidade clínica e a necessidade de estratégias de cuidado contínuo. A concentração de casos no Sudeste pode refletir maior capacidade de diagnóstico e notificação, enquanto a disparidade no Nordeste sugere falhas no acesso ao tratamento, mesmo com alta prevalência, indicando desigualdades regionais. A predominância das hemofilias em homens é consistente com seu padrão de herança recessiva ligada ao X. Enquanto a maior frequência de outras CH em mulheres, como a DvW, pode ser influenciada pela maior investigação diagnóstica decorrente de manifestações gineco-obstétricas (menorragia, hemorragia pós-parto). A concentração de casos em adultos jovens revela impacto na força de trabalho, reforçando a urgência de ações que promovam equidade no diagnóstico, acesso terapêutico e suporte integral. A hemofilia A é a CH mais prevalente e letal no Brasil, com maior concentração no Sudeste e disparidades no acesso ao tratamento no Nordeste. Observa-se que a maioria dos casos ocorre em homens jovens, refletindo o padrão genético da doença. Já em mulheres, há maior diagnóstico de outras CH, possivelmente relacionadas ao ciclo reprodutivo. Esses dados indicam desigualdades regionais significativas e o estudo reforça a urgência de políticas públicas para garantir diagnóstico e tratamento equitativos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Católica de Brasília (BR), Governo do Distrito Federal (BR), Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (BR), Escola Nacional de Saúde Pública (BR), Escola Superior de Ciências da Saúde (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Hemophilia Treatment and Research
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.