IMPORTÂNCIA DA CITOMORFOLOGIA ASSOCIADA À IMUNOFENOTIPAGEM NO LABORATÓRIO DE CITOMETRIA DE FLUXO: RELATO DE CASO DE LEUCEMIA PROMIELOCITICA AGUDA VARIANTE MICROGRANULAR

A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo de leucemia mieloide aguda definida por alterações citomorfológicas e translocações cromossômicas específicas e tem como principal característica o aumento de células imaturas com fenótipo de promielócitos anômalos na medula óssea, com ou sem envolvimento do sangue periférico. Sua gravidade está relacionada à suscetibilidade dos indivíduos a apresentarem sangramentos, resultando em uma coagulopatia grave e potencialmente fatal. O diagnóstico da LPA é realizado através da correlação do quadro clínico do indivíduo, que irá apresentar manifestações hemorrágicas, junto aos exames laboratoriais, como a imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular. Embora os achados do hemograma sejam importantes, nem sempre são suficientes para orientar uma suspeita diagnóstica, o que torna fundamental a análise citomorfológica da amostra. Este relato de caso tem como objetivo ressaltar a importância do exame de citomorfologia como ferramenta para o direcionamento da pesquisa imunofenotípica. Paciente feminina, idosa, deu entrada no hospital hematológico apresentando os seguintes sintomas e sinais clínicos: otorragia, equimoses, episódios de epistaxe, hiporexia e hematúria. O material de sangue periférico foi encaminhado ao laboratório de citometria de fluxo com a indicação clínica informando anemia, monocitose e trombocitopenia. A análise citomorfológica foi realizada antes da imunofenotipagem e revelou a presença de células mononucleares atípicas, apresentando alta relação núcleo/citoplasma, núcleo clivado em formato de “asa de borboleta” ou bilobado, cromatina frouxa com áreas de heterocromatina contendo de 0 a 2 nucléolos, citoplasma acidófilo a basofílico (rosa-claro a avermelhado e azul-arroxeado) com granulações finas ou hipogranulares, características semelhantes aos promielócitos observados na variante microgranular da LPA. A partir desses achados, a montagem do painel de anticorpos foi direcionada para a investigação dessa neoplasia. A imunofenotipagem identificou 81% de promielócitos com fenótipo anômalo, apresentando expressão moderada de CD45 e positividade para os marcadores mieloides como o CD13, CD33 e MPO. Observou-se perda de expressão de CD15, expressão fraca do marcador mieloide/monocítico CD64, expressão parcial de CD117 e expressão parcial anômala de CD2. As células não apresentaram expressão dos marcadores de imaturidade CD34 e HLA-DR, tampouco do marcador CD56, associado a um prognóstico desfavorável na LPA. O exame foi liberado com a hipótese diagnóstica de LPA e sugestão para pesquisa citogenética do rearranjo gênico PML-RARα (t(15;17)), característico da doença. Após avaliação do resultado, foi realizada a punção da medula óssea da paciente. O material foi encaminhado para citogenética, biologia molecular e novamente para imunofenotipagem. O imunofenótipo observado foi semelhante ao da amostra de sangue periférico. A citogenética molecular (FISH) e a biologia molecular (RT-PCR) detectaram a presença do rearranjo PML-RARα, confirmando o diagnóstico de LPA. Esse caso evidencia a importância da análise citomorfológica como ferramenta para otimização da imunofenotipagem no laboratório de citometria de fluxo. A observação prévia de promielócitos anormais no esfregaço sanguíneo direcionou a investigação imunofenotípica, o que tornou o processo diagnóstico mais eficiente, agilizando desta forma a entrega dos resultados e, consequentemente, o início do tratamento adequado.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104330
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

IMPORTÂNCIA DA CITOMORFOLOGIA ASSOCIADA À IMUNOFENOTIPAGEM NO LABORATÓRIO DE CITOMETRIA DE FLUXO: RELATO DE CASO DE LEUCEMIA PROMIELOCITICA AGUDA VARIANTE MICROGRANULAR

