DESFECHOS DA INTERRUPÇÃO DE INIBIDORES DE TIROSINA-QUINASE EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: COORTE RETROSPECTIVA DE REMISSÃO LIVRE DE TRATAMENTO EM UM CENTRO ONCOLÓGICO BRASILEIRO

Pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC) que alcançam resposta molecular profunda (RMP) podem sustentar remissão livre de tratamento (RLT) com a parada de inibidor de tirosina-quinase (ITK). Quando há recaída, a reintrodução da medicação costuma restaurar a resposta. Quantificar a RLT em marcos fixos e descrever desfechos após recaída molecular em pacientes acompanhados desde 2019. Estudo retrospectivo (jan 2019–dez 2024). Inclusão: fase crônica, ≥ 5 anos de ITK contínuo e RMP ≥ 2 anos (BCR-ABL < 0,01 % IS), consentimento do paciente. Exclusão: parada não clínica, gestação, monitoramento inadequado, baixa adesão, perda de seguimento, eventos grau 3–4 ou crise blástica. Monitoramento molecular: PCR quantitativo em tempo real (QuantideX® qPCR BCR-ABL IS Kit, Asuragen®) no laboratório institucional: mensal 0–6 meses, trimestral 7–24 meses, semestral em diante. Recaída: perda de resposta molecular maior (RMM, BCR-ABL ≥ 0,1 %). Kaplan–Meier para tempo livre de ITK (intervalo de confiança de 95%). Primário: RLT em 6 meses (proporção sem ITK e em RMM, janela 5–7 meses). Secundários: RLT em 12 meses; mediana livre de ITK; resistência com troca de ITK; percentual de paciente que reiniciou ITK por perda de RMM. Avaliações em 24 e 36 meses serão adicionadas quando toda a coorte atingir esses marcos de seguimento, o que permitirá comparação ampliada com o EURO-SKI. Trinta e um pacientes iniciaram RLT. RLT-6 meses: 58,1% (18/31; IC 39,1–75,5); 12 meses: 50,0% (15/30; IC 31,3–68,7). Mediana livre de ITK: 14,3 meses. Reinício por perda de RMM: 58,1%. Troca após reinício: 5,6%. Resistência declarada: 5,6%. A RLT-6 meses (58,1%) espelha o EURO-SKI (∼ 61%), indicando que nossos critérios de parada e monitoramento inicial são seguros. Aos 12 meses, metade da coorte segue sem ITK; o declínio reflete a zona de maior risco descrita na literatura. O reinício por perda de RMM (58,1%) confirma a necessidade de vigilância estreita, mas a baixa taxa de troca (5,6 %) mostra recuperação rápida com o mesmo fármaco e resistência clínica rara. A mediana livre de ITK de 14,3 meses posiciona nosso serviço em linha com séries de mundo real, reforçando que, mesmo em centro público, a estratégia de RLT é factível quando há adesão ao calendário de PCR e reintrodução precoce. Em curto prazo, nossos resultados reproduzem experiências internacionais, confirmando a segurança da suspensão em nosso cenário público. A maioria dos que recaem recupera rapidamente a resposta com o mesmo ITK e raramente exige troca. Seguimento mais longo e coorte ampliada permitirão refinar estimativas e identificar fatores que sustentem a RLT a longo prazo

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104415
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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DESFECHOS DA INTERRUPÇÃO DE INIBIDORES DE TIROSINA-QUINASE EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: COORTE RETROSPECTIVA DE REMISSÃO LIVRE DE TRATAMENTO EM UM CENTRO ONCOLÓGICO BRASILEIRO

MB Carneiro, A. Domínguez Macías, IZ Gonçalves, Sidnei Nunes de Oliveira et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

DESFECHOS DA INTERRUPÇÃO DE INIBIDORES DE TIROSINA-QUINASE EM PACIENTES COM LEUCEMIA MIELOIDE CRÔNICA: COORTE RETROSPECTIVA DE REMISSÃO LIVRE DE TRATAMENTO EM UM CENTRO ONCOLÓGICO BRASILEIRO

MB Carneiro, A. Domínguez Macías, IZ Gonçalves, Sidnei Nunes de Oliveira, IAS Plentz, DF Brasileiro, JAM Ramazoto, CBA Leda, JRd Assunção, IAd Siqueira
article en

Abstract

Pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC) que alcançam resposta molecular profunda (RMP) podem sustentar remissão livre de tratamento (RLT) com a parada de inibidor de tirosina-quinase (ITK). Quando há recaída, a reintrodução da medicação costuma restaurar a resposta. Quantificar a RLT em marcos fixos e descrever desfechos após recaída molecular em pacientes acompanhados desde 2019. Estudo retrospectivo (jan 2019–dez 2024). Inclusão: fase crônica, ≥ 5 anos de ITK contínuo e RMP ≥ 2 anos (BCR-ABL < 0,01 % IS), consentimento do paciente. Exclusão: parada não clínica, gestação, monitoramento inadequado, baixa adesão, perda de seguimento, eventos grau 3–4 ou crise blástica. Monitoramento molecular: PCR quantitativo em tempo real (QuantideX® qPCR BCR-ABL IS Kit, Asuragen®) no laboratório institucional: mensal 0–6 meses, trimestral 7–24 meses, semestral em diante. Recaída: perda de resposta molecular maior (RMM, BCR-ABL ≥ 0,1 %). Kaplan–Meier para tempo livre de ITK (intervalo de confiança de 95%). Primário: RLT em 6 meses (proporção sem ITK e em RMM, janela 5–7 meses). Secundários: RLT em 12 meses; mediana livre de ITK; resistência com troca de ITK; percentual de paciente que reiniciou ITK por perda de RMM. Avaliações em 24 e 36 meses serão adicionadas quando toda a coorte atingir esses marcos de seguimento, o que permitirá comparação ampliada com o EURO-SKI. Trinta e um pacientes iniciaram RLT. RLT-6 meses: 58,1% (18/31; IC 39,1–75,5); 12 meses: 50,0% (15/30; IC 31,3–68,7). Mediana livre de ITK: 14,3 meses. Reinício por perda de RMM: 58,1%. Troca após reinício: 5,6%. Resistência declarada: 5,6%. A RLT-6 meses (58,1%) espelha o EURO-SKI (∼ 61%), indicando que nossos critérios de parada e monitoramento inicial são seguros. Aos 12 meses, metade da coorte segue sem ITK; o declínio reflete a zona de maior risco descrita na literatura. O reinício por perda de RMM (58,1%) confirma a necessidade de vigilância estreita, mas a baixa taxa de troca (5,6 %) mostra recuperação rápida com o mesmo fármaco e resistência clínica rara. A mediana livre de ITK de 14,3 meses posiciona nosso serviço em linha com séries de mundo real, reforçando que, mesmo em centro público, a estratégia de RLT é factível quando há adesão ao calendário de PCR e reintrodução precoce. Em curto prazo, nossos resultados reproduzem experiências internacionais, confirmando a segurança da suspensão em nosso cenário público. A maioria dos que recaem recupera rapidamente a resposta com o mesmo ITK e raramente exige troca. Seguimento mais longo e coorte ampliada permitirão refinar estimativas e identificar fatores que sustentem a RLT a longo prazo

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Myeloid Leukemia Research
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