ENDOFTALMITE SECUNDÁRIA À BACTEREMIA POR STAPHYLOCOCCUS AUREUS RESISTENTE À METICILINA EM PACIENTE COM RECIDIVA DE MIELOMA MÚLTIPLO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO

O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica maligna caracterizada pela proliferação de plasmócitos anômalos e produção de imunoglobulinas monoclonais. Sua recidiva compromete a imunidade humoral, predispondo a infecções graves. A endoftalmite infecciosa secundária à disseminação hematogênica é rara, mas potencialmente devastadora. Homem, 63 anos, hipertenso, dislipidêmico, ex-tabagista, com histórico de fratura lombar e tratamento de MM há 7 anos. Em dezembro de 2024, procurou atendimento com dor em arcos costais. Tomografias mostraram colapsos vertebrais e fraturas compressivas. Internado para controle da dor, a eletroforese de proteínas confirmou recidiva do MM. Após alta e programação de nova quimioterapia, retornou dois dias depois com cefaleia intensa, hemorragia conjuntival e amaurose à direita. Avaliação oftalmológica indicou proptose e secreção purulenta, sugerindo endoftalmite. Iniciou-se Cefepime endovenoso (EV), Ciprofloxacino tópico e corticoides. Com piora clínica, ressonância magnética e ultrassonografia ocular mostraram comprometimento vítreo, celulite orbitária e suspeita de pseudotumor. Hemocultura isolou MRSA. O tratamento foi ajustado para Linezolida e Voriconazol EV. Sem resposta, realizou-se evisceração com implante de Millis. A cultura intraocular confirmou MRSA, indicando disseminação hematogênica. O esquema foi trocado para Vancomicina EV (MIC < 0,5), com manutenção do ciprofloxacino tópico. Evoluiu com melhora e alta para seguimento em hematologia e oftalmologia. O mieloma mútiplo (MM) recidivado prejudica a resposta imune, facilitando infecções oportunistas graves. A endoftalmite hematogênica por MRSA é rara e agressiva, com risco elevado de perda ocular. A necessidade de evisceração precoce reforça a importância do reconhecimento rápido da condição e do manejo antimicrobiano adequado. Este caso destaca a relevância do acompanhamento multidisciplinar em pacientes imunossuprimidos. A recidiva do mieloma múltiplo pode cursar com complicações infecciosas graves, como a endoftalmite hematogênica. O diagnóstico precoce e o tratamento direcionado são essenciais para evitar desfechos adversos.

Authors

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Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104831
Primary Topic
Ocular Infections and Treatments
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ENDOFTALMITE SECUNDÁRIA À BACTEREMIA POR STAPHYLOCOCCUS AUREUS RESISTENTE À METICILINA EM PACIENTE COM RECIDIVA DE MIELOMA MÚLTIPLO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO

Eduardo Thomé, Gabriela Thomé, CLARA SALLES BIAVASCHI, R Salles et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Ocular Infections and Treatments
article

ENDOFTALMITE SECUNDÁRIA À BACTEREMIA POR STAPHYLOCOCCUS AUREUS RESISTENTE À METICILINA EM PACIENTE COM RECIDIVA DE MIELOMA MÚLTIPLO: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICO

Eduardo Thomé, Gabriela Thomé, CLARA SALLES BIAVASCHI, R Salles, V Letti, MG Bacedo, B Vogel, H Remus, T Cavalheiro
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Abstract

O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica maligna caracterizada pela proliferação de plasmócitos anômalos e produção de imunoglobulinas monoclonais. Sua recidiva compromete a imunidade humoral, predispondo a infecções graves. A endoftalmite infecciosa secundária à disseminação hematogênica é rara, mas potencialmente devastadora. Homem, 63 anos, hipertenso, dislipidêmico, ex-tabagista, com histórico de fratura lombar e tratamento de MM há 7 anos. Em dezembro de 2024, procurou atendimento com dor em arcos costais. Tomografias mostraram colapsos vertebrais e fraturas compressivas. Internado para controle da dor, a eletroforese de proteínas confirmou recidiva do MM. Após alta e programação de nova quimioterapia, retornou dois dias depois com cefaleia intensa, hemorragia conjuntival e amaurose à direita. Avaliação oftalmológica indicou proptose e secreção purulenta, sugerindo endoftalmite. Iniciou-se Cefepime endovenoso (EV), Ciprofloxacino tópico e corticoides. Com piora clínica, ressonância magnética e ultrassonografia ocular mostraram comprometimento vítreo, celulite orbitária e suspeita de pseudotumor. Hemocultura isolou MRSA. O tratamento foi ajustado para Linezolida e Voriconazol EV. Sem resposta, realizou-se evisceração com implante de Millis. A cultura intraocular confirmou MRSA, indicando disseminação hematogênica. O esquema foi trocado para Vancomicina EV (MIC < 0,5), com manutenção do ciprofloxacino tópico. Evoluiu com melhora e alta para seguimento em hematologia e oftalmologia. O mieloma mútiplo (MM) recidivado prejudica a resposta imune, facilitando infecções oportunistas graves. A endoftalmite hematogênica por MRSA é rara e agressiva, com risco elevado de perda ocular. A necessidade de evisceração precoce reforça a importância do reconhecimento rápido da condição e do manejo antimicrobiano adequado. Este caso destaca a relevância do acompanhamento multidisciplinar em pacientes imunossuprimidos. A recidiva do mieloma múltiplo pode cursar com complicações infecciosas graves, como a endoftalmite hematogênica. O diagnóstico precoce e o tratamento direcionado são essenciais para evitar desfechos adversos.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Franciscana (BR), Universidade de Caxias do Sul (BR), Universidade Federal de Santa Maria (BR)
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Ocular Infections and Treatments
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