T.P. Pissurno, Carla A. Sousa, Elisabete Ferreira, Eva M. A. Fontes
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

IMPORTÂNCIA DA CITOMORFOLOGIA ASSOCIADA À IMUNOFENOTIPAGEM NO LABORATÓRIO DE CITOMETRIA DE FLUXO: RELATO DE CASO DE LEUCEMIA PROMIELOCITICA AGUDA VARIANTE MICROGRANULAR

T.P. Pissurno, Carla A. Sousa, Elisabete Ferreira, Eva M. A. Fontes
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Abstract

A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo de leucemia mieloide aguda definida por alterações citomorfológicas e translocações cromossômicas específicas e tem como principal característica o aumento de células imaturas com fenótipo de promielócitos anômalos na medula óssea, com ou sem envolvimento do sangue periférico. Sua gravidade está relacionada à suscetibilidade dos indivíduos a apresentarem sangramentos, resultando em uma coagulopatia grave e potencialmente fatal. O diagnóstico da LPA é realizado através da correlação do quadro clínico do indivíduo, que irá apresentar manifestações hemorrágicas, junto aos exames laboratoriais, como a imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular. Embora os achados do hemograma sejam importantes, nem sempre são suficientes para orientar uma suspeita diagnóstica, o que torna fundamental a análise citomorfológica da amostra. Este relato de caso tem como objetivo ressaltar a importância do exame de citomorfologia como ferramenta para o direcionamento da pesquisa imunofenotípica. Paciente feminina, idosa, deu entrada no hospital hematológico apresentando os seguintes sintomas e sinais clínicos: otorragia, equimoses, episódios de epistaxe, hiporexia e hematúria. O material de sangue periférico foi encaminhado ao laboratório de citometria de fluxo com a indicação clínica informando anemia, monocitose e trombocitopenia. A análise citomorfológica foi realizada antes da imunofenotipagem e revelou a presença de células mononucleares atípicas, apresentando alta relação núcleo/citoplasma, núcleo clivado em formato de “asa de borboleta” ou bilobado, cromatina frouxa com áreas de heterocromatina contendo de 0 a 2 nucléolos, citoplasma acidófilo a basofílico (rosa-claro a avermelhado e azul-arroxeado) com granulações finas ou hipogranulares, características semelhantes aos promielócitos observados na variante microgranular da LPA. A partir desses achados, a montagem do painel de anticorpos foi direcionada para a investigação dessa neoplasia. A imunofenotipagem identificou 81% de promielócitos com fenótipo anômalo, apresentando expressão moderada de CD45 e positividade para os marcadores mieloides como o CD13, CD33 e MPO. Observou-se perda de expressão de CD15, expressão fraca do marcador mieloide/monocítico CD64, expressão parcial de CD117 e expressão parcial anômala de CD2. As células não apresentaram expressão dos marcadores de imaturidade CD34 e HLA-DR, tampouco do marcador CD56, associado a um prognóstico desfavorável na LPA. O exame foi liberado com a hipótese diagnóstica de LPA e sugestão para pesquisa citogenética do rearranjo gênico PML-RARα (t(15;17)), característico da doença. Após avaliação do resultado, foi realizada a punção da medula óssea da paciente. O material foi encaminhado para citogenética, biologia molecular e novamente para imunofenotipagem. O imunofenótipo observado foi semelhante ao da amostra de sangue periférico. A citogenética molecular (FISH) e a biologia molecular (RT-PCR) detectaram a presença do rearranjo PML-RARα, confirmando o diagnóstico de LPA. Esse caso evidencia a importância da análise citomorfológica como ferramenta para otimização da imunofenotipagem no laboratório de citometria de fluxo. A observação prévia de promielócitos anormais no esfregaço sanguíneo direcionou a investigação imunofenotípica, o que tornou o processo diagnóstico mais eficiente, agilizando desta forma a entrega dos resultados e, consequentemente, o início do tratamento adequado.

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