INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA LÚDICA COMO ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL EM PACIENTES HEMOFÍLICOS: EXPERIÊNCIA EM UM HEMOCENTRO DO NORDESTE DO BRASIL (2024)

A hemofilia, distúrbio hereditário da coagulação, impõe ao paciente desafios clínicos e psicossociais que transcendem o manejo médico. O medo de sangramentos, a hospitalização recorrente e as restrições físicas impactam a autoestima, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. Nesse contexto, a Psicologia no âmbito hemoterápico atua não apenas no acolhimento emocional, mas também na criação de espaços terapêuticos capazes de promover autonomia, resiliência e engajamento. As atividades lúdicas configuram um recurso estratégico, potencializando a expressão emocional, o enfrentamento adaptativo e a integração social. Avaliar o impacto de uma intervenção psicológica lúdica no bem-estar emocional, no engajamento social e na percepção de autocuidado de pacientes hemofílicos atendidos em um Hemocentro do Nordeste do Brasil. Estudo de caráter qualitativo-descritivo, realizado no primeiro semestre de 2024, com 20 pacientes diagnosticados com hemofilia A ou B, em acompanhamento regular no Hemocentro. A intervenção consistiu em uma oficina lúdico-terapêutica estruturada em três eixos: (1) jogos cooperativos adaptados à limitação física individual; (2) dinâmicas expressivas com uso de artes visuais para representação simbólica da hemofilia e do autocuidado; e (3) roda de conversa mediada pela equipe de psicologia para construção coletiva de estratégias de enfrentamento. As sessões tiveram duração de 90 minutos e ocorreram em ambiente seguro e adaptado. A avaliação qualitativa foi feita por meio de observação participante, registro de falas e aplicação de escala de humor pré e pós-atividade.Observou-se aumento imediato nos indicadores de humor positivo em 85% dos participantes. O engajamento durante as dinâmicas foi classificado como alto em 90% dos casos, com relatos espontâneos de maior sensação de pertencimento e diminuição da ansiedade relacionada ao tratamento. Pacientes relataram que a atividade favoreceu novas perspectivas sobre a hemofilia, com fortalecimento da rede de apoio entre pares. Além disso, identificou-se que a abordagem lúdica facilitou a adesão ao diálogo sobre práticas seguras, prevenindo riscos de sangramento. Os achados corroboram evidências recentes (2023–2024) que apontam a ludicidade como mediadora eficaz no manejo de condições crônicas, por estimular vínculos terapêuticos, reduzir barreiras comunicacionais e favorecer a internalização de condutas de autocuidado. Em hemofilia, esse formato de intervenção rompe o modelo exclusivamente biomédico, integrando dimensões emocionais e sociais ao tratamento. Essa prática, aplicada em ambiente hemoterápico, revela-se custo-efetiva e replicável em diferentes realidades do Sistema Único de Saúde (SUS).A intervenção psicológica com uso de atividade lúdica demonstrou-se uma estratégia efetiva para promover bem-estar emocional, coesão social e adesão ao tratamento em pacientes hemofílicos. Recomenda-se sua incorporação regular na rotina assistencial de hemocentros, aliada ao acompanhamento longitudinal para mensuração de benefícios sustentados.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105361
Primary Topic
Palliative and Oncologic Care
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA LÚDICA COMO ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL EM PACIENTES HEMOFÍLICOS: EXPERIÊNCIA EM UM HEMOCENTRO DO NORDESTE DO BRASIL (2024)

WS Teles, Francisca Selma de Oliveira, Célia Freitas, ALISSON CLAY RIOS DA SILVA et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Palliative and Oncologic Care
article

INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA LÚDICA COMO ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL EM PACIENTES HEMOFÍLICOS: EXPERIÊNCIA EM UM HEMOCENTRO DO NORDESTE DO BRASIL (2024)

WS Teles, Francisca Selma de Oliveira, Célia Freitas, ALISSON CLAY RIOS DA SILVA, Rogério Chinelato de Souza, Marcélia Oliveira Campos Silva
article en

Abstract

A hemofilia, distúrbio hereditário da coagulação, impõe ao paciente desafios clínicos e psicossociais que transcendem o manejo médico. O medo de sangramentos, a hospitalização recorrente e as restrições físicas impactam a autoestima, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. Nesse contexto, a Psicologia no âmbito hemoterápico atua não apenas no acolhimento emocional, mas também na criação de espaços terapêuticos capazes de promover autonomia, resiliência e engajamento. As atividades lúdicas configuram um recurso estratégico, potencializando a expressão emocional, o enfrentamento adaptativo e a integração social. Avaliar o impacto de uma intervenção psicológica lúdica no bem-estar emocional, no engajamento social e na percepção de autocuidado de pacientes hemofílicos atendidos em um Hemocentro do Nordeste do Brasil. Estudo de caráter qualitativo-descritivo, realizado no primeiro semestre de 2024, com 20 pacientes diagnosticados com hemofilia A ou B, em acompanhamento regular no Hemocentro. A intervenção consistiu em uma oficina lúdico-terapêutica estruturada em três eixos: (1) jogos cooperativos adaptados à limitação física individual; (2) dinâmicas expressivas com uso de artes visuais para representação simbólica da hemofilia e do autocuidado; e (3) roda de conversa mediada pela equipe de psicologia para construção coletiva de estratégias de enfrentamento. As sessões tiveram duração de 90 minutos e ocorreram em ambiente seguro e adaptado. A avaliação qualitativa foi feita por meio de observação participante, registro de falas e aplicação de escala de humor pré e pós-atividade.Observou-se aumento imediato nos indicadores de humor positivo em 85% dos participantes. O engajamento durante as dinâmicas foi classificado como alto em 90% dos casos, com relatos espontâneos de maior sensação de pertencimento e diminuição da ansiedade relacionada ao tratamento. Pacientes relataram que a atividade favoreceu novas perspectivas sobre a hemofilia, com fortalecimento da rede de apoio entre pares. Além disso, identificou-se que a abordagem lúdica facilitou a adesão ao diálogo sobre práticas seguras, prevenindo riscos de sangramento. Os achados corroboram evidências recentes (2023–2024) que apontam a ludicidade como mediadora eficaz no manejo de condições crônicas, por estimular vínculos terapêuticos, reduzir barreiras comunicacionais e favorecer a internalização de condutas de autocuidado. Em hemofilia, esse formato de intervenção rompe o modelo exclusivamente biomédico, integrando dimensões emocionais e sociais ao tratamento. Essa prática, aplicada em ambiente hemoterápico, revela-se custo-efetiva e replicável em diferentes realidades do Sistema Único de Saúde (SUS).A intervenção psicológica com uso de atividade lúdica demonstrou-se uma estratégia efetiva para promover bem-estar emocional, coesão social e adesão ao tratamento em pacientes hemofílicos. Recomenda-se sua incorporação regular na rotina assistencial de hemocentros, aliada ao acompanhamento longitudinal para mensuração de benefícios sustentados.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Centro Universitário Carioca (BR), Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Palliative and Oncologic Care
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