DISTÚRBIOS DOS BASÓFILOS: REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA

Os basófilos representam um importante tema de estudo na hematologia, especialmente ao se investigar a relação entre suas alterações funcionais e quantitativas e seu papel em diversas doenças como urticária, dermatite atópica e câncer. Apesar de sua ampla aplicabilidade clínica, o campo ainda carece de revisões que sintetizem o conhecimento disponível, tornando-o mais acessível e integrando-o à prática hematológica. Analisar criticamente a literatura científica sobre distúrbios basofílicos, com foco em suas causas, manifestações clínicas e implicações diagnósticas. Realizou-se uma revisão da literatura nas bases de dados PubMed, BVS e Web of Science, com publicações de 2020 a 2025. Os descritores utilizados, dos vocabulários DeCS/MeSH, foram: “Basófilos” ( Basophils ), “Distúrbios dos Basófilos” ( Basophil Disorders ) e “Basofilia” ( Basophilia ), combinados por meio dos operadores booleanos "AND" e "OR". Foram identificados 388 artigos; após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e a remoção de duplicatas, 13 estudos foram selecionados para compor a análise crítica. Os estudos analisados destacam a importância dos basófilos em diversas doenças, desde neoplasias mieloides a alergias e autoimunidades. Observou-se que a basofilia pode indicar formas mais agressivas de neoplasias e que o marcador CD203c é útil no prognóstico da Leucemia Mieloide Crônica (LMC). Em testes clínicos, a combinação azacitidina + venetoclax demonstrou efeito terapêutico promissor. Alterações em marcadores como SYK, CD203c e CD63 associam-se a diferentes respostas basofílicas. Em alergias e asma, testes com basófilos são promissores para prever reatividade clínica. O papel dos basófilos na imunidade, ainda pouco esclarecido, pode ser relevante em novas estratégias terapêuticas. Diante desses achados, observa-se que os distúrbios dos basófilos apresentam uma heterogeneidade clínica, englobando desde processos alérgicos até neoplasias hematológicas. Em quadros alérgicos, observa-se uma ativação basal aumentada dos basófilos em certos subtipos, enquanto a responsividade mediada por IgE pode ser reduzida, como ocorre na urticária crônica espontânea. Em doenças autoimunes, a ativação seletiva dessas células mostrou uma relação inversa com o status ACPA, indicando utilidade na previsão da gravidade e evolução da doença. Já nas neoplasias hematológicas, especialmente nas síndromes mieloproliferativas, a expressão de marcadores como triptase e CD203c pelos basófilos desafia os critérios diagnósticos tradicionais, pois a triptase, antes considerada exclusiva de mastócitos, também pode ser expressa por basófilos neoplásicos, e o CD203c facilita a identificação de células imaturas de difícil detecção por métodos usuais. Além disso, mutações como STAT5B e leucemias basofílicas parecem ter relação com a evolução clínica desfavorável, evidenciando a necessidade de maior precisão na identificação dessas células. Assim, a literatura analisada evidencia o amplo papel dos basófilos em contextos alérgicos, autoimunes e oncológicos. Alterações em sua atividade, os marcadores de superfície e seu comportamento funcional se apresentam com um potencial valor diagnóstico e terapêutico. A heterogeneidade dos distúrbios exige maior atenção clínica e laboratorial, com enfoque em doenças de evolução atípica. A organização sistemática do conhecimento contribui para um melhor entendimento dos basófilos e direciona abordagens mais precisas e personalizadas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105397
Primary Topic
Eosinophilic Disorders and Syndromes
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

DISTÚRBIOS DOS BASÓFILOS: REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA

Brent Pereira, K. C. A. S. Borges, Inayara Cristina Alves Lacerda, MES Ribeiro et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Eosinophilic Disorders and Syndromes
article

DISTÚRBIOS DOS BASÓFILOS: REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA

Brent Pereira, K. C. A. S. Borges, Inayara Cristina Alves Lacerda, MES Ribeiro, Katya Maria Oliveira de Sousa, MS Chalkidis
article en

Abstract

Os basófilos representam um importante tema de estudo na hematologia, especialmente ao se investigar a relação entre suas alterações funcionais e quantitativas e seu papel em diversas doenças como urticária, dermatite atópica e câncer. Apesar de sua ampla aplicabilidade clínica, o campo ainda carece de revisões que sintetizem o conhecimento disponível, tornando-o mais acessível e integrando-o à prática hematológica. Analisar criticamente a literatura científica sobre distúrbios basofílicos, com foco em suas causas, manifestações clínicas e implicações diagnósticas. Realizou-se uma revisão da literatura nas bases de dados PubMed, BVS e Web of Science, com publicações de 2020 a 2025. Os descritores utilizados, dos vocabulários DeCS/MeSH, foram: “Basófilos” ( Basophils ), “Distúrbios dos Basófilos” ( Basophil Disorders ) e “Basofilia” ( Basophilia ), combinados por meio dos operadores booleanos "AND" e "OR". Foram identificados 388 artigos; após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão e a remoção de duplicatas, 13 estudos foram selecionados para compor a análise crítica. Os estudos analisados destacam a importância dos basófilos em diversas doenças, desde neoplasias mieloides a alergias e autoimunidades. Observou-se que a basofilia pode indicar formas mais agressivas de neoplasias e que o marcador CD203c é útil no prognóstico da Leucemia Mieloide Crônica (LMC). Em testes clínicos, a combinação azacitidina + venetoclax demonstrou efeito terapêutico promissor. Alterações em marcadores como SYK, CD203c e CD63 associam-se a diferentes respostas basofílicas. Em alergias e asma, testes com basófilos são promissores para prever reatividade clínica. O papel dos basófilos na imunidade, ainda pouco esclarecido, pode ser relevante em novas estratégias terapêuticas. Diante desses achados, observa-se que os distúrbios dos basófilos apresentam uma heterogeneidade clínica, englobando desde processos alérgicos até neoplasias hematológicas. Em quadros alérgicos, observa-se uma ativação basal aumentada dos basófilos em certos subtipos, enquanto a responsividade mediada por IgE pode ser reduzida, como ocorre na urticária crônica espontânea. Em doenças autoimunes, a ativação seletiva dessas células mostrou uma relação inversa com o status ACPA, indicando utilidade na previsão da gravidade e evolução da doença. Já nas neoplasias hematológicas, especialmente nas síndromes mieloproliferativas, a expressão de marcadores como triptase e CD203c pelos basófilos desafia os critérios diagnósticos tradicionais, pois a triptase, antes considerada exclusiva de mastócitos, também pode ser expressa por basófilos neoplásicos, e o CD203c facilita a identificação de células imaturas de difícil detecção por métodos usuais. Além disso, mutações como STAT5B e leucemias basofílicas parecem ter relação com a evolução clínica desfavorável, evidenciando a necessidade de maior precisão na identificação dessas células. Assim, a literatura analisada evidencia o amplo papel dos basófilos em contextos alérgicos, autoimunes e oncológicos. Alterações em sua atividade, os marcadores de superfície e seu comportamento funcional se apresentam com um potencial valor diagnóstico e terapêutico. A heterogeneidade dos distúrbios exige maior atenção clínica e laboratorial, com enfoque em doenças de evolução atípica. A organização sistemática do conhecimento contribui para um melhor entendimento dos basófilos e direciona abordagens mais precisas e personalizadas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Oeste do Pará (BR), Universidade do Estado do Pará (BR)
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Eosinophilic Disorders and Syndromes
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