NOVA PERSPECTIVA NA REFRATARIEDADE PLAQUETÁRIA: O TESTE DE DESIALIZAÇÃO PLAQUETÁRIA COMO FERRAMENTA COMPLEMENTAR

A refratariedade plaquetária (RP) é uma complicação frequente em pacientes com doenças onco- hematológicas, anemia aplástica e receptores de transplante de medula óssea (TMO). Suas causas podem ser classificadas em imunes e não imunes. Clinicamente, observa-se que parte dos pacientes com RP mantém baixa resposta transfusional mesmo após receber plaquetas compatíveis, sugerindo mecanismos de depuração alternativos à fagocitose esplênica mediada por receptores Fcγ. Entre esses mecanismos, destaca-se a desialização plaquetária, que promove a remoção acelerada das plaquetas pelo fígado. 1) Investigar a aplicabilidade do Teste de Desialilação Plaquetária (TDP) em pacientes com trombocitopenia e suspeita de refratariedade imune, correlacionando achados laboratoriais e desfechos clínicos. 2) Avaliar a relação entre desialização plaquetária e a presença de anticorpos detectados pelo teste de imunofluorescência plaquetária (PIFT). Estudo prospectivo, conduzido entre março/2021 e junho/2025, envolvendo pacientes com trombocitopenia e suspeita de refratariedade plaquetária atendidos em serviço quaternário. Foram realizados PIFT para detecção de anticorpos plaquetários e TDP, este último baseado na marcação com Ricinus communis agglutinin I (RCA-1) e análise por citometria de fluxo. Foram incluídos 81 pacientes, dos quais 74% apresentaram PIFT positivo, com maior frequência no sexo feminino (86,8% vs. 50% no masculino). O TDP foi positivo em 43,2% dos casos, com distribuição semelhante entre mulheres (41,5%) e homens (46,4%). Resultados negativos no TDP foram mais prevalentes (55,6%), sobretudo entre mulheres (56,6%). Testes inconclusivos foram raros (< 5%). Na análise de associação, 72,7% dos pacientes com PIFT positivo apresentaram TDP positivo, enquanto 83,7% dos pacientes com PIFT negativo tiveram TDP negativo. Apesar da tendência observada, a associação não atingiu significância estatística (qui-quadrado p = 0,378). O TDP demonstrou utilidade na identificação de mecanismos imunopatológicos relevantes em pacientes com trombocitopenia imune, especialmente quando associado à presença de anticorpos detectados pelo PIFT. Trata-se de uma ferramenta diagnóstica complementar, com potencial para ampliar a compreensão dos processos envolvidos na refratariedade plaquetária e subsidiar condutas transfusionais mais precisas e individualizadas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105661
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
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NOVA PERSPECTIVA NA REFRATARIEDADE PLAQUETÁRIA: O TESTE DE DESIALIZAÇÃO PLAQUETÁRIA COMO FERRAMENTA COMPLEMENTAR

Akemi Kuroda Chiba, CL Dinardo, JO Bordin, Thiago de Carvalho Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

NOVA PERSPECTIVA NA REFRATARIEDADE PLAQUETÁRIA: O TESTE DE DESIALIZAÇÃO PLAQUETÁRIA COMO FERRAMENTA COMPLEMENTAR

Akemi Kuroda Chiba, CL Dinardo, JO Bordin, Thiago de Carvalho Silva, A Mendrone-Junior, D Langhi, E Moritz, JVB Oliveira, V Rocha, MCAV Conrado, KNC Ziza, M Domentino
article en

Abstract

A refratariedade plaquetária (RP) é uma complicação frequente em pacientes com doenças onco- hematológicas, anemia aplástica e receptores de transplante de medula óssea (TMO). Suas causas podem ser classificadas em imunes e não imunes. Clinicamente, observa-se que parte dos pacientes com RP mantém baixa resposta transfusional mesmo após receber plaquetas compatíveis, sugerindo mecanismos de depuração alternativos à fagocitose esplênica mediada por receptores Fcγ. Entre esses mecanismos, destaca-se a desialização plaquetária, que promove a remoção acelerada das plaquetas pelo fígado. 1) Investigar a aplicabilidade do Teste de Desialilação Plaquetária (TDP) em pacientes com trombocitopenia e suspeita de refratariedade imune, correlacionando achados laboratoriais e desfechos clínicos. 2) Avaliar a relação entre desialização plaquetária e a presença de anticorpos detectados pelo teste de imunofluorescência plaquetária (PIFT). Estudo prospectivo, conduzido entre março/2021 e junho/2025, envolvendo pacientes com trombocitopenia e suspeita de refratariedade plaquetária atendidos em serviço quaternário. Foram realizados PIFT para detecção de anticorpos plaquetários e TDP, este último baseado na marcação com Ricinus communis agglutinin I (RCA-1) e análise por citometria de fluxo. Foram incluídos 81 pacientes, dos quais 74% apresentaram PIFT positivo, com maior frequência no sexo feminino (86,8% vs. 50% no masculino). O TDP foi positivo em 43,2% dos casos, com distribuição semelhante entre mulheres (41,5%) e homens (46,4%). Resultados negativos no TDP foram mais prevalentes (55,6%), sobretudo entre mulheres (56,6%). Testes inconclusivos foram raros (< 5%). Na análise de associação, 72,7% dos pacientes com PIFT positivo apresentaram TDP positivo, enquanto 83,7% dos pacientes com PIFT negativo tiveram TDP negativo. Apesar da tendência observada, a associação não atingiu significância estatística (qui-quadrado p = 0,378). O TDP demonstrou utilidade na identificação de mecanismos imunopatológicos relevantes em pacientes com trombocitopenia imune, especialmente quando associado à presença de anticorpos detectados pelo PIFT. Trata-se de uma ferramenta diagnóstica complementar, com potencial para ampliar a compreensão dos processos envolvidos na refratariedade plaquetária e subsidiar condutas transfusionais mais precisas e individualizadas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Paulista (BR), Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo (BR), Universidade Federal de São Paulo (BR)
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Blood groups and transfusion
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