CONCOMITÂNCIA DE MUTAÇÕES JAK2 E BCR::ABL1 EM PACIENTES BRASILEIROS

Mutações em JAK2 são identificadas na maioria dos pacientes com policitemia vera, trombocitemia essencial e mielofibrose primária, ditas NMP. A proteína JAK2 é uma tirosinoquinase fosforilada que, devido à ação de diversas citocinas, ativa diferentes vias de sinalização intracelular. Essa mutação é pontual: a substituição de uma guanina por timina no éxon 14 do gene JAK2 que leva à substituição de uma valina por fenilalanina na posição 617 da proteína codificada ( JAK2 V617F). Enquanto a translocação t(9:22) resulta no oncogene BCR::ABL1 , que gera uma tirosinoquinase essencialmente ativa, que estimula a proliferação celular e causa resistência à morte celular. A presença desse neogene está relacionado à LMC, LMA e LLA. Relatos anteriores sugeriam que a ocorrência das mutações JAK2 e BCR::ABL1 eram mutuamente exclusivas, porém, mais recentemente, observou-se a coexistência dessas mutações no mesmo paciente, em casos ao diagnóstico ou após tratamento com inibidores da tirosinoquinase. Com a finalidade de identificar a coexistência das mutações BCR::ABL1 e JAK2 no mesmo paciente, foi realizado um estudo retrospectivo, entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2024, em pacientes brasileiros que realizaram os exames para a detecção dessas mutações por PCR em tempo real, no Grupo Fleury. Nesse período, foram documentados sete pacientes positivos para ambas as mutações, o que equivale a 0,0138% do número de pacientes avaliados. Esses pacientes tinham idade entre 50 e 80 anos, com relação homem: mulher similar. O primeiro paciente tinha suspeita de NMP; o segundo, mielofibrose primária e tinha diagnóstico de LMC p210, anteriormente; o terceiro, LMA com cariótipo complexo e Ph, p190; o quarto era LMC p210 e mielofibrose há 8 anos em uso de Jakavi e Dasatinibe; o quinto LMC p210, em uso de dasatinibe e NMP; o sexto, era LMC há 5 m, p210, e suspeita de PV. Apenas para um paciente não foi possível a obtenção de histórico médico detalhado. Apesar do número limitado de casos, as duas alterações genéticas puderam ser detectadas simultaneamente em pacientes com LMC e/ou NMP, seja em transformação para leucemia aguda ou não, ao diagnóstico ou durante o tratamento com inibidores de tirosinoquinase. Ressalta-se, portanto, que a translocação BCR::ABL1 pode ocorrer em pacientes com histórico de neoplasia mieloproliferativa JAK2 positivos, assim como em progressão e em casos de LMA de novo. Portanto, em não havendo a condição de exclusividade mútua, o clínico deve se atentar para tal possibilidade diante de quadro clínico peculiar ou em progressão da doença primária, a despeito da raridade da situação. Com o advento do SNG é possível que a associação de mutações será ainda mais frequentemente detectada.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104410
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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article

CONCOMITÂNCIA DE MUTAÇÕES JAK2 E BCR::ABL1 EM PACIENTES BRASILEIROS

ADSB Perazzio, LIC Loyola, Rubem Manoel Coelho Pessoa, ML Chauffaille et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

CONCOMITÂNCIA DE MUTAÇÕES JAK2 E BCR::ABL1 EM PACIENTES BRASILEIROS

ADSB Perazzio, LIC Loyola, Rubem Manoel Coelho Pessoa, ML Chauffaille, Tiago Martins, Eduardo Moreira Barradas de Souza, Raquel Sousa, KT Ghisi, VT de Almeida
article en

Abstract

Mutações em JAK2 são identificadas na maioria dos pacientes com policitemia vera, trombocitemia essencial e mielofibrose primária, ditas NMP. A proteína JAK2 é uma tirosinoquinase fosforilada que, devido à ação de diversas citocinas, ativa diferentes vias de sinalização intracelular. Essa mutação é pontual: a substituição de uma guanina por timina no éxon 14 do gene JAK2 que leva à substituição de uma valina por fenilalanina na posição 617 da proteína codificada ( JAK2 V617F). Enquanto a translocação t(9:22) resulta no oncogene BCR::ABL1 , que gera uma tirosinoquinase essencialmente ativa, que estimula a proliferação celular e causa resistência à morte celular. A presença desse neogene está relacionado à LMC, LMA e LLA. Relatos anteriores sugeriam que a ocorrência das mutações JAK2 e BCR::ABL1 eram mutuamente exclusivas, porém, mais recentemente, observou-se a coexistência dessas mutações no mesmo paciente, em casos ao diagnóstico ou após tratamento com inibidores da tirosinoquinase. Com a finalidade de identificar a coexistência das mutações BCR::ABL1 e JAK2 no mesmo paciente, foi realizado um estudo retrospectivo, entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2024, em pacientes brasileiros que realizaram os exames para a detecção dessas mutações por PCR em tempo real, no Grupo Fleury. Nesse período, foram documentados sete pacientes positivos para ambas as mutações, o que equivale a 0,0138% do número de pacientes avaliados. Esses pacientes tinham idade entre 50 e 80 anos, com relação homem: mulher similar. O primeiro paciente tinha suspeita de NMP; o segundo, mielofibrose primária e tinha diagnóstico de LMC p210, anteriormente; o terceiro, LMA com cariótipo complexo e Ph, p190; o quarto era LMC p210 e mielofibrose há 8 anos em uso de Jakavi e Dasatinibe; o quinto LMC p210, em uso de dasatinibe e NMP; o sexto, era LMC há 5 m, p210, e suspeita de PV. Apenas para um paciente não foi possível a obtenção de histórico médico detalhado. Apesar do número limitado de casos, as duas alterações genéticas puderam ser detectadas simultaneamente em pacientes com LMC e/ou NMP, seja em transformação para leucemia aguda ou não, ao diagnóstico ou durante o tratamento com inibidores de tirosinoquinase. Ressalta-se, portanto, que a translocação BCR::ABL1 pode ocorrer em pacientes com histórico de neoplasia mieloproliferativa JAK2 positivos, assim como em progressão e em casos de LMA de novo. Portanto, em não havendo a condição de exclusividade mútua, o clínico deve se atentar para tal possibilidade diante de quadro clínico peculiar ou em progressão da doença primária, a despeito da raridade da situação. Com o advento do SNG é possível que a associação de mutações será ainda mais frequentemente detectada.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Fleury S.A. (Brazil) (BR)
Openalex Percentile: Top 57%
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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