ANÁLISE METABOLÔMICA ANTES E APÓS TERAPIA DE INDUÇÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

A leucemia linfoblástica aguda (LLA), tipo mais comum de leucemia na infância, é caracterizada pela expansão clonal blastos da linhagem linfoide. A terapia de indução promove alterações significativas no metabolismo lipídico, refletindo uma reprogramação metabólica das células leucêmicas em resposta ao tratamento. Estudos metabolômicos demonstram que, após o início da terapia, há mudanças nos níveis de fosfolipídios, esfingolipídios e ácidos graxos, que podem estar associadas à morte celular, diferenciação ou resistência das células remanescentes. Avaliar as alterações no metabolismo lipídico de pacientes com leucemia linfoblástica aguda antes e após o início da terapia de indução. Foi realizada análise metabolômica de 17 pacientes diagnosticados com LLA provenientes do Hospital das Clínicas da UFMG. Foram realizadas coletas no momento do diagnóstico (T0) e uma (T1), duas (T2) e três (T3) semanas após o início da terapia de indução (metotrexato, citarabina, dexametasona, daunorrubicina e vincristina). Os plasmas dos pacientes foram analisados no sistema Agilent HPLC 1260 Infinity II/Q-ToF - MS 6530. Os dados metabolômicos foram processados utilizando o XCMS Online, e as análises estatísticas foram conduzidas no MetaboAnalyst. A anotação dos metabólitos foi realizada por meio da correspondência dos valores de m/z com entradas da base de dados da ferramenta online CEU Mass Mediator, considerando-se também a plausibilidade biológica e a distribuição isotópica. Diversos features foram selecionados como discriminadores entre os tempos avaliados pelo VIP score do OPLS-DA e análise estatística univariada (FDR<0,05, FC>2,0). Na análise T0 vs. T1, foram selecionados 153 features, 112 com intensidade reduzida e 41 com intensidade elevada. Após duas semanas de tratamento (T2) observou-se alteração em 514 features, sendo 287 reduzidas e 227 elevados. Já no tempo (T3), 298 features estavam com intensidade alterada, 182 elevados e 116 reduzidos. Foram identificados 12, 42 e 49 metabólitos nos tempos T1, T2 e T3, respectivamente. Dentre estes observou-se redução na abundância de metabólitos pertencentes a classe de ácidos graxos, acilcarnitinas, ácidos hidroxieicosatetraenoicos e diversos fosfolipídeos após início do tratamento (T1, T2 e T3). N-acilamidas, lisofosfolipídeos, fosfatidilinositóis, glicerofosfoetanolamida, ácido fosfatídico, triglicerídeos estavam elevadas após a terapia. A diminuição desses compostos reflete a redução da atividade metabólica associada à biossíntese de membranas, sinalização inflamatória e geração de energia, processos intensamente ativados em células leucêmicas. Esses achados indicam que a terapia foi eficaz em interromper rotas metabólicas fundamentais para a sobrevivência e proliferação das células malignas, podendo estar associada à morte celular, diferenciação ou restauração parcial do metabolismo normal. Os resultados obtidos evidenciam que a terapia de indução na LLA induz alterações significativas no metabolismo lipídico, com redução na intensidade de metabólitos associados à proliferação celular, sinalização inflamatória e metabolismo energético. Essas modificações sugerem uma resposta metabólica das células leucêmicas ao tratamento, destacando o potencial dos perfis lipídicos como marcadores de resposta terapêutica e alvos para futuras intervenções.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104496
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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article

ANÁLISE METABOLÔMICA ANTES E APÓS TERAPIA DE INDUÇÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

Daniel Coutinho, Flábio R. Araújo, AdP Sabino, Maria Maísa Rodrigues de Oliveira et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

ANÁLISE METABOLÔMICA ANTES E APÓS TERAPIA DE INDUÇÃO EM PACIENTES COM LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA

Daniel Coutinho, Flábio R. Araújo, AdP Sabino, Maria Maísa Rodrigues de Oliveira, Oswaldo Moreira, F Favretto, Ana Beatriz Batista Maia Macedo, Fábio de Oliveira
article en

Abstract

A leucemia linfoblástica aguda (LLA), tipo mais comum de leucemia na infância, é caracterizada pela expansão clonal blastos da linhagem linfoide. A terapia de indução promove alterações significativas no metabolismo lipídico, refletindo uma reprogramação metabólica das células leucêmicas em resposta ao tratamento. Estudos metabolômicos demonstram que, após o início da terapia, há mudanças nos níveis de fosfolipídios, esfingolipídios e ácidos graxos, que podem estar associadas à morte celular, diferenciação ou resistência das células remanescentes. Avaliar as alterações no metabolismo lipídico de pacientes com leucemia linfoblástica aguda antes e após o início da terapia de indução. Foi realizada análise metabolômica de 17 pacientes diagnosticados com LLA provenientes do Hospital das Clínicas da UFMG. Foram realizadas coletas no momento do diagnóstico (T0) e uma (T1), duas (T2) e três (T3) semanas após o início da terapia de indução (metotrexato, citarabina, dexametasona, daunorrubicina e vincristina). Os plasmas dos pacientes foram analisados no sistema Agilent HPLC 1260 Infinity II/Q-ToF - MS 6530. Os dados metabolômicos foram processados utilizando o XCMS Online, e as análises estatísticas foram conduzidas no MetaboAnalyst. A anotação dos metabólitos foi realizada por meio da correspondência dos valores de m/z com entradas da base de dados da ferramenta online CEU Mass Mediator, considerando-se também a plausibilidade biológica e a distribuição isotópica. Diversos features foram selecionados como discriminadores entre os tempos avaliados pelo VIP score do OPLS-DA e análise estatística univariada (FDR<0,05, FC>2,0). Na análise T0 vs. T1, foram selecionados 153 features, 112 com intensidade reduzida e 41 com intensidade elevada. Após duas semanas de tratamento (T2) observou-se alteração em 514 features, sendo 287 reduzidas e 227 elevados. Já no tempo (T3), 298 features estavam com intensidade alterada, 182 elevados e 116 reduzidos. Foram identificados 12, 42 e 49 metabólitos nos tempos T1, T2 e T3, respectivamente. Dentre estes observou-se redução na abundância de metabólitos pertencentes a classe de ácidos graxos, acilcarnitinas, ácidos hidroxieicosatetraenoicos e diversos fosfolipídeos após início do tratamento (T1, T2 e T3). N-acilamidas, lisofosfolipídeos, fosfatidilinositóis, glicerofosfoetanolamida, ácido fosfatídico, triglicerídeos estavam elevadas após a terapia. A diminuição desses compostos reflete a redução da atividade metabólica associada à biossíntese de membranas, sinalização inflamatória e geração de energia, processos intensamente ativados em células leucêmicas. Esses achados indicam que a terapia foi eficaz em interromper rotas metabólicas fundamentais para a sobrevivência e proliferação das células malignas, podendo estar associada à morte celular, diferenciação ou restauração parcial do metabolismo normal. Os resultados obtidos evidenciam que a terapia de indução na LLA induz alterações significativas no metabolismo lipídico, com redução na intensidade de metabólitos associados à proliferação celular, sinalização inflamatória e metabolismo energético. Essas modificações sugerem uma resposta metabólica das células leucêmicas ao tratamento, destacando o potencial dos perfis lipídicos como marcadores de resposta terapêutica e alvos para futuras intervenções.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Juiz de Fora (BR), Universidade Federal de Minas Gerais (BR)
Openalex Percentile: Top 58%
Acute Lymphoblastic Leukemia research
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