AVALIAÇÃO DO TEMPO MÍNIMO DE DESCANSO DO SANGUE TOTAL (ST) SOBRE A PRODUÇÃO PLAQUETÁRIA

A produção de hemocomponentes envolve diversos passos importantes que influenciam na qualidade dos produtos finais. É indicado que o Sangue Total (ST) destinado à produção de concentrado de plaquetas deve ficar em repouso para favorecer a desagregação plaquetária, que ocorre durante a hemostasia primária após a lesão do vaso sanguíneo no momento da punção da doação. Assim, o tempo de descanso pode estar diretamente relacionado à contagem plaquetária final do concentrado. Entretanto, o tempo mínimo de repouso não está claramente estabelecido. A Portaria de Consolidação n° 5 (2017) determina que, para a produção de plaquetas, o ST deve ser armazenado entre 20°C e 24°C por no máximo 24 horas, sem mencionar o tempo mínimo de descanso. O tempo ideal ainda envolve discussões uma vez que há poucas referências sobre o impacto e influência do descanso de sangue total na produção de concentrado de plaquetas. O estudo visa colaborar para que seja avaliado o impacto do tempo de descanso de sangue total na produção de concentrado de plaquetas de acordo com a contagem plaquetária mínima estabelecida em diretriz vigente. Foram incluídas no estudo 36 bolsas de sangue total coletadas na COLSAN – Unidade Sorocaba. As unidades de Sangue Total (ST), com volume médio de 470 mL, foram divididas em três grupos, de acordo com o tempo de descanso do ST antes da centrifugação: G1: sem tempo de descanso, G2: repouso de 60 minutos, G3: repouso de 120 minutos. Após o período de descanso, foram produzidos os hemocomponentes conforme protocolo validado institucionalmente. As amostras de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) foram analisadas quanto à contagem plaquetária (×10¹⁰/unidade) utilizando o contador hematológico SYSMEX XP-300. Foi realizada análise estatística utilizando o teste ANOVA seguido pelo teste de Tukey. As médias de contagem de plaquetas (×10¹⁰/unidade) no PRP foram similares entre os grupos, não apresentando diferença estatística: G1 11,2 ± 1,48, G2 7,08 ± 0,61 e G3 9,6 ± 1,28. De acordo com a análise estatística não houve diferença significativa quanto aos resultados apresentados na contagem plaquetária do PRP. Em todos os grupos, os resultados apresentados tem valores acima da referência plaquetária vigente (> 5,5×10¹⁰ /Unidade). Os resultados sugerem que é possível produzir concentrado de plaquetas com parâmetros de contagem plaquetária dentro das diretrizes vigentes independente do tempo de descanso do sangue total. Entretanto, a ampliação do número de amostras avaliadas permitirá avaliação mais segura da qualidade do concentrado de plaquetas produzido sem período de descanso.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.106064
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

AVALIAÇÃO DO TEMPO MÍNIMO DE DESCANSO DO SANGUE TOTAL (ST) SOBRE A PRODUÇÃO PLAQUETÁRIA

TG Sacramento, NM Silva, FRM Latini, CB Costa et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

AVALIAÇÃO DO TEMPO MÍNIMO DE DESCANSO DO SANGUE TOTAL (ST) SOBRE A PRODUÇÃO PLAQUETÁRIA

TG Sacramento, NM Silva, FRM Latini, CB Costa, APR Rosa, JFO Santos, CP Arnoni, AJP Cortez, JTS Tokunaga
article en

Abstract

A produção de hemocomponentes envolve diversos passos importantes que influenciam na qualidade dos produtos finais. É indicado que o Sangue Total (ST) destinado à produção de concentrado de plaquetas deve ficar em repouso para favorecer a desagregação plaquetária, que ocorre durante a hemostasia primária após a lesão do vaso sanguíneo no momento da punção da doação. Assim, o tempo de descanso pode estar diretamente relacionado à contagem plaquetária final do concentrado. Entretanto, o tempo mínimo de repouso não está claramente estabelecido. A Portaria de Consolidação n° 5 (2017) determina que, para a produção de plaquetas, o ST deve ser armazenado entre 20°C e 24°C por no máximo 24 horas, sem mencionar o tempo mínimo de descanso. O tempo ideal ainda envolve discussões uma vez que há poucas referências sobre o impacto e influência do descanso de sangue total na produção de concentrado de plaquetas. O estudo visa colaborar para que seja avaliado o impacto do tempo de descanso de sangue total na produção de concentrado de plaquetas de acordo com a contagem plaquetária mínima estabelecida em diretriz vigente. Foram incluídas no estudo 36 bolsas de sangue total coletadas na COLSAN – Unidade Sorocaba. As unidades de Sangue Total (ST), com volume médio de 470 mL, foram divididas em três grupos, de acordo com o tempo de descanso do ST antes da centrifugação: G1: sem tempo de descanso, G2: repouso de 60 minutos, G3: repouso de 120 minutos. Após o período de descanso, foram produzidos os hemocomponentes conforme protocolo validado institucionalmente. As amostras de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) foram analisadas quanto à contagem plaquetária (×10¹⁰/unidade) utilizando o contador hematológico SYSMEX XP-300. Foi realizada análise estatística utilizando o teste ANOVA seguido pelo teste de Tukey. As médias de contagem de plaquetas (×10¹⁰/unidade) no PRP foram similares entre os grupos, não apresentando diferença estatística: G1 11,2 ± 1,48, G2 7,08 ± 0,61 e G3 9,6 ± 1,28. De acordo com a análise estatística não houve diferença significativa quanto aos resultados apresentados na contagem plaquetária do PRP. Em todos os grupos, os resultados apresentados tem valores acima da referência plaquetária vigente (> 5,5×10¹⁰ /Unidade). Os resultados sugerem que é possível produzir concentrado de plaquetas com parâmetros de contagem plaquetária dentro das diretrizes vigentes independente do tempo de descanso do sangue total. Entretanto, a ampliação do número de amostras avaliadas permitirá avaliação mais segura da qualidade do concentrado de plaquetas produzido sem período de descanso.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood donation and transfusion practices
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