IMPACTO DA SÍNDROME DE FRAGILIDADE NA MORTALIDADE DE PACIENTES COM CÂNCER HEMATOLÓGICO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE

Os cânceres hematológicos representam cerca de 7% da incidência global de câncer; sendo também a quarta principal causa de morte por essa doença. A presença da síndrome de fragilidade (SF) é comum nesses pacientes e ocorre, principalmente, quando se têm um enfraquecimento progressivo e global dos sistemas fisiológicos, aumentando o risco de desfechos adversos. Assim, torna-se uma preocupação importante no cuidado oncológico, embora os dados sobre seu impacto durante o tratamento dos cânceres hematologicos ainda sejam limitados. O presente estudo teve como objetivo revisar sistematicamente e analisar a associação entre a presença da SF e os desfechos de mortalidade geral e progressão da doença em pacientes com câncer hematológico. Através de uma revisão sistemática, foram incluídos estudos observacionais que avaliaram a associação entre a SF e mortalidade em pacientes com câncer hematológico. Para serem incluídos, os estudos utilizaram instrumentos validados para a mensuração da SF, como escalas e testes, em pacientes com câncer hematológico. Só foram incluídos estudos publicados na língua inglesa. Foram excluídos estudos com dados incompletos para análise da SF e mortalidade. Uma meta-análise de efeitos aleatórios foi realizada utilizando os valores de Hazard Ratio (HR) e intervalo de confiança 95% (IC95%) das associações entre a SF e mortalidade. A presente meta-análise incluiu 17 estudos observacionais que avaliaram a associação da SF com a sobrevida em um total de 10.800 pacientes com câncer hematológico. As amostras eram compostas na sua maioria por homens (69%), idosos (mediana de 73.2 anos) e pacientes com mieloma multiplo (55%). Nossas análises indicaram que pacientes com SF apresentaram 2,3× maior risco de mortalidade (HR 2,3, IC95%: 2,0–2,8, I2 = 77%, p < 0,001) que pacientes sem SF. Ao avaliar a sobrevida livre de progressão (SLP), constatou-se que pacientes com SF apresentaram 90% maior risco (n = 4; HR 1,9, IC95%: 1,0–3,4, I2 = 85%, p < 0,001) que pacientes sem SF. A alta heterogeneidade (77%-85%) das análise parece estar associada aos diferentes tipos de neoplasias analisadas. Nossos principais achados foram que (1) pacientes frágeis com câncer hematológico apresentam mais que o dobro de risco de mortalidade por qualquer causa que pacientes não-frágeis; (2) o maior risco de mortalidade também foi constatado na sobrevida livre de progressão, com pacientes frágeis apresentando 90% maior risco que pacientes não-frágeis; e (3) nossos achados parecem estar mais evidentes em pacientes homens, idosos e com mieloma multiplo. A heterogeneidade observada nas análises pode ser explicada pelas características da doença, estadiamento, regime terapeutico e diferentes instrumentos para avaliar a SF entre os estudos. Portanto, a inclusão de ferramentas validadas para avaliar o risco da SF parece ser urgente na abordagem, consulta e tratamento da onco- hematologia. Essa medida pode estratificar risco, guiar decisões terapêuticas individualizadas e, principalmente, melhorar desfechos clínicos e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos. Nossos achados apontam que a SF é um fator prognóstico importante em pacientes com câncer hematológico, aumentando consideravelmente o risco de mortalidade por todas as causas e progressão da doença principalmente em pacientes homens, idosos e com mieloma multiplo.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105039
Primary Topic
Cancer survivorship and care
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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IMPACTO DA SÍNDROME DE FRAGILIDADE NA MORTALIDADE DE PACIENTES COM CÂNCER HEMATOLÓGICO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE

AC Molon, Anderson Rech, CM Brum, RAP Lorandi et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Cancer survivorship and care
article

IMPACTO DA SÍNDROME DE FRAGILIDADE NA MORTALIDADE DE PACIENTES COM CÂNCER HEMATOLÓGICO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE

AC Molon, Anderson Rech, CM Brum, RAP Lorandi, CF Maziero, MEB Bazzo, BT Rachele, VR Migliavacca, P Lopez
article en

Abstract

Os cânceres hematológicos representam cerca de 7% da incidência global de câncer; sendo também a quarta principal causa de morte por essa doença. A presença da síndrome de fragilidade (SF) é comum nesses pacientes e ocorre, principalmente, quando se têm um enfraquecimento progressivo e global dos sistemas fisiológicos, aumentando o risco de desfechos adversos. Assim, torna-se uma preocupação importante no cuidado oncológico, embora os dados sobre seu impacto durante o tratamento dos cânceres hematologicos ainda sejam limitados. O presente estudo teve como objetivo revisar sistematicamente e analisar a associação entre a presença da SF e os desfechos de mortalidade geral e progressão da doença em pacientes com câncer hematológico. Através de uma revisão sistemática, foram incluídos estudos observacionais que avaliaram a associação entre a SF e mortalidade em pacientes com câncer hematológico. Para serem incluídos, os estudos utilizaram instrumentos validados para a mensuração da SF, como escalas e testes, em pacientes com câncer hematológico. Só foram incluídos estudos publicados na língua inglesa. Foram excluídos estudos com dados incompletos para análise da SF e mortalidade. Uma meta-análise de efeitos aleatórios foi realizada utilizando os valores de Hazard Ratio (HR) e intervalo de confiança 95% (IC95%) das associações entre a SF e mortalidade. A presente meta-análise incluiu 17 estudos observacionais que avaliaram a associação da SF com a sobrevida em um total de 10.800 pacientes com câncer hematológico. As amostras eram compostas na sua maioria por homens (69%), idosos (mediana de 73.2 anos) e pacientes com mieloma multiplo (55%). Nossas análises indicaram que pacientes com SF apresentaram 2,3× maior risco de mortalidade (HR 2,3, IC95%: 2,0–2,8, I2 = 77%, p < 0,001) que pacientes sem SF. Ao avaliar a sobrevida livre de progressão (SLP), constatou-se que pacientes com SF apresentaram 90% maior risco (n = 4; HR 1,9, IC95%: 1,0–3,4, I2 = 85%, p < 0,001) que pacientes sem SF. A alta heterogeneidade (77%-85%) das análise parece estar associada aos diferentes tipos de neoplasias analisadas. Nossos principais achados foram que (1) pacientes frágeis com câncer hematológico apresentam mais que o dobro de risco de mortalidade por qualquer causa que pacientes não-frágeis; (2) o maior risco de mortalidade também foi constatado na sobrevida livre de progressão, com pacientes frágeis apresentando 90% maior risco que pacientes não-frágeis; e (3) nossos achados parecem estar mais evidentes em pacientes homens, idosos e com mieloma multiplo. A heterogeneidade observada nas análises pode ser explicada pelas características da doença, estadiamento, regime terapeutico e diferentes instrumentos para avaliar a SF entre os estudos. Portanto, a inclusão de ferramentas validadas para avaliar o risco da SF parece ser urgente na abordagem, consulta e tratamento da onco- hematologia. Essa medida pode estratificar risco, guiar decisões terapêuticas individualizadas e, principalmente, melhorar desfechos clínicos e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos. Nossos achados apontam que a SF é um fator prognóstico importante em pacientes com câncer hematológico, aumentando consideravelmente o risco de mortalidade por todas as causas e progressão da doença principalmente em pacientes homens, idosos e com mieloma multiplo.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Caxias do Sul (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Cancer survivorship and care
